cachorro com guia

Passeios devem ser diários – Kit/Creative Commons

Quem nunca viu aquela cena do tutor sendo arrastado pelo cão? Parece que o cachorro é que está levando o humano para passear. Muitas pessoas deixam de passear com seus cães pelo incômodo dos puxões. Algumas tem até medo de cair durante o passeio. Mas com algumas dicas será possível ter um passeio tranquilo com seu cão, sem puxões e sem estresse.

Antes de sair de casa

Sabe aquela expressão “Costume de casa vai à praça”? Com cães não é diferente. Um cachorro ansioso em casa será um cachorro ansioso no passeio. Não adianta sair com o cão agitado de casa, pois será a fórmula perfeita para bagunça, agitação e descontrole na rua.

É muito importante oferecer mordedores, dispositivos recheados e fazer exercícios cognitivos dentro de casa. Se a rotina for pobre de estímulos, a única parte boa do dia será o passeio e o cão ficará extremamente ansioso por esse momento.

Outro ponto a prestar atenção é o momento de sair. A saída de casa só deve acontecer com o cachorro calmo. Eu sei que isso pode parecer impossível em um primeiro momento. Mas nada que um treino não resolva.

Vamos ao treino:

  1. Coloque a coleira no cachorro e aguarde até ele se acalmar. Não precisa falar para ele ficar calmo. Apenas deixe ele solto, brincando pela casa
  2. Clique a guia e deixe-o solto pela casa até se acalmar.
  3. Pegue a guia. Se ele ficar agitado, solte e espere até que ele se acalme.
  4. Nada de falar “Vamos passear”, “bora”, “rua”, “rolê”, etc. Associar uma palavra ao ato de sair só deixará o cão mais ansioso.
  5. Com o cachorro calmo, pegue a guia e saia pela porta.
  6. Se ele agitar, pare, olhe para o vento e aguarde até ele se acalmar. Nada de dar bronca, gritar, colocar sentado. Só espere até que ele se acalme (mesmo que isso demore) e siga o passeio.
cachorro passeando com senhora

Com treino, é possível passear sem o cachorro puxar -Sober Rabbit/Creative Commons

Antes de sair pelo portão

Um momento crucial no passeio é sair pelo portão. Seja o portão de casa ou o do prédio. Por isso, ensinar o senta pode ajudar muito na hora de abrir o portão (principalmente se for pesado ou for duplo), sem que o cachorro saia esbaforido.

Pode parecer difícil, chato e demorado. Mas a medida que o treino for feito diariamente, o cachorro ficará mais acostumado e o tempo de cada etapa irá diminuir. Até chegar ao ponto do cão não ficar mais ansioso para sair pelo portão.

Por isso, o passeio deve ser feito diariamente, mesmo que por cinco minutos. A persistência e frequência dos treinos e passeios farão toda diferença na agilidade de resposta e aprendizado do cão. Não adianta querer fazer o treino só aos finais de semana e durante a semana nem passear, por exemplo.

Mitos do passeio

Há uma escola antiga de adestramento que ainda perpetua alguns mitos.

  • Cachorro tem andar sempre ao lado. O passeio tem diversas funções. Entre elas a comunicação através do olfato, urina e fezes. Assim sendo, se o cão andar sempre ao lado do seu condutor, ficará tolhido de exercer alguns comportamentos naturais.
  • A guia deve ser curta. Quando a guia está tensa e curta, o cão tem menos campo de resposta. Isso pode facilitar a insegurança e até a agressividade no passeio, já que ele não tem para onde fugir, caso tenha medo.
  • Cachorro não pode sair antes do tutor. Há muitos anos, acreditava-se que a matilha possuía hierarquia. Assim, o “líder da matilha” tinha que estar sempre à frente. Porém, essa teoria caiu por terra. Hoje sabemos que não existe hierarquia em cães. Por isso, não há regras na hora da saída. Depende caso a caso.

Primeiros passos na rua

Finalmente, depois de todo treinamento, chegamos à rua. Muitos cheiros, pessoas, cães, pássaros, moto, caminhões, barulhos, etc. Há cães que ficam com medo, outros se agitam, latem, puxam e perdem o controle.

Todo o treinamento até aqui é muito importante para controlar o emocional do cão. Mas quando chega na rua, por mais que tenha sido tudo bem no treino, pode mudar de figura. Nessa hora, o foco é essencial.

Busque algo que o cão mais gosta, como uma árvore, moita ou poste para ele cheirar. Se ele sair com um objetivo (chegar até a árvore), terá menos chance dele sair descontrolado.

O mais importante é seguir uma regra de ouro: “Guia tensa, para. Guia frouxa anda”. Por isso, a guia curta é tão ruim. Pois sempre ficará tensionada. O ideal é que a guia seja longa (pelo menos 2 metros). Assim, terá maior chance de acerto e erro.

cachorro com guia

O passeio deve acontecer com a guia frouxa – Bruce Fingerhood/Creative Commons

Quando a guia estiver tensa, significa que o cão está puxando. Nesse momento deve-se parar e esperar o cão tranquilizar. Não precisa falar nada, nem dar bronca, nem pedir para sentar. É só esperar acalmar. Com ele calmo e a guia frouxa (com barriga), podemos voltar a andar.

A dica de ouro é: não puxe a guia na sua direção. Isso fará com que a guia ficar mais tensa e não será consequência de um comportamento do cão. Dessa forma, o aprendizado pode demorar mais.

Se você quiser que o cão volte na sua direção, basta chama-lo de forma festiva. Nada de puxá-lo pela guia. A não ser que seja uma emergência.

Condução, treino e comando no passeio

O passeio é muito mais do que gasto energético. O passeio é um super enriquecimento ambiental, no qual o cão poderá ter contato com coisas e pessoas diferentes. É um espaço de aprendizado, interação e comunicação. Por isso, a guia deve ser mais longa, para propiciar esses comportamentos.

Deixe o cachorro cheirar e fazer xixi a cada 10 centímetros. Ele está sendo cachorro e expressando comportamentos naturais.

cachorro cheirando chão

Deixe o cachorro cheirar tudo o que quiser – Zach Stern/Creative Commons

O ideal é que o passeio seja específico para o cão. Evite aproveitar esse momento para que você faça exercício, como corrida. Se o cachorro gostar de corrida, por exemplo, você pode iniciar o passeio permitindo que ele exerça seus comportamentos naturais e depois faça a atividade com você.

A interação entre cães na guia deve ser evitada. Isso porque o cão está sem espaço para fugir ou se esconder, caso se sinta acuado. A brincadeira deve ser estimulada em parques e praças cercados, com os cães sem coleira.

cachorro tenso no passeio

Cachorro tenso no passeio pode gerar agressividade – Thomas Altfather Good/Creative Commons

Qual a melhor coleira para passear?

Existe um mito que a coleira que resolve os puxões no passeio. Mas o que faz com que um cachorro não puxe é o treino e tudo que já foi falado. A coleira é um mero acessório.

Veja quais os melhores tipos de coleira aqui.

O passeio deve ser divertido para cães e humanos. Não se esqueça de passear com seu peludo diariamente.