Jonathan Golob/Creative Commons

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Outubro chegou e com ele a campanha em prol da prevenção e tratamento do câncer de mama. Os monumentos estão com cores rosadas, para apoiar este movimento. Mas não é apenas para humano. Cães e gatos não estão livres dessa terrível doença. Mas há diversas coisas a serem feitas para ficar longe deste problema.

Para diversos problemas clínicos, a prevenção ainda é a melhor solução. Para o câncer de mama, não é diferente. Nos Estados Unidos, por exemplo, há quase vinte anos, não é observado caso de tumores mamários em cadelas e gatas. Isso porque há uma política de castração antes do primeiro cio.

A médica veterinária oncologista Daniela Mungioli, explica que o tumor mamário é alimentado pelo hormônio ovariano. A partir do momento que é feita a castração, e retirados os ovários, não há mais secreção desse hormônio e consequentemente, acabam ou diminuem as chances de haver a proliferação de células cancerosas na região das mamas. “O tumor mamário é uma questão de herança genética, vinda dos pais, das células que podem gerar o câncer. Além disso, pensamos em qualidade de vida, ambiente e rotina, porém isso não é tão válido para o câncer de mama” esclarece Dra Daniela.

Apesar de muito ser falado sobre a influencia da alimentação no aparecimento de tumores, especificamente o de mama não há esta relação. Da mesma forma, não há uma ligação direta com poluição, sol, e fatores ambientais. Apenas uma base genética mesmo, assim como na mulher.

A prevenção!

maf04/Creative Commons

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A recomendação era que todas as cadelas fossem castradas antes do primeiro cio, pois só assim haveria a certeza do não aparecimento dos tumores mamários. “Sabe-se que para cadelas de raças de grande porte, como Golden, Bernese e Labrador, a castração antes do primeiro cio aumenta a chance de haver problemas ósseos, como a displasia coxo-femural” informa Dra Daniela. A castração, então é recomendada após o primeiro cio, mas antes do segundo. Quanto mais tempo demorar para fazer a castração, maiores serão as chances de haver o tumor mamário, por conta da liberação daquele hormônio ovariano.

Outra forma de auxiliar na prevenção de qualquer tipo de câncer, é utilizar suplementos alimentares que diminuam a quantidade de radicais livres no corpo. Por isso, ingerir substâncias antioxidantes, como Ômega 3, Vitamina C, Vitamina E, pode ajudar na prevenção. “Se o animal tiver uma alteração genética, um erro no gene P53, que é responsável por matar a célula cancerosa, não adianta fazer uma prevenção através da alimentação. Somente com a castração” indica Dra Daniela.

Cruzar evita tumor?

Franco Vannini/Creative Commons

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A Dra Daniela é veemente ao dizer que não: “Cadelas e gatas que tiveram um, quinze ou nenhum filhote têm a mesma chance de desenvolver os tumores mamários”. Por isso, se você pensa em cruzar sua fêmea, converse com o veterinário e marque a castração o quanto antes.

Por que tem tantos casos de câncer de mama?

O câncer de mama é uma doença senil. São anos de bombardeio hormonal que as glândulas mamárias sofrem, para, na segunda metade da vida, aparecerem os tumores. “Não há um aumento de casos de tumores mamário, mas sim da expectativa de vida dos animais. Antes, uma cadela vivia 9 ou 10 anos. Hoje, podem chegar até 20 anos de idade” conta Dra Daniela.

Mesmo assim, a principal pesquisa sobre câncer em cães e gatos, no Brasil, é sobre o câncer mamário. O que já não acontece nos Estados Unidos, por conta daquela política de castração. Por isso mesmo, é difícil falar sobre raças com maior propensão. Na clínica PetHelp, da Dra Daniela, os casos mais comuns são Lhasa Apso, Poodle e Maltês. Mas a veterinária alerta que isso não é uma estatística, apenas uma amostra da população de um bairro com predominância de prédios. “A predisposição da raça para tumores, depende muito da sua origem. O Golden Retriever brasileiro, por exemplo é o campeão de casos de tumores em diversos locais. Já nos Estados Unidos, o campeão é o Boxer” informa.

Como eu sei se minha cadela/gata está com câncer de mama?

Douglas Sprott/Creative Commons

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Assim como nas mulheres, há um exame que pode ser feito em casa. Coloque a cadela/gata deitada de lado ou de barriga para cima, de forma relaxada. Comece a fazer carinho na região da barriga. Com cuidado, apalpe as regiões de virilha e axila. Após, aperte levemente maminha por maminha.

Se encontrar qualquer carocinho ou mesmo um grãozinho de areia, leve ao médico veterinário. “Existem três tipos básicos de tumores mamários. Um deles é extremamente agressivo (carcinoma de mama inflamatório), pode gerar metástase em poucos meses, não aceita quimioterapia e leva rapidamente a óbito. Mas mesmo nos casos menos agressivos, o quanto antes iniciar o tratamento, melhor será a resposta” comenta Dra Daniela.

O tratamento, normalmente, envolve cirurgia, castração e retirada da cadeia mamária. Nem sempre há indicação de quimioterapia. Tudo irá depender do tipo do tumor e do seu estágio. O tipo de tumor mamário mais comum é o adeno-carcinoma de mama, que pode demorar até dois anos para ter metástase.

A tecnologia está cada vez mais avançada para entender as bases genéticas do tumor e como ataca-lo, mas ainda a tecnologia não é suficiente para antes da cirurgia.

Caso Natalie

Foto: Acervo Pessoal

Foto: Acervo Pessoal

A advogada Maria Helena Bueno acredita que o melhor seria, se pudesse haver um exame para ver a predisposição que o animal tem para ter alguns tipos de câncer. Adepta da homeopatia e medicina naturalista, optou por não castrar a sua Poodle, chamada Natalie.

A cadela foi presente para sua filha, quando ainda era criança. No final da década de 90, não haviam tantos estudos que demonstravam a necessidade da castração para a prevenção do câncer de mama. O que se falava na época, para prevenir esse tipo de câncer, era para cruzar a fêmea.

Mas a descoberta da doença não é fácil para ninguém. “Quando a Natalie tinha uns nove anos, mesmo após ter uma ninhada, observamos uma protuberância na barriguinha, próxima a uma mama. Levamos ao veterinário. Ele indicou a retirada da mama e a castração, mas, por conta da idade, ficamos com receio de fazer a cirurgia” relata a advogada.

Com a retirada deste primeiro tumor sem a castração, constatou-se que não era do tipo agressivo. Porém, anos mais tarde, voltou a aparecer outro tumor. Desta vez, foi necessária a retirada de todas as maminhas, para evitar o aparecimento de outros tumores. Felizmente não houve metástase. A Natalie viveu muito feliz até seus 13 anos. A causa da morte foi problemas cardíacos, nada vinculado ao câncer de anos antes.

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo pessoal

Hoje, passados muitos anos, Maria Helena é adepta da castração, mas gostaria que cirurgias não fossem necessárias para evitar doenças. Ela relembra o quão difícil foram os pós-operatórios das cirurgias para retirar o primeiro tumor e, depois, a cadeia mamária. “Quando temos um animal, precisamos cuidar dele, e oferecer sempre o melhor tratamento, para que ele sofra menos” desabafa.

Se você ainda tem dúvidas, converse com o médico veterinário. Ele é o melhor profissional para responder todo, e qualquer, questionamento sobre a saúde do seu peludo.