cachorro velho

Cães a partir dos 8 anos são idosos – Chris Neal/Creative Commons

Se tem uma situação que estou enfrentando aqui em casa e está deixando meu coração em pedaços é ter pets idosos. Tanto minha cachorra, Aurora, quanto meu gato, Félix, estão com 13 anos. Com essa idade, tanto cães, quanto gatos, são considerados idosos e precisam de cuidados especiais. Isso inclui idas mais frequentes ao médico-veterinário.

A estimativa média de vida canina varia de acordo com a raça e outros fatores. Normalmente, quanto maior o porte do cão, menor é a expectativa de longevidade. Já a Aurora, minha chihuahua de 2,5 kg, espera-se que dure uns 50 anos. Brincadeira! A expectativa de vida é de 16 anos, podendo chegar a mais (assim espero!).

O problema é que exatamente nesta fase de idade mais avançada os pets ficam mais vulneráveis à disfunção cognitiva canina (DCC). Observando o comportamento da Aurora, já vemos mudanças, inclusive de memória e dificuldade de aprendizado.

A prevalência de DCC varia de 14 a 35% em cães com mais de oito anos de idade. O risco de desenvolver a doença aumenta exponencialmente com a progressão da idade, estilo de vida e genética.

Como saber se meu cachorro tem Alzheimer

A DCC é vulgarmente conhecida como Alzheimer canino. As alterações comportamentais caracterizadas pela perda da função cognitiva incluem:

  • desorientação: o cachorro parece perdido, mesmo em ambientes conhecidos. Alguns ficam “presos” nos cantos das paredes.
  • alteração da interação social: parece que ele não tem mais interesse em se relacionar com outros cães e até pessoas.
  • eliminação de fezes e urina em locais não habituais: como ele se perde pela casa, fica mais difícil chegar até o local certo.
  • mudanças no ciclo de sono-vigília: pode acontecer de trocar o dia pela noite (dormir de dia e ficar acordado durante a noite) ou dormir demais.
  • redução na função de memória e habilidades de aprendizagem: aqueles comportamento que ele conhecia, como senta, fica, vem, etc, passa a não mais responder. Se tentamos ensinar algo novo, ele demora a aprender e esquece com facilidade.
  • aumento da vocalização: alguns cães passam a latir mais ou mesmo chorar. Principalmente quando se sentem “perdidos” em casa.
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Xixi no lugar errado pode ser sinal de DCC – BobMacInnes/Creative Commons

Como tratar o Alzheimer canino

Infelizmente não há cura, apenas tratamento para evitar os avanços da doença.

O tratamento consiste na atuação do retardo para frear os avanços das lesões neuronais e morte celular. Para minimizar os sintomas observados, a terapia inclui medicamentos, dieta e suplementos que podem ser usados isoladamente ou concomitantemente para melhorar a neurotransmissão e reduzir o dano oxidativo e a inflamação.

A medicação aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e atua diretamente contra o processo neurodegenerativo, melhorando as funções cognitivas e reduzindo as alterações comportamentais do animal senil. “A disfunção cognitiva canina é uma doença neurodegenerativa, que acomete animais idosos e normalmente é subdiagnosticada nos estágios iniciais da doença. As manifestações clínicas inespecíficas e a ausência de marcadores específicos, dificultam o diagnóstico precoce, e geralmente os tutores buscam a avaliação clínica somente em estágios avançados da doença, explica Marco Dalalio, diretor da Agener União.

Existem inúmeras opções para o tratamento da DCC, e algumas necessitam de mais pesquisas para esclarecer sua eficácia. No entanto, os profissionais entendem que a melhor opção de tratamento conhecida atualmente é a combinação da terapia medicamentosa, terapia nutricional e principalmente, um programa de enriquecimento ambiental para melhorar a qualidade de vida nesses pacientes.

Enriquecimento Ambiental para idosos

Mesmo para aqueles cães mais preguiçosos, que adoram dormir, é importante levarmos novidades para a sua rotina. Da mesma forma que damos palavras cruzadas para idosos humanos, devemos oferecer atividades que desafiem a parte cognitiva do cão. Oferecer alimentação em dispositivos é apenas uma das opções. Também podemos mudar móveis de lugar, colocar barreiras para ele transpor e adicionar cheiros pela casa.

O que não podemos fazer é simplesmente observar o pet envelhecer e não agir. Quanto mais qualidade de vida oferecermos para ele, mais ele irá viver e manterá seu bem-estar elevado. É principalmente nessa fase da vida que eles mais precisam de nós, tutores.