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No mês em que o câncer de mama é alvo da campanha de conscientização e incentivo à prevenção da doença em mulheres, abre-se uma boa oportunidade para chamar a atenção com relação à incidência em cadelas e gatas. Assim como em humanos, a rapidez no diagnóstico é fator determinante para possibilitar eficácia no tratamento e proporcionar longevidade ao seu pet.

Atualmente o câncer de mama é a doença mais comum entre as mulheres, chegando a cerca de 25% de novos casos todos os anos, segundo ao INCA (Instituto Nacional de Câncer). Mas o que nem todo mundo sabe é que a incidência da doença está maior em cadelas do que em humanas.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a doença é muito comum nos pets e atinge cerca de 45% das fêmeas caninas e 30% das felinas, sendo que em 85% dos casos os nódulos descobertos podem ser malignos. Os dados também revelam que a incidência de tumores malignos é maior em gatos.

Apesar de ser comum nas fêmeas, por conta da produção de hormônios como estrógeno e progesterona, o câncer de mama também atinge cachorros e gatos machos, por isso a prevenção deve ser feita em ambos os sexos. Além disso, não existe pré-disposição racial, portando qualquer pet pode ser alvo da doença.

Atrelada muitas vezes a gravidez psicológica, essa disfunção hormonal que ocorre nas cadelas é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Para as mulheres, aconselha-se fazer, frequentemente, o autoexame para detectar qualquer tipo de alteração e recorrer ao oncologista o quanto antes. No caso das fêmeas caninas e felinas, o tutor deve sempre estar atento, conhecer seu animalzinho e aproveitar as brincadeiras para acariciá-las e examiná-las. Ao sinal de qualquer nódulo, leve-a imediatamente ao médico-veterinário.

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Prevenção

É fato que a castração ainda é o principal método para diminuir a incidência de câncer de mama em cadelas e gatas. “Os tumores de mama estão intimamente ligados à presença dos hormônios estrogênio e progesterona. Portanto, a melhor forma de prevenir o câncer de mama, sem dúvida, é a castração. Uma cadela castrada antes do primeiro cio tem menos de 1% de chance de ter câncer mamário”, afirma a médica-veterinária Maria Cristina Timponi, presidente da Comissão de Entidades Regionais Veterinárias do Estado de São Paulo, ligada ao CRMV-SP.

Nas raças de grande porte, como labrador e golden retriever, e de porte gigante, como dogue alemão, fila brasileiro e mastiff inglês, por exemplo, Maria Cristina indica a castração após o primeiro cio – por volta dos 10 ou 11 meses –, porque nesta fase eles estarão com o organismo totalmente formado, isso porque os hormônios ajudam no desenvolvimento do corpo e dos órgãos genitais. Já para os de pequeno porte a melhor indicação é a castração antes do primeiro cio, em torno de cinco a seis meses. “O que faz com que aumente a incidência de tumor de mama é a ação dos hormônios nos diversos cios que a cadela vai ter”, enfatiza.

As fêmeas castradas mais tardiamente precisam passar por exames periódicos e devem ser observadas com atenção. “Antigamente, castrava-se muito menos. Durante a minha carreira, vi muitos casos de tumor de mama. Hoje, em relação há 20 anos, a incidência é muito menor, pois as cadelas e gatas são mais precocemente castradas”, explica Maria Cristina.

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Visitas ao médico-veterinário

Outro fator de extrema importância para a prevenção é o exame clínico. Segundo Maria Cristina Timponi, o ideal é que as visitas ao médico-veterinário para os animais idosos – sete anos para os de grande porte e nove para os de pequeno porte –, passem a ser semestrais. O tutor precisa ser orientado pelo médico-veterinário e ficar, constantemente, atento à saúde do seu animal.

Fatores de risco

De acordo com o especialista em Oncologia Veterinária, Rodrigo Ubukata, o câncer é uma doença multifatorial, ou seja, não existe apenas um agente causador. A genética e a herança familiar são importantes, mas fatores como poluição, cigarros, radiação solar, obesidade, uso de anticoncepcionais, sedentarismo, inseticidas, entre outros, também contribuem para desencadear a doença.

Segundo a médica veterinária Luana Sartori, veterinária da Nutrire, as causas do câncer de mama em cadelas e gatas estão relacionadas com o uso de anticoncepcionais, com a obesidade e também com uma alimentação não balanceada.

A médica-veterinária Maria Cristina Timponi lembra ainda que a ação hormonal é que define o câncer de mama, mas existe a pré-disposição racial, por exemplo, poodle, cocker, rotweiller e dobermann têm maior probabilidade de desenvolver a doença.

Maria Cristina alerta, ainda, para uma prática que aumenta em 80% a incidência de câncer mamário em gatas: a aplicação de anticoncepcional injetável. “Esse é o maior causador de tumor de mama nas fêmeas felinas atualmente. Ao invés de castrar, as pessoas ficam aplicando o anticoncepcional a cada quatro meses. Quando esse animal chegar aos sete ou oito anos, com certeza vai desenvolver câncer mamário” enfatiza.

Diagnóstico tardio

O diagnóstico do câncer de mama é feito através de inúmeros exames, como raio-x do tórax, ultrassonografia do abdômen, exame de sangue e de toque. Entre seus principais sintomas estão inchaços, aumentos, caroços na região das mamas ou próximo a elas, dores e também a presença de secreções.

Quase 20% dos tumores nas fêmeas são diagnosticados muito tarde, o que prejudica as chances de sobrevivência. “É por esse motivo que a visita constante ao veterinário é tão fundamental para a vida desses bichinhos. Somente o check-up feito regularmente pode detectar o problema mais cedo e garantir a chance de um tratamento mais eficiente”, revela Sartori.

Tratamento

Independentemente do tamanho do tumor, que pode ser o de uma ervilha ou até de uma laranja, o tratamento é sempre cirúrgico. “Nos últimos anos, a Oncologia Veterinária brasileira teve um grande desenvolvimento. Além de aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas antes inimagináveis, temos acesso a um maior arsenal de tratamentos quimioterápicos, terapias de alvo molecular, imunoterapias e, finalmente, a radioterapia”, afirma Rodrigo Ubukata.

Maria Cristina Timponi lembra que não há motivo para desespero, é preciso tirar esse estigma de que tumor de mama é sinônimo de morte. “Se for identificado com rapidez e o mais cedo possível for feita a retirada cirúrgica e o tratamento adequado, há cura. Os animais são fortes, eles se recuperam bem e respondem ao tratamento melhor que os humanos.”

Dicas para prevenir o câncer de mama e garantir a longevidade de seu pet

– Palpar e acariciar seu animal frequentemente para identificar nódulos. Encontrando alguma alteração, leve-o imediatamente ao médico-veterinário;

– Fique atento com emagrecimentos acentuados e sem motivo; sangramentos inexplicáveis; dificuldade em mastigar ou deglutir; odores incomuns; feridas que não cicatrizam; dificuldades para respirar, urinar ou evacuar; e nódulos pelo corpo;

– Peça orientação ao seu médico-veterinário para castrar sua fêmea o mais cedo possível, especialmente se não houver interesse na procriação;

– Leve seu pet regularmente ao médico-veterinário para exames clínicos.