Lucy Richard/Creative Commons

O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, também é importante para os cuidados com os pets. Os problemas cardíacos em cães e gatos tendem a aumentar com o avanço da idade. Mas os novinhos também podem ter problemas.

Por isso, o check-up de seis em seis meses é fundamental para a prevenção e diagnóstico precoce. “Todas as doenças podem ser controladas com medicação, retardando sua evolução e trazendo qualidade de vida aos bichinhos de estimação, desde que diagnosticadas no início”, orienta a veterinária especialista em cardiologia, Dra. Michelle Caroline Claviço.

Tosse, cansaço, apatia, prostração, desmaios e cianose (língua roxa) podem ser alguns dos sintomas de doença cardíaca. Podendo haver crises espaças, os tutores costumam demorar para buscar um diagnóstico. “Ah, meu cachorro tosse, mas quando ele fica quietinho, passa”, muitos dizem. É exatamente aí que começa o erro.

Não pense que isso acontece lá no outro bairro. Falo por mim. Tive uma péssima experiência, por relaxo e ignorância minha. Meu cachorro tossia às vezes. Mas na maior parte do tempo era super saudável. Mas num exame de rotina, a veterinária diagnosticou um sopro importante. Por isso, prescreveu medicação de uso diário.

Com um mês de tratamento, meu cachorrinho não mudou nada. As tosses, que eram raras, melhoraram. Mas ele continuava feliz e correndo por aí. Por preguiça e descrença na medicação, parei o tratamento, sem falar com a veterinária. Não de chegar no check-up do ano seguinte. Meu pequeno teve um edema pulmonar em decorrência da cardiopatia.

Como eu não havia dado a medicação, o problema evoluiu. Se eu tivesse continuado o tratamento, não teria curado, mas teria, provavelmente, estacionado a doença. Agora era tarde demais. Mesmo começando a dar o remédio certinho, o coração já estava cansado e precisou de outras várias medicações, para manter os batimentos corretamente.

Foram nove edemas pulmonares, dois AVCs (em decorrência do problema cardíaco e falta de oxigenação) e uma pneumonia até o coração pedir trégua e parar de vez. Talvez, se eu tivesse dado a medicação direitinho, desde a primeira solicitação da veterinária, meu peludo tivesse sofrido menos e vivido mais tempo, com maior qualidade de vida.

Esse pequeno desabafo é para você entender como a doença cardíaca pode ser silenciosa. Por isso, faça o check-up anual no seu bichinho. Quanto mais cedo for detectado o problema, mas chance de tratamento e maior qualidade de vida ele terá.

As doenças

Petra Postcrossing/Creative Commons

A cardiopatia mais comum em cães são as endocardioses, alterações que atingem as válvulas do coração e faz com que ele não bombeie corretamente o sangue. Foi essa que meu cãozinho teve. Esse tipo de doença afeta principalmente os cães de porte pequeno, como poodle, teckel e cavalier. Já raças como cocker, boxer e terra nova são mais propensas à cardiomiopatia dilatada, caracterizada pela dilatação do ventrículo por uma alteração do músculo cardíaco.

A Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) ocorre quando o coração já não é mais capaz de fornecer a quantidade necessária de sangue ao organismo, ou seja, quando perde sua capacidade de bombear o sangue.

“Inicialmente, os sintomas da ICC em cães podem ser silenciosos, motivo pelo qual todo cão deve passar por consultas anuais com um médico-veterinário para um check-up de rotina, a fim de possibilitar um diagnóstico precoce”, orienta Gabriela Rosa, médica-veterinária e gerente técnica de Pets da Boehringer Ingelheim Saúde Animal.

Quando existentes, os sintomas relacionados à ICC que os cães podem apresentar incluem tosse, dificuldade em respirar, intolerância a exercícios, falta de energia, diminuição do apetite, emagrecimento e desmaios.

De modo geral, a ICC acomete os animais de meia-idade a idosos. “Porém, existem problemas cardíacos congênitos, quando os animais já nascem com alguma alteração no coração. Esses são menos comuns e manifestam-se quando os animais ainda são jovens, entre três e cinco meses de idade”, reforça a médica-veterinária.

Em gatos, a mais comum é a cardiomiopatia hipertrófica, causada também por uma alteração do músculo cardíaco. O problema pode provocar trombose e embolia, com a formação de coágulos por não conseguir bombear corretamente, além de morte súbita.

Uma outra doença que tem preocupado é a dirofilariose, provocada por um verme que se aloja no coração dos pets, transmitida por mosquito. A incidência é maior no litoral, mas há registros também em outras regiões.

Fatores de risco

Ultima_Bruce/Creative Commons

O maior e mais comum é a obesidade. Com o excesso de peso, o coração precisa fazer mais esforço para garantir que o sangue chegue a todo o corpo. Isso causa um desgaste, que pode gerar uma cardiopatia. O primeiro passo é buscar o médico veterinário para avaliar as condições do animal e perder peso.

Outro grande fator de risco é o tártaro. Sabe aquela parte amarelada do dente do cachorro ou gato? Ali está cheio de bactérias. Elas, inclusive, que causam aquele mau hálito. Se, por ventura, uma dessas bactérias cair na corrente sanguínea e parar no coração, pode haver uma endocardite bacteriana. Assim, manter em dia a saúde oral do peludo é fundamental para garantir a saúde cardíaca. Está tudo relacionado.

Beber água também pode influenciar. Animais com problemas renais, por falta de ingestão de água, podem desenvolver problemas cardíacos.

Estresse. Não somos só nós que ficamos estressados. Nossos peludos sofrem do mal do século. Mas por falta do que fazer. Por isso, oferecer brinquedos e desafios mentais diários é super hiper importante. O famoso Enriquecimento Ambiental.

Isso sem falar dos passeios e exercícios físicos. Eles que garantem a manutenção do peso e as novidades olfativas e sociais para os cães. No caso dos gatos, mesmo sem sair de casa, devem ter os mesmos tipos de estímulos e exercícios, no calor do seu lar.

Infelizmente a raça pode ser um fator de risco pela predisposição genética. Principalmente cães de raças pequenas, como Poodle, Dachshund, Shi-tzu, Schnauzer miniatura, Pinsher, Spitz Alemão, Chihuahua, entre outras. A raça Cavalier King Charles Spaniel tem predisposição genética ao desenvolvimento de doenças das válvulas cardíacas e pode manifestar sintomas mais cedo (três a cinco anos de idade). Já a cardiomiopatia dilatada acomete com mais frequência cães de raças grandes ou gigantes, como Boxer, Labrador, Dogue Alemão e Dobermann.

O tratamento

Bret Watson/Creative Commons

Após o diagnóstico e pesquisa de sua causa, o médico- veterinário irá prescrever medicações para buscar aliviar os sintomas e caberá ao tutor aderir ao tratamento adequadamente e manter o acompanhamento de rotina com o médico-veterinário responsável, já que as doenças do coração demandam supervisão pelo resto da vida do animal.

Os problemas cardíacos não têm cura, mas o tratamento com medicamentos pode prolongar mais a vida do bichinho, com bem-estar. No caso da dirofilariose, além do tratamento à base de vermífugos, um medicamento que funciona como uma vacina previne contra o parasita dirofilária, causador da doença.

A orientação para os pets cardíacos é não fazer exercícios bruscos, manter o ambiente arejado para evitar hipertermia, o que pode piorar, fazer exames esporádicos e check-up de seis em seis meses. Os exames são eletrocardiograma, ecocardiograma e ultrassonografia para observar os demais órgãos, exames de sangue. Os cardiopatas costumam ter doenças associadas, já que o coração não trabalha corretamente.

Que tal comemorar a data com um lindo check-up cardiológico? Procure um médico-veterinário e peça orientações.

Aproveite e me siga por aí:

YouTube: www.youtube.com/luizacervenka

Instagram: @luizacervenka

Facebook: @bichoterapeuta

Twitter: @luizacervenka