Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

O dia foi tenso. Por isso mesmo que eu não consegui escrever no horário prometido (peço desculpas). Deu tudo certo, mas o medo de algo sair do controle é grande. Pode parecer simples colocar um cão dentro de uma bolsa de transportes e viajar num avião. Mas não é tão fácil quanto parece.

Como deixar o pequeno tranquilo na caixa/bolsa de transporte

O bom de organizar a viagem é ter tempo para fazer todos os treinos necessários para minimizar o estresse do animal. No caso do Stitch, eu comecei 20 dias antes da viagem a acostuma-lo com a caixinha.

Primeiro coloquei a caixa rígida no cômodo que ele costuma ficar (meu quarto). Depois de quatro dias convivendo com aquele novo objeto, mas sem interagir ainda, coloquei a caminha dele dentro da caixa. Ele já foi cheirar e até ameaçou entrar.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

No segundo dia com a caminha dentro da caixa, passei a servir todas as refeições dentro da caixa. Como o Stitch é morto de fome e ama a alimentação natural, não foi preciso muito esforço. Nesse momento, aproveitei para acostumá-lo com a alimentação natural enlatada, que trouxe para viagem.

Como em um passe de mágico, após três dias nesse ritual, ao ver o pote de comida, o Stitch já entrava na caixa e ficava esperando pela refeição. Um dia, eu acordei, procurei o Stitch na minha cama, na cama dele, no chão e não o encontrei. Quando vi, ele estava dormindo dentro da caixinha.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Uma tática muito importante: sempre que o Stitch esteve dentro da caixinha, eu nunca tentei tirá-lo, mesmo quando eu chamei e ele não veio. A caixa deve ser um refúgio para ele, um local que ele se sinta seguro.

Poucos dias antes da viagem, troquei a caixa rígida pela bolsa de transportes com o tamanho máximo permitido pela TAM. Como ela é menor que a caixa que ele foi treinado, foi feito novamente o treinamento, com os mesmos passos, mas em menor tempo.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Resumindo, o Stitch dormiu tranquilo, a viagem toda, dentro da bolsa. Perguntaram se eu tinha sedado o orelhudo, de tão calmo que ele ficou.

Calmantes e sedativos

Não é aconselhável dar sedativo ao animal que irá viajar, pois quando ele acorda, pode ficar ainda mais assustado e estressado. Inclusive, algumas companhias aéreas não transportam animais sedados.

O recomendável é dar um remédio que deixe o animal mais tranquilo, mais calmo. Quem deve receitar essa medicação é o médico veterinário. A dica é testar o remédio prescrito antes de viajar, um dia que você for ficar em casa com ele. Assim, você pode observar quais as reações do pequeno.

Para o Stitch, a veterinária receitou homeopatia. Comecei a dar dois dias antes da viagem, para que ele ficasse mais tranquilo. Funcionou! Nem na maior turbulência ele reclamou. Dormiu igual um anjinho.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Escolha da companhia aérea

Nas viagens do Brasil para os Estados Unidos, a única companhia aérea que aceita cães dentro da cabine, é a TAM. Não são todas as raças que são permitidas e você deve cumprir algumas exigências.

1) O animal deve pesar 7 kilos junto com a caixa ou bolsa de transporte.

2) O animal deve ficar o tempo todo dentro da caixa/bolsa.

3) O tamanho máximo da caixa rígida é 36 cm de comprimento, 33 cm de largura e 19 cm de altura. Já a bolsa de transporte pode ter 36 cm de comprimento, 33 cm de largura e 23 cm de altura.

Foto: TAM

Foto: TAM

 

Foto: TAM

Foto: TAM

4) Para os EUA há uma taxa de embarque de U$200,00 por trecho.

5) Só pode viajar um animal por passageiro e dois animais por voo. Por isso é sugerido avisar a companhia, sobre o animal, o quanto antes.

Xixi, coco, água e comida

Uma grande preocupação é como o animal irá se aliviar durante o voo. Sugiro dar bastante comida para ele no dia que antecede à viagem. Quatro horas antes do voo, dar a última refeição, leva-lo para fazer coco e só voltar a dar comida quando chegar ao destino. Isso evita que ele faça o número dois durante o voo. Pro Stitch não morrer de fome, dei uns pedaços de petisco.

O xixi é mais complicado. Não gosto de suspender a água. Como o ar do avião é muito seco, ajuda a desidratar o animal rapidamente. O que faço é colocar um daqueles tapetes higiênicos no chão da caixa/bolsa e esperar que ele se alivie ali mesmo. Mas antes de embarcar e assim que desembarca, eu levo para fora do aeroporto para fazer xixi. Água a vontade.

Pressurização

Esse era o meu maior medo! Como o Stitch já é velhinho, fiquei com medo dele passar mal com a pressurização. Ainda mais em momentos de turbulência, achei que ele fosse ter dor de ouvido. Mas como ele dormiu, não sentiu nada. Quando eu percebi que ele estava roçando a cabeça no tapetinho, dei um pouco de petisco para que ele abrisse e fechasse a boca. Assim, diminui um possível incômodo.

Para cães que tem dentes, você pode deixar um ossinho ou brinquedo duro para ele roer. Além de se distrair, evita dor de ouvido e diminui aquela sensação ruim da pressurização.

Chegada ao destino

Ao chegar ao hotel, em Miami, ofereci comida para o Stitch. Por incrível que pareça, ele não quis muita comida. Acho que foi muita emoção para um dia só e ele ficou enjoado. Por isso, aumentei a oferta de água e não forcei a comer.

Nessa quinta-feira será nosso primeiro dia de passeio. Agora que você já sabe como foram os preparativos, vamos à diversão!

Para conferir mais fotos e vídeos, basta seguir @luizacervenka no Instagram