Tom Britt/Creative Commons

Uma das dúvidas mais comuns, que aflige os tutores: como eu sei que esse adestrador é o melhor para o meu cachorro? Cada vez mais comum, a profissão de adestrador tomou conta das ruas e lares com cães. Mas será que todo profissional é igual? Qual escolher?

Da mesmo forma que pode ser difícil encontrar o melhor pediatra para o um bebê, a escolha de adestrador pode levar tempo. Não necessariamente o primeiro profissionais que você contactar será o ideal para seu pequeno ou para seu estilo de vida. Existem várias linhas de treinamento, com diversos tipos de abordagem. Há aqueles profissionais mais secos e outros que viram membros da família.

Preste atenção!

Mas uma coisa você não pode abrir mão: da qualidade de formação do profissional! Não é porque é veterinário, psicólogo ou zootecnista que ele será o melhor adestrador. Há muitas pessoas de outras áreas, como direito e marketing, que, ao se dedicar, podem ter mais conhecimento e técnicas atualizadas. O importante na hora de buscar um profissionais é perguntar sobre a formação, cursos, investimento em estudo e aplicação de tudo isso.

Mesmo sendo um profissional há vinte anos no mercado, não garante que ele está de acordo com as técnicas e protocolos mais atuais. É o mesmo que ir a um dentista que é contra o uso de anestesia e só faz acabamento em amálgama (aquele material prateado). Hoje há inúmeras técnicas mais atuais de procedimento e estética.

Um adestrador que não se atualiza pode colocar em risco a saúde física e psicológica do animal!

Não existe solução mágica para resolver o comportamento de cães e gatos

Nada de receita de bolo!

É muito comum ouvir profissionais ditando receitas e protocolos pré-prontos para resolver cada problema comportamental. Mas antes de resolver a questão, é importante compreender a motivação do comportamento. Sem isso, o protocolo irá apenas mascarar o problema.

É igual ir ao pronto socorro com dor de cabeça. O médico de plantão irá te passar analgésico para passar a dor. Mas o ideal é fazer exames e buscar a causa da dor, para que ela não volte a acontecer.

Adestradores atualizados e comprometidos com o bem-estar do animal não fará tratamentos paliativos. Irá fundo na compreensão da causa da questão, para tratá-la integralmente, garantindo a melhora da convivência entre humanos e cães.

Fique atento caso o profissional chegue na sua casa com estratégias rígidas e engessadas. Questione-o ao máximo. O mesmo pode acontecer com uso de equipamentos, petiscos ou coleiras. Não é apenas com enforcador que o cachorro vai aprender a andar bonzinho ao seu lado. É com técnica e compreensão do comportamento dele. Equipamentos não fazem milagres. São apenas ferramentas para auxiliar na melhora do comportamento.

Eu já fui na casa de uma tutora que não queria oferecer petisco industrializado para as cachorras. Sem problemas! Busquei outra coisa que fosse uma recompensa tanto quanto desejada ao animal.

Quando devo adestrar meu cachorro?

E se eu contratar o adestrador do meu amigo?

Essa é uma pergunta muito difícil. Pode acontecer de ser o melhor profissional para seu estilo de vida ou pode ser que ele pareça ser, mas, na verdade, está apenas aplicando receitas de bolo.

Eu fui atender dois irmãos, vira-latas. Eles eram super amigos até o dia que o macho resolveu atacar a fêmea. Os tutores desesperados, buscaram na internet o profissional ideal. Encontraram um super famoso, adestrador de vários cachorros de celebridades e contrataram.

Sem nenhuma formação da área, o profissional apenas ensinou aos tutores a tomar atitudes quando a briga já estava acontecendo. Brigas, enforcadores, broncas e puxões foram as indicações do profissional. Um dia, em um passeio acompanhado pela tutora, o adestrador puxou tanto o enforcador que fez o cão desmaiar, sem ar.

Brigar, gritar e colocar cães de castigo só piora o comportamento

Angustiados perante aquela situação e vendo a piora no comportamento dos cães, me chamaram. Eu não sou nenhuma salvadora da pátria. Assim como eu, existem outros milhares de profissionais no mercado. O que eu fiz de diferente foi ensinar os tutores como não haver briga. Entendi a motivação das brigas, e passei um treinamento específico para o caso desses dois cães.

Mas, passado todo o treinamento com o antigo adestrador, agora o meu treinamento será bem mais lento e demorará a ter resultados efetivos. Enquanto isso, os cães irão se encontrar poucas vezes ao longo do dia, somente com supervisão. Uma pena!

Essa é só uma história entre as várias que já presenciei e ouvi. Uma decisão equivocada pode colocar em risco o bem-estar de toda uma família. Por isso, pesquise mais de um profissional. Questione e tire todas as suas dúvidas. Mas do que tudo, estamos aqui para lhe orientar.

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