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Esconder no pão, enrolar no presunto, enfiar pela goela são algumas das formas mais comuns de tentar oferecer remédio para cães e gatos. Mas será que existe um único método eficaz para todos?

Quem nunca teve problema na hora de dar comprimido para seu peludo?! Mesmo aqueles ditos palatáveis podem ser cuspidos diversas vezes pelos pets. Daí surgem as milhões de estratégias, que normalmente envolvem algum suborno/comida. Colocar o remédio na salsicha ou no miolo de pão parece ser a campeã de indicações.

Eu mesma já tentei uma infinidade dessas dicas. A Aurora, minha chihuahua, toma três cápsulas de remédio diariamente. Teste de estratégia é que não falta. A grande questão é todas as técnicas, normalmente, só funcionam por um período.

No começo, eu misturava a cápsula na alimentação úmida. Ela comia tudo e nem via a mediação. Depois de uns dias, passou a comer tudo e deixar a cápsula de lado. Então, tentei na alimentação natural. Fazia um bolinho em volta da cápsula e dava. Quando eu achei que tinha encontrado a solução maravilhosa, chegou o dia que não funcionou mais. Ela aprendeu a mastigar o bolinho e cuspir a cápsula.

No desespero, tentei de um tudo e apelei para enfiar na garganta mesmo. Agora, basta eu pegar o frasco do remédio, que ela trava a boca e não abre nem por decreto. Foi, então, que a veterinária indicou a manipulação da medicação em formato de biscoito para cachorro.

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Biscoito de remédio

Segundo a Dra Patricia Corazza da Upvet, a aceitação dos pets por biscoitos é de 80%. Isso porque envolve diversos fatores, como inapetência, tipo de doenças, e até o fato do animal não estar acostumado com petisco.

Porém, segundo a Patricia, mesmo se o animal não aceitar o biscoito, fica mais fácil de colocar dentro de uma carne. “Uma opção é esfarelar o biscoito na ração para garantir que ele coma tudo” explica.

Além do biscoito existem outras apresentações, como as suspensões e as pastas orais para gato. Basta você aplicar um pouquinho na pata dele, que irá lamber sem nem perceber. Há também o gel transdérmico, que pode ser colocado na pele, sem pelo e sem ferimento, do animal. Imagina nunca mais virar sashimi humano ou ser unhado por causa de um simples comprimido?!

Mas nem tudo são flores! Mesmo quando formuladas em biscoito, algumas medicações têm o gosto forte, que não conseguem ser totalmente mascarado. Como é o caso dos antibióticos. Uma hora ou outra, seu peludo vai perceber e parar de aceitar. Com gato é mais difícil ainda, pois eles podem simplesmente sacudir a pata, onde foi colocada a pasta, e não querer se lamber.

Há investimento no setor pet, mas nada que seja definitivo para todos os indivíduos, muito menos para sempre. A Aurora, por exemplo, estava aceitando super bem o biscoito saber bacon. Agora, só de sentir o cheiro já corre. Lá vou eu buscar um outro sabor/cheiro para tentar agradar a exigente pequena.

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Medo dos manipulados

Um dos grandes receios em comprar esses biscoitos é a real eficácia. Esse é um medo comum que as pessoas têm com todo tudo de medicação manipulada, seja para animais ou humanos. Todavia, a Dra Patrícia explica que há uma garantia de pesagem monitorada e laudo da matéria prima. Os quais podem ser solicitados pelo consumidor. “O cliente pode fazer essa solicitação, principalmente quando há uma diferença muito grande de preço entre as farmácias. Saber qual é o processo que garanta a eficácia é direito do consumidor” aponta.

Segundo Dra Patrícia, alguns princípios ativos tem um fator de correção. Nem todos chegam 100% puros e podem precisar de correção em relação à pedida solicitada pelo veterinário. Sem esse procedimento, pode haver sub-dosagem e o medicamento realmente não fazer efeito.

Diferentes valores

Quando vamos fazer uma cotação entre as farmácias, nos deparamos com uma variação muito elevada de preços. O que em uma costuma custar R$ 50,00, na outra pode chegar a mais que o dobro. Segundo a Dra Patrícia, isso pode ocorrer devido a um único fornecedor ter um determinado ativo e colocar o valor que desejar.

Para resolver isso, algumas farmácias de manipulação, compram ativos chineses. Todavia, o laudo da matéria prima vem em chinês e deve ser refeito aqui no Brasil, para garantir a qualidade de eficácia da medicação. Por isso é importante nem sempre se deixar levar apenas por preços baixos, principalmente quando o assunto é saúde.

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Como diminuir o estresse na hora de dar remédio?

Seja em cápsula, comprimido, pasta ou biscoito, pode haver o estresse na hora de dar o remédio. Não existe uma fórmula mágica. Cada animal é único. Tem quem aceite biscoito, outros aceitam suspensão e já outros salivam muito. Cabe a nós, tutores, observarmos qual apresentação e qual forma de oferecer estressa menos.

É possível treinar o animal a aceitar medicação. Ainda mais se for algo de longo prazo. Ensiná-lo a engolir o comprimido e oferecer um delicioso petisco ou passeio após, pode ser uma alternativa. Assim, ele irá associar que aquele gosto ruim da medicação com algo muito legal, como um passeio. Se você recebesse dez barras de chocolate após tomar injeção, talvez não achasse tão ruim ir ao médico. É o mesmo princípio com os animais.