Brasil tem mais de 77 milhões de cães e gatos criados em domicilio e cada vez mais os bichanos conquistam espaços

No dia 14 de março, é celebrado o Dia Nacional dos Animais. Cada vez mais valorizados pelos donos e considerados membros da família, os bichanos vêm mudando os projetos de muitos estabelecimentos, que agora oferecem espaços destinado para os pets, pensados no bem-estar animal e também na interação entre humanos e peludos.

E não seria por menos. Com um mercado que movimenta 20 bilhões por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET), o Brasil é o quarto maior país do mundo em população total de animais de estimação, totalizando 132,4 milhões de pets. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 55 milhões de cães e 22 milhões de gatos criados em domicílios em todo o país.

Mercado Imobiliário

Para atender esta demanda do mercado imobiliário, a Incorporadora D. Borcath vem apostando em espaços voltados aos animais. O Princess Residence, que tem previsão de entrega no segundo semestre de 2021, é um dos lançamentos que traz o espaço Pet Care. Localizado no centro de Curitiba, em uma região servida com transporte, shoppings, centros comerciais, restaurante e faculdades, os empreendimentos tem o conceito coliving e foi pensando para oferecer excelentes áreas comuns aos moradores, sem esquecer de seus animais de estimação. O Pet Care conta com estrutura para atender às principais necessidades dos bichanos, com pias para banhos, bancadas e secadores, reduzindo gastos com pet shop, além de uma área de lazer para os pets, com conforto e segurança.

Além de agregar valor ao imóvel, os donos também podem fazer passeios mais tranquilos, o que reduz os latidos e a destruição dos móveis dentro do apartamento. “Muitas vezes, o espaço pet é decisivo na venda de um imóvel. A incorporadora já está estudando novos projetos em parceria com empresas especializadas no mundo animal para que possamos entregar produtos que se encaixem nesta nova realidade”, afirma Douglas Borcath Filho, diretor da D. Borcath.

Foto: Divulgação

Tem cachorro no cinema!

As peludos saíram das telas dos cinemas e ganharam as poltronas. Essa já é uma realidade em uma das salas no MovieCom de Natal, no Rio Grande do Norte, como projeto CinePet. Um domingo por mês animais pré-selecionados são convidados para assistir a um filme em cartaz com seu tutor. “Os animais passam por um treinamento com adestrador. Só depois são liberados para participar da sessão” explica Lurdinha Amaral, criadora do projeto. “Eu me baseei em uma ação feita pela Purina, em São Paulo” continua. Pena que momentos como esse ainda são raros na metrópole.

Para divulgar o filme A Caminho de Casa, o Shopping Frei Caneca, em parceria com o Sony Pictures, abriu suas portar para tutores e peludos desfrutarem de uma sessão juntos. Foram recebidas 250 pessoas e 150 cães, sem nenhum tipo de acidente. A sala foi envelopada previamente para receber os peludos. Após a retirada da manta utilizada, a estrutura da sala estava totalmente mantida.  Os donos dos pets seguiram todas as orientações dos organizadores, segundo a assessoria do shopping. Mas, por enquanto, não há data marcada para um repeteco.

Foto: Guia Pet Friendly

Locais Pet Friendly

Diversos estabelecimentos como cafés, padarias, shoppings, bares e restaurantes estão vendo a possibilidade de aumentar seu público ao aceitar a presença de pets. Sempre seguindo as normas da vigilância sanitária, é possível oferecer conforto e ambiente requintado para humanos e pets.

Já são inúmeros os perfis nas redes sociais no Brasil, que se dedicam a mostrar os locais que aceitam os pets. Assim, fica mais fácil sair de casa sem frustração.

Bennilover/Creative Commons

Praia

A legislação brasileira não permite animais na praia. Porém, como não há fiscalização e o número de animais errantes pelo país ainda não é controlado, se faz vista grossa. Por isso, se você quiser ter um momento de relaxamento a beira mar com seu peludo, basta procurar praias mais reservadas e ir em horários mais vazios. É diversão garantida para você e seu pequeno!

Foto: Luiza Cervenka

Trabalho

Cada vez mais os prédios comerciais e empresas estão compreendendo a necessidade dos funcionários levarem seus cães para o trabalho. Liberados todos os dias ou em momentos específicos, levar o animal de estimação ao escritório pode reduzir o estresse e aumentar a interação entre os profissionais, tornando o ambiente mais amigável.

Um estudo realizado pela Penn Schoen Berland para Purina revela que 63% dos funcionários de empresas que aceitam pets estão muito satisfeitos com o ambiente de trabalho – quase o dobro do índice na comparação com locais de trabalho onde os animais de estimação não são permitidos.

Um dos exemplos de empresa Pet Friendly é a Nestlé Purina, que realizará a quarta edição do Pet at Work. Trata-se de um dia especial em que os pets podem ir ao trabalho com os seus tutores, na sede da companhia, em São Paulo.

Promovido desde 2016 na sede brasileira, o evento deve reunir cerca de 150 cães e gatos. A Nestlé Brasil oferece uma estrutura de suporte com palestras e orientação, entre outras iniciativas. Para participar, os colaboradores devem cadastrar os pets de acordo com pré-requisitos, como vacinação em dia e idade mínima do animal de quatro meses. A novidade desta primeira edição de 2019 é que o colaborador poderá levar mais de um pet para o trabalho.

Foto: Nestlé Purina

Nem tudo são flores e pelos!

Apesar dos cães e gatos se tornarem parte da família, muitas pessoas ainda torcem o nariz quando encontram um cachorro em locais “humanos”. Com uma visão retrógrada, muitos humanos ainda acreditam que cães são sujos e podem transmitir doenças. Por isso, não devem frequentar os mesmos locais que os humanos.

Uma parte desse preconceito é decorrente das atitudes de alguns tutores. Em Natal, por exemplo, o CinePet teve que ser suspenso por um período devido a comportamentos imponderados dos tutores. Apesar de receberem uma cartilha sobre o bom comportamento, tem gente que insiste em fazer o que bem entende. Como consequência, os que super respeitam as regras são punidos.

Esse é um dos motivos de muitos estabelecimentos não aceitarem a presença dos pets. Medo de que façam xixi ou cocô e o tutor não limpe. Ou receio que o animal chegue com pulga ou carrapato em infeste o local. E pior, que fiquem soltos, sem supervisão do tutor, e estraguem algo.

Enquanto houver tutores irresponsáveis, seremos punidos em não poder levar os nossos peludos onde quisermos. Se bem cuidados, adestrados e compreendidos, os cães são uma ótima companhia, sem oferecer risco ao bem-estar e saúde dos humanos.

Caso Jacó

A intolerância está cada vez mais latente em nossa sociedade. E os animais não escapam disso. Além de diversos casos de maus tratos dentro das casas ou com animais comunitários, a violência atinge peludos desconhecidos ao agressor.

Era uma bela tarde de sol, quando o treinador Vladinir Maciel e seu cão da raça Border Collie, Jacó, foram à praia de Porto das Dunas, em Aquirás, no Ceará. Como de costume, o cão corria atrás do seu brinquedo e se divertia. Para quem não segue @caogentil, Jacó era um atleta. Representava o Brasil em diversas competições de Freestyle (dança com animais).

Neste dia, relaxavam antes de embarcarem para Inglaterra. Seria a primeira vez que um cão brasileiro competiria no maior show de cães do mundo, a CRUFTS. Mas esse sonho não pode ser realizado. Um carro 4×4 atropelou Jacó, segundo Vladinir, propositadamente e sem prestar socorro.

Foto: @caogentil

Vladinir lamenta que esse crime ainda não tenha sido elucidado. “Jacó não era só um atleta, mas era meu amigo, meu companheiro, que dormia na cama comigo” conta.

É lamentável que ainda presenciemos esse tipo de situação, na qual pessoas atentem contra à vida. Seja ela de qualquer espécie. O movimento pet friendly é mais do que simplesmente poder levar um cachorro a todos os lugares. É levar o respeito à vida como um todo. Desde que cumprindo regras previamente estabelecidas, todas as formas de vida devem coabitar, não apenas na natureza, mas nas cidades. Estamos juntos nessa?!