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Sonhar com um cachorrinho fofinho não é crime. Por isso, muitas pessoas compram os animais. Sem entender o mercado cruel que pode estar por trás, centenas de filhotes são vendidos diariamente. Mas há uma luz no fim do túnel: é possível adotar o cão dos seus sonhos!

Não escrevo isso apenas pelo ineditismo da pauta, mas por ter vivenciado na pele. Há menos de 24h, chegou aos meus braços meu novo bebê canino, Aurora. Uma chihuahua douradinha, de pelo longo, como eu sempre desejei.

Como sou contra compra de animais, não queria simplesmente ir a um canil e pagar. Já aconteceu de um canil me dar um filhote de presente, o qual eu recusei. Não gosto de pensar no sofrimento das matrizes (fêmeas que dão crias), parindo sem parar.

Por isso, resolvi que só teria um peludinho se fosse adotado, em uma situação especial. Foi o que aconteceu ontem. Uma amiga, sabendo do meu sonho dourado, me ligou, contando que diversos chihuahuas estavam para adoção.

Chí Còy/Creative Commons

Ao conversar com a veterinária, responsável pela adoção, fui informada sobre a procedência desses animais. Uma criadora cansou de cuidar de tantos cães e resolveu se desfazer da maioria. Sem saber o que fazer com eles, foi passando os cães de mão em mão, até chegar nesta veterinária.

Segundo ela, que prefere não ser identificada, é muito comum isso acontecer. Não precisa ser por estouro de canil pela polícia, quando há denúncia de maus tratos. Todos os canis, até os de excelência, precisam doar suas matrizes ou filhotes com algum probleminha.

Dessa forma, é possível realizar o sonho de ter um animal de raça, sem ter o peso da compra. Claro que são animais mais velhos, até com sequelas. Mas o amor é tão grande, que vale a pena!

Aurora, minha douradinha, veio com a síndrome do Urso. É um problema comportamental de rodar em círculos por longos períodos, decorrente de anos vividos em jaulas ou confinamento. Além disso, seus dentes estão muito comprometidos. Talvez tenha que passar por cirurgia e retirar os que ainda restam.

Além de ter um novo amor, tenho a possibilidade de dar um futuro para Aurora. No auge dos seus cinco anos, ela não conhece o mundo, apenas uma gaiola. Ainda temos, pelo menos, dez anos juntas. Já prometi a ela que irei apresentar o máximo de situações possível, para ela conhecer a beleza do seu humano. Ela não passará por mais nenhum sofrimento ou exploração.

Você também pode ter essa experiência. Basta encontrar em contato com veterinários, explicando sua intenção e conversar com criadores.

Ah, mas sempre há a possibilidade de adotar um vira-latinha maravilhoso. Antes da Aurora, meu cão Stitch era SRD (Sem Raça Definida) e a paixão da minha vida.

A adação ainda é o melhor caminho

Ali T/Creative Commons

Muitos animais são abandonados diariamente. “É difícil trabalhar em um país, no qual o cachorro é criado um objeto, um ursinho de pelúcia. E é descartável. Ainda é dado como presente. Vivemos num país que as pessoas não correm atrás das informações da raça. Simplesmente vão e compram o filhote” aponta a veterinária da clínica Pet Blue Care (responsável pelo resgate dos chihuahuas).

Segundo a profissional, ainda é difícil acessar esses criadores e esses animais para doação. Dos que fazem anúncio, a maioria quer vender. O ideal é buscar os criadores idôneos e os veterinários. Muitas vezes o anúncio da adoção ocorre pelo antigo boca a boca.

Reflita sobre a escolha de um Cãopanheiro

O Programa Adotar é Tudo de Bom, da Pedrigree, acredita que um cachorro é capaz de despertar o melhor em seus tutores. Um cão faz parte de uma família por anos e, por isso, é importante reservar tempo para pesquisar sobre o tipo de pet que mais se encaixa no estilo de vida e perfil da família, bem como planejar sua chegada e integração. Há quem esqueça que cuidar de cães exige tempo para oferecer carinho, levá-los para passear, ao Médico-Veterinário e limpar as fezes e xixi e, muitas vezes, são estes os motivos que geram a devolução de pets adotados aos abrigos.

Robert van Rijn/Creative Commons

Confira 10 dicas sobre posse responsável para uma decisão consciente de se ter um pet:

1) Pesquise sobre o animal e veja se ele é compatível com o seu estilo de vida e perfil familiar.

2) Quanto menor é a sua casa, menor deve ser o cão. Cachorros grandes, em um ambiente pequeno, podem ter problemas de adaptação.

3) Considere que o tempo médio de vida de um animal é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados. Não haja por impulso.

4) Caso já tenha outros cães em casa, apresente o novo morador de forma gradual e fique sempre atento à convivência.

5) Mantenha o pet sempre dentro de casa, jamais solto na rua. E na hora do passeio, leve-o com uma coleira que contenha a plaquinha de identificação.

6) Evite as ninhadas indesejadas. Castre machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contraindicações.

7) Todo pet precisa de alimentação de qualidade, que leve em conta suas necessidades, e muita água fresca e limpa.  Seu bem-estar também depende de uma boa nutrição.

8) Cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao Médico-Veterinário. Dê banho, escove e exercite-o.

9) Zele também por sua saúde psicológica. Dê atenção, carinho, ambiente adequado e reserve um momento do dia para as brincadeiras.

10) O Brasil tem milhões de cães abandonados. Cães adultos também se adaptam com facilidade às mudanças e tem condições de oferecer e receber muito carinho.

Ainda está em dúvida sobre a adoção? Alguns dados podem te ajudar a decidir.

Cenário de animais abandonados – Brasil

  • A Organização Mundial da Saúde estima que só no Brasil existam 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães abandonados.
  • Em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um cachorro. Destes, 10% estão abandonados.
  • No interior, em cidades menores, a situação não é muito diferente. Em muitos casos o número chega a 1/4 da população humana.

Realidade das ruas

  • A estimativa de vida de um cão é de 10 a 15 anos. Nas ruas é bem diferente, o cão vive em média dois anos. Nesse período ele passará por inúmeras situações que colocarão a vida dele em risco.
  • São os principais motivos que levam os cães de rua a morte: atropelamento, viroses diversas (cinomose, parvovirose, lepstospirose), doenças de carrapato (erliquiose),  agressão de humanos e briga entre cães.

Motivos para abandono

  • 20% – Destrutivo dentro de casa
  • 18,5% – Suja a casa
  • 12,6% – Destrutivo fora de casa
  • 11,6% – Tem o vício de fugir de casa
  • 11,4% – Ativo demais
  • 10,9% – Requer muita atenção
  • 10,7% – Late ou uiva muito
  • 9,7% – Morde
  • 9% – Desobediente

Não importa qual o perfil de cachorro que você busca. Ter um peludo ao seu lado é uma das maiores bênçãos da vida!

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