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Basta uma pessoa tossir ou espirrar, para que toda a população pense no coronavírus chinês. Mesmo sem caso confirmado de pessoa infectada por coronavírus no Brasil, os brasileiros já estão apavorados. Diversas informações estão sendo lançadas pelas redes sociais, inclusive muitas fake news. Um delas, atinge os nosso amados peludos.

Meu cachorro pode ter coronavírus?

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Sim. Mas antes de se desesperar, aviso que é outra cepa de vírus, que não é transmissível a humanos.

Quando falamos em coronavírus, pensamos que é apenas um tipo de vírus. Na verdade, existem diversos tipos de cepas de vírus, como o causador de doenças como a SARS ou a MERS. Resumindo de uma forma pouco científica, chamar um vírus de coronavírus é dizer apenas o sobrenome, como Souza. Existem muitos Souzas por aí, em diversos países. Mas para entender a história de vida de um indivíduo dessa família, devemos saber o nome completo dele, não apenas a família.

Surto mundial de coronavírus

O coronavírus canino (CCoV) é um velho conhecido dos veterinários, assim como o da parvovirose. O vírus foi detectado pela primeira vez na Alemanha, em 1971, a partir das fezes de cães com enterite. Estudos feitos na cidade de São Paulo, demonstraram uma alta ocorrência de CCoV em cães com diarreia. Todavia, cães saudáveis também podem apresentar o vírus, mesmo sem sintomas.

Diferentemente do conoravírus causador das infecções respiratórias na cidade de Wuhan, na China, o CCoV tem como principal sintoma a diarreia e o vômito. O não tratamento dos sintomas pode levar o animal a um quadro de desidratação e consequente óbito. Quando a infecção ocorre associada com à parvovirose,
a doença é grave e frequentemente fatal para os filhotes.

A contaminação acontece pela via oro-fecal. Ou seja, seu cachorro precisa lamber, comer ou ter contato através da boca com as fezes de um cão contaminado. Após um período de incubação de 24-36 horas, o cachorro pode apresentar os sintomas. O que vai definir se o cão ficará doente ou não é o sistema imunológico. Cães filhotes, por exemplo, estão mais susceptíveis a contraírem a doença. Já cães saudáveis, não estressados e bem nutridos têm menor chance de apresentar os sintomas.

Mesmo cães vacinados podem apresentar a doença. Por isso, a higiene, um ambiente saudável e com enriquecimento ambiental, a boa alimentação e a frequente visita ao veterinário são fundamentais para a prevenção da doença.

O coronavírus é razoavelmente resistente e consegue permanecer infeccioso por longos períodos no ambiente no qual as fezes foram eliminadas. Mas a maioria dos detergentes e desinfetantes comerciais podem matar o vírus.

De tempo em tempo, há um surto desse tipo de doença. Principalmente em locais com grande concentração de animais, como abrigos e canis. Mas não é exclusivo do Brasil. O CCoV está distribuído mundialmente na população canina.

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E os gatos?

Existem dois tipo de coronavírus felino (FCoV): o FECV e o FIPV. Ambos não são transmissíveis aos seres humanos. Fica tranquilo!

Assim como nos cães, o coronavírus em gatos ataca o intestino, levando o gato a um quadro de diarreia, vômito, falta de apetite e desidratação. A contaminação também é oro-fecal.

Uma das principais características do FCoV é a sua capacidade de mutação, dando lugar a mais importante doença infecciosa, conhecida com a peritonite infeciosa felina (PIF). A FCoV se desenvolve principalmente em gatos com baixa imunidade, como filhotes, gatos idosos, gatos com FIV (vírus da imunodeficiência felina) e/ou também FELV (Vírus da leucemia felina).

Um estudo feito em 2019 na cidade de Botucatu, interior de São Paulo, mostrou que 64,2% da população estudada de gatos domiciliados tinha FCoV. Dentre os fatores de risco o estudo apontou maior probabilidade de contágio para filhotes e idosos, e gatos com acesso à rua.

Manter a higiene do ambiente, limpeza constante da caixa de areia, boa alimentação, ambiente gatificado (com espaços elevados, brinquedos adequados, tocas e arranhadores) e visitas frequentes ao veterinário podem prevenir a doença.

O que fazer?

Primeiro de tudo: nem seu cachorro, nem seu gato, vai te passar coronavírus!

Mas sobre o coronavírus chinês, hábitos básicos de higiene resolvem. Segundo o infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dr. Alberto Chebabo, o risco de contágio no Brasil é pequeno. Nesse momento, a recomendação é de diminuir o risco de infecções respiratórias como um todo. “Quem está doente, com tosse ou resfriado, deve evitar contato com outras pessoas, utilizar lenço de papel ao espirrar, fazer higiene frequente das mãos com álcool gel, e em momentos de surto, evitar aglomerações” alerta.