cachorro deitado na mala

Uma mudança não planejada por ser mais difícil para os pets – Emily Orpin/Creative Commons

Alguns amigos dizem que meus móveis têm rodinhas, já que eles não param em um lugar por muito tempo. De fato, nos últimos anos passei por muitas casas, em três cidades diferentes. Independentemente para onde vou, levo meus pets comigo. Lembrando que tenho uma cachorra e três gatos. Não é uma logística simples e nem fácil, mas é possível.

O mais importante é que tudo seja muito bem planejado, para dar tempo de adaptação e tranquilidade aos peludos. Se você precisar se mudar de forma brusca, eles poderão sofrer muito mais.

Gatos sofrem mais em mudanças do que cachorros

Esse é um dos maiores mitos. Dizer que gatos são apegados à residência e não ao tutor é uma balela. Alguns gatos costumam voltar à residência anterior, sem conseguir se adaptar à nova, mas não é pelo fato de se apegar ao local. A grande questão é que os gatos têm bastante dificuldade de lidar com mudanças, seja ela qual for. Pior ainda se for uma mudança de território e se o novo não tiver os mesmos recursos ou ainda se mostrar perigoso de alguma forma.

Na minha atual mudança, quem está mais sofrendo no processo é a Aurora, minha cachorra. Os gatos se assustaram hoje, quando a gatificação do quarto desapareceu. Mas todos os outros enriquecimentos, com o cheiro deles, continuam na casa antiga. Todavia, aos poucos, elas irão para a nova casa. Isso faz parte do processo paulatino. Somente quando o quarto deles estiver preparado, farei o transporte dos três gatos ao mesmo tempo.

homem no cachorro com muitos cães

Fazer passeios com o cachorro na casa nova pode facilitar a adaptação – DOWNUNDER in NZ/Creative Commons

Como fazer a mudança com cachorro?

O ideal é que o cachorro tenha a possibilidade de visitar a nova residência como uma forma de passeio. Nessa nova casa, o cão deve encontrar coisas que ele ama, como petiscos, brinquedos e cheiros. Assim, ele irá associar o local a coisas muito legais.

Levar o cachorro de uma vez para a nova casa pode fazer com que ele se sinta mais perdido, demorando mais sua adaptação, por exemplo para encontrar a água e local de fazer necessidades. Isso é ainda pior se o cão for idoso, como é o caso da minha. Os velhinhos sofrem, assim como os gatos, com qualquer mudança. Eles gostam de tudo sempre no mesmo lugar. Uma mudança brusca pode até causar um problema gastro-intestinal decorrente do estresse.

Precisei, inclusive, pedir ajuda para uma veterinária comportamentalista para medicar a Aurora, para que ela sinta menos essa mudança. Desde que comecei a encaixotar as coisas, a Aurora passou a apresentar comportamentos estranhos.

Enquanto escrevia, peguei a Aurora para dar seus remédios, como de costume. Na correria, nem tinha pego ela no colo o dia todo. Eis que olho para ela e vejo que seu olho estava murcho. Bateu aquele desespero e liguei imediatamente para o oftalmologista dela. Foi quando lembramos que esse mesmo olho teve um problema seríssimo na última mudança, há exato um ano. E hoje, véspera de mais uma mudança, o olho se despede e ela perde 100% da visão.

Aqui vai um desabafo, coisa que eu evito ao máximo fazer. Estou me sentindo imensamente culpada. Será que estou colocando minha cachorra em situações de tamanho estresse que, ao não conseguir lidar com isso, o corpo somatiza e problemas aparecem? Não posso ficar pensando nisso agora. Ainda tenho coisas para encaixotar, instalações para acompanhar na nova casa e faxina para fazer. Nesse momento não consigo me dedicar 100% aos meus animais (mas quem consegue durante uma mudança?!). Vou fazer tudo o que tiver ao meu alcance, mesmo que esse tudo não seja o suficiente que eles merecem ou o que eu gostaria de dar.

Então aqui vão algumas dicas para se mudar com seu pet

  • Prepare o ambiente onde o pet chegará, antes mesmo dele ir;
  • Coloque feromônio em difusor na tomada pelo menos 6 horas antes do pet chegar a nova casa;
  • No dia da mudança, separe um cômodo para que o pet fique na casa antiga, sem que haja movimentação de pessoas e móveis;
  • Só leve o pet para a casa nova quando já estiver tudo pronto e o espaço dele arrumado;
  • Leve itens com o cheiro dele, como caminha, pote de água, brinquedos, etc;
  • Pode parecer estranho, mas leve uma fraldinha ou a areia já usada. Isso dará uma sensação de “casa”;
  • Quando chegar na casa nova, feche o pet em um quarto com todos os seus pertences e libere aos poucos o acesso a casa toda. Isso facilitará inclusive a aumentar a chance de acerto de xixi e cocô;
  • Associe a casa nova a coisas muito legais, como brinquedos e petiscos. Por pelo menos uma semana, enriqueça mais a rotina do seu pet;
  • Caso ele apresente alguma alteração de comportamento ou sintoma clínico, leve imediatamente ao médico-veterinário.

Mesmo quando estamos na correria, no meio de uma mudança, é importante nos atentarmos para o bem-estar dos nossos pequenos.