cachorro vestido de piloto

Cães vindo de países com casos de raiva não poderão entrar nos EUA – DaPuglet/Creative Commons

Uma lei provisória sancionada pelo governo americano proíbe a entrada de cães vindos de diversos países. Dentre eles está o Brasil. O critério se baseia em regiões que não estão livres do vírus da raiva. Outros países da América do Sul e Central são Bolívia, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Nicarágua, Peru, Suriname e Venezuela. A nossa vizinha Argentina, por exemplo, não entra na lista dos países proibidos, já que é uma região livre da raiva.

Em 2019, algumas empresas aéreas descontinuaram o transporte de cães de suporte emocional dentro da cabine das aeronaves. Depois, já durante a pandemia de COVID-19, os cães foram proibidos de viajar a bordo, junto com seus tutores, mesmo aqueles de pequeno porte. Agora, mesmo se transportados no compartimento de carga viva, os cães vindos do Brasil não poderão mais entrar nos EUA.

A regra é válida para cães pet, de suporte emocional e até cães guia, que estejam entrando nos EUA. Só estão liberados cães que saíram dos EUA por um curto período e retornarão para sua casa em território americano. Mas há inúmeras regras que devem ser seguidas.

Entrei em contato com a embaixada do EUA no Brasil e questionei sobre a motivação de tal regra. Fui redirecionada para o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), equivalente ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) no Brasil.

Segue a nota de esclarecimento:

“Em 14 de junho de 2021, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) divulgaram o “Aviso de Suspensão Temporária de Cães que Entram nos Estados Unidos de Países de Raiva de Alto Risco”. Por meio deste, o CDC está informando ao público que, a partir de 14 de julho de 2021, está suspendendo temporariamente a importação de cães de países classificados pelo CDC como de alto risco para raiva canina.

Esta ação temporária é necessária para garantir a saúde e segurança dos cães importados para os Estados Unidos e para proteger a saúde pública contra a reintrodução da variante do vírus da raiva canina nos Estados Unidos.

Em 2020, o CDC identificou um aumento significativo em comparação com os 2 anos anteriores no número de cães importados que tiveram sua entrada negada nos Estados Unidos de países de alto risco. Devido aos horários de voos reduzidos, os cães cuja entrada é negada enfrentam tempos de espera mais longos para serem devolvidos ao país de partida, levando a doenças e até mesmo à morte em alguns casos.

O CDC estima que 6% de todos os cães importados para os Estados Unidos chegam de países com alto risco de raiva canina. Os cães vacinados inadequadamente não estão protegidos contra a raiva e são uma ameaça à saúde pública. A raiva é fatal para humanos e animais, e a importação de até mesmo um cão raivoso pode resultar na transmissão para humanos, animais de estimação e animais selvagens. A raiva canina está eliminada dos Estados Unidos desde 2007. Esta suspensão protegerá a saúde e a segurança dos cães importados, evitando a importação de cães vacinados inadequadamente contra a raiva e protegerá a saúde pública contra a reintrodução da raiva canina.”

cachorro no avião

Vacinar cachorro contra raiva é um ato a favor da saúde pública – Can Do Canines/Creative Commons

Ou seja, devido ao fato de muitos cães no Brasil ainda não tomarem vacina contra a raiva, não conseguimos controlar a disseminação do vírus. Não é pelo simples fato de cães brasileiros não poderem entrar nos Estados Unidos, mas uma proibição devido a falta de dedicação e conscientização de tutores para vacinar seus animais.

Tanto tem se falado sobre a importância da vacinação, mas por conta da pandemia de COVID-19, diversos tutores postergaram a vacinação dos seus cães. Será que poderemos enfrentar surtos de doenças, que já estavam quase erradicadas, por uma onda de radicalismo anti-vacina? Cada vez mais vemos casos de raiva, cinomose e rinotraqueite. Doenças que poderiam ser facilmente evitadas com a vacinação.

Não poder viajar para os EUA e levar seu cachorro pode (e é) algo supérfluo, mas traz a tona um assunto muito mais preocupante. Vacine seu pet anualmente. Procure o médico veterinário. É um caso de saúde animal, mas acima e tudo, saúde pública.