Foto: Cris Assanuma

Pode parecer um tema ridículo para um post. Mas juro que esse foi o meu grande desafio com a chegada da Aurora, minha recém adotada cachorrinha. Qual o nome ideal para dar para um cachorro ou gato?

Depois de decidir qual chihuahua eu iria adotar, começou a saga: qual o nome?! Com a foto dela em mãos, pensei em vários. Porém nenhum parecia soar bem.

Pedi a opinião de amigos, de parentes, de pessoas que eu mal conhecia. Busquei lista de nomes na internet. Até procurei comidas douradas para fazer um brain storm. Linhaça e Maricota ainda não me convenciam…. Pensei naquelas nomes básicos, como Lalá ou Tita. Mas também não era por aí que eu queria. Não tenho nenhum grande ídolo para homenagear… E agora, qual nome colocar?!

Uma mistura de angústia e ansiedade se instalou. Até que me disseram: “quando ela chegar, pega ela no colo que o nome vem”. Oi?! Como o nome vem? Baixa o espírito do nome e sussurra no meu ouvido? É cada uma que o povo inventa…

Mesmo descrente, tentei me acalmar e esperar pela chegada da fofinha sem nome. Foram horas de ansiedade pela sua chegada. A pessoa encarregada pelo transporte se atrasou. Não via a hora de olhar para ela e pensar no nome!

Foto: Luiza Cervenka

Chegou o momento! Ela veio para o meu colo e…. NADA! Nenhuma ideia, nenhum nome, nenhum assoprão. Não fiquei chateada ou frustada. Afinal, aquele serzinho, mesmo sem nome já era minha maior paixão. Mas eu iria chamá-la de fofinha até quando?!

Fomos para casa. No caminho, milhões de ideias passaram pela minha cabeça, mas nenhuma fazia meu coração bater mais forte. Mesmo assim, fui conversando com ela, durante o trajeto. Expliquei que a partir daquele momento ela iria para minha casa e seria minha companheira para sempre. Nunca mais ela passaria por situações de medo ou angústia. Eu iria protege-la!

Chegamos no prédio. Parei o carro. Subimos no elevador. Cheguemos no meu andar e coloquei a sem nome no chão. Fiquei um pouquinho ali com ela, para uma rápida apresentação dos cheiros e afins. Contei que ela teria três irmãos gatos, que todos eram bonzinhos e estavam a espera dela.

Quando fui abrir a porta, olhei para trás e chamei com a maior naturalidade do mundo: “vem Aurora!”. Oi?! Aurora?! De onde surgiu esse nome? Não estava em nenhuma das minhas listas e muito menos passou pela minha cabeça.

Eu olhei pra ela e chamei de novo “vem Aurora!”. Ela olhou bem fundo nos meus olhos e abanou o rabo para mim, pela primeira vez. Parece que ela gostou do novo nome. Mesmo encafifada, esqueci o assunto. Entramos em casa, ela conheceu os gatos, a caminha e todo o apartamento. Rapidamente ela já se sentiu em casa, confortável.

Foto: Luiza Cervenka

Depois, já batizada, contei para as pessoas sobre a escolha do nome. A protetora arrepiou. A voluntária da ONG, se emocionou. A veterinária sentiu um aperto no coração. Parecia que todo mundo havia entendido que esse era o real nome dela. Como se ela quisesse se chamar assim. Como se esse nome fosse obviamente o dela há muito tempo. Mas somente eu teria descoberto, após passar por tantas mãos.

Conversando com a Sheila Waligora, veterinária, especialista em comunicação com animais, ela me explicou que houve uma comunicação entre nós duas. E, sim, a Aurora me contou o nome dela. Não fui eu que inventei. Mas seria isso possível?! A Sheila confirmou que todos nós, humanos, temos a possibilidade de nos comunicarmos e ouvirmos, mesmo que com o coração, as mensagens enviadas por animais, plantas e pedras. Para ouvir, basta acalmar o pensamento, entrar em contato com seu eu mais profundo e confiar no sopro ou intuição.

Você está assustado?! Imagine eu!!! E o pior (ou melhor) eu lembrei que o mesmo aconteceu com a Pérola, minha gata! Ela também me contou seu nome. Após me seguir até minha casa, a Pérola driblou meus cães, subiu no meu sofá e adormeceu. Quando perguntaram o nome dela, sem hesitar disse: “Pérola”. Não faço a menor ideia de onde surgiu isso. A única explicação é realmente a comunicação.

Cats 99/Creative Commons

Para garantir que não havia me enganado, chamei a Aurora de outro nome, tipo Chica ou Paçoca. Para meu espanto, fui solenemente ignorada. Mas bastou chamar Aurora e ela veio correndo. Mesmo eu estando no quarto e ela na sala.

Em míseras 48h, eu podia chamar Aurora de onde eu estivesse. Em poucos segundos duas orelhas douradas e uma língua pendurada apareciam. Já fiz o teste em parques, multidão, no escuro e o resultado é sempre o mesmo: ela atende quando chamada por Aurora.

Por isso, não precisa se preocupar com o nome do seu futuro bichinho. Na hora, você vai olhar para ele e saber qual o nome ideal. Acredite. Não em mim, mas em você mesmo.

Esqueça qualquer lista de nomes encontrada na internet. Confie em você. Silencie seu coração e aceite receber uma intuição com o melhor nome para o seu peludo.