gato na caixa de areia

Cada tipo de substrato deve ter um cuidado difererente – Finn Frode/Creative Commons

Sílica, madeira, argila e mandioca são alguns dos componentes de substratos sanitários para gatos. Alguns estão na moda. Mas qual será o melhor material para usar como areia?

Sílica

Existe a sílica sintética e a natural. Ambas têm a mesma função: absorver líquidos. Algumas marcas usam aquela mesma sílica que vem em pote de medicamento ou dentro de bolsa, sabe. Aquele saquinho para absorver a umidade, sabe?!

Esse é um material que os humanos costumam gostar muito, pois só necessita retirar as fezes, já que a urina é totalmente absorvida pelo material.

O grande problema da sílica é exatamente o fato dela absorver os líquidos. Assim, a urina se mantém na caixa sanitário, bem como seu cheiro. Por mais que para nós esteja com cara de limpo, para o gato, a areia permanece com cheiro de xixi e suja. Isso pode facilitar casos de xixi e cocô fora do lugar. Isso porque o gato odeia usar um banheiro sujo. Assim como nós.

Outra reclamação por parte dos tutores é a potencial toxicidade da poeira da sílica. Algumas opções de sílica vendidas no mercado liberam uma poeira, enquanto o material está sendo despejado na caixa sanitária. Essa suspensão pode causar problemas oftalmológicos e respiratórios nos gatos.

Madeira

A queridinha de muitos tutores de gatos, os pellets (os pedacinhos) de madeira de desfazem em contato com a urina. Inclusive já tem algumas caixas sanitárias exclusivas para esse tipo de substrato. Sobre a caixa, há uma peneira, onde é colocada a madeira. Assim, basta mexer essa peneira, que todo o material esfarelado pela urina ficará depositado no compartimento inferior. Depois, basta recolher as fezes que ficaram na madeira e está tudo limpo.

Todo material tem um porém. O da madeira é algo difícil de explicar para os amantes do material. Apesar de parecer super prático, ele não facilita o comportamento natural dos gatos. Após entrar na caixa de areia, o gato dá uma volta em torno do próprio eixo, cava, faz suas necessidades, enterra, cheira o local e sai. O fato de serem pedaços de madeira dificulta o comportamento de enterrar e tapar completamente os dejetos. Assim, alguns gatos podem ficar estressados por não conseguir cavar adequadamente e enterrar tudo como gostariam.

Além disso, o tamanho do pellet está muito longe de ser o favorito do gato, que prefere os mais finos e confortáveis para pisar. O que não é o caso com o substrato de madeira.

Bentonita

Existem diversas marcas no mercado que produzem granulado sanitário a partir da argila de bentonita. Com diversos preços e granulaturas, esse é substrato mais vendido no Brasil. Porém, há uma diferença muito, mas muito grande entre os diversos produtos de bentonita.

Algumas pessoas não gostam desse substrato por dizerem ficar um depósito de argila bem úmida no fundo da caixa, dificultando a limpeza. De fato isso pode acontecer, caso o tutor não siga a recomendação do fabricante, para colocar pelo menos 7 cm de areia na caixa. Só assim a bentonita é capaz de absorver 100% do líquido e formar torrão. Para limpeza, basta retirar o torrão de xixi e as fezes com uma pá.

O grande problema desse material se refere à granulatura, ou seja, o tamanho dos grãos. Quanto maior o grão, mais incômodo para o gato pisar e menor o poder de absorção. Apesar de serem os mais baratos, não vale a pena o busto-benefíco. Sugiro investir um pouco mais e comprar uma areia fininha, com alto poder de absorção, que irá durar muito mais.

Outra questão comum é a utilização de odorizadores nos produtos de bentonita. O olfato do gato é extremamente apurado. Assim, os perfumes adicionados em muitas das areias acabam agredindo o olfato, podendo ser uma das causas do gato evitar usar a caixa de areia. Mas já exite no mercado areias com odor suave e que rapidamente volatiliza. Lembrando que a adição de perfume é para agradar o tutor e não o gato.

Quanto maior o poder de absorção da areia, mais firme o torrão, menor será o odor deixado na caixa. Mais feliz ficarão gatos e tutores. Por isso, vale a pena investir em produtos de melhor qualidade.

Materiais naturais

Depois da moda de colocar farinha de mandioca para aumentar o rendimento da areia (isso é muito errado, tá?!), chegou ao mercado areia com base de mandioca.

Porém, há uma diferença absurda entre usar a farinha de mandioca e usar a areia feita de mandioca. A farinha não foi preparada para o uso do gato, mas sim para o consumo humano. Se usada, a farinha pode causar diversos problemas de saúde, como infecção urinário, obstrução urinária, problemas respiratórios e até gastrointestinais, se o pet comer a farinha.

A areia feita de farinha possui todo um tratamento para aglutinar e formar torrão, não ser atrativo para ingestão e não ser tóxico. Por ser um material natural, algumas pessoas acreditam poder jogar no vaso sanitário e diminuir a geração de lixo. Todavia, nem todos os encanamentos de casas e apartamentos conseguem ter vasão suficiente para isso. Assim, o indicado é continuar descartando a areia no lixo comum.

Qual o problema dessa areia? Algumas marcar liberam muito pó, tanto na hora de despejar a areia na caixa, quanto quando o animal vai cavar e enterrar seus dejetos. Isso pode facilitar alergias e problemas respiratórios.

Qual a areia perfeita para o gato?

Não existe! Quem vai decidir o melhor substrato é o gato. Por isso, sugiro você fazer um teste de preferência. Coloque pelo menos três caixas sanitárias, cada uma com um substrato diferente. Veja qual será mais usada pelo gato. Essa será a preferida dele.

Os meus gatos preferem a areia de bentonita fina. Mas eu já testei de um tudo até chegar em uma específica. Faça o teste aí na sua casa e veja o que seus gatos mais gostam.

caixa de areia suja

A limpeza diária da caixa é muito importante para evitar cheiro – Clint Hanson/Creative Commons

Cheiro ruim na caixa de areia

Uma das principais queixas dos tutores em relação às areias é o cheiro. Eu achava que isso era frescura e falta de limpeza adequada. Mas em um dos testes de preferência que eu fiz com meus gatos, coloquei três substratos diferentes: bentonita fina, areia de mandioca e cana, bentonita extra-fina. Mesmo fazendo a limpeza igual em todas as caixas, houve uma diferença nítida de cheiro entre elas. Quanto maior o poder de aglutinação do substrato, menor a chance de permanecerem resíduos de urina e fezes na caixa.

A bentonita fina aglutinada super bem, mas alguns grãozinhos se desprendiam no torrão, enquanto eu fazia a limpeza, e voltavam para a caixa. Por isso, essa foi a que ficava com cheiro mais forte em menor tempo de uso. Com uns 15 dias já era necessário fazer a troca completa da areia.

A areia de mandioca e cana teve muito menos cheiro que a anterior. Muito mesmo! Porém, rendeu pouco, pois o seu poder de aglutinação era grande e logo eu precisava completar a caixa com mais areia. Se eu não completasse, o gato faria xixi mais próximo ao fundo da caixa e o torrão grudaria na caixa, dificultando muito a remoção. Eu tinha um certo preconceito com esse tipo de areia, com medo que levantasse muito pó. Mas descobri que a de bentonita fina levantava mais pó que essa.

A areia de bentonita extra-fina foi a mais querida pelos gatos e por mim. Apesar do alto poder de aglutinação, a areia rende, sem deixar cheiro. Mas vale a pena deixar claro que eu faço limpeza, retirando os torrões e fezes, duas vezes ao dia. Talvez, se fizer com menor frequência haja cheiro forte, como em qualquer areia. E isso acontece não pelo fato da areia ter má qualidade, mas por, ao cavar a areia suja, o gato encontra torrões de xixi já formados e pode quebra-los, liberando grãos “sujos” na caixa, que não serão capturados pela pá, deixando cheiro de urina.

Por isso, mais uma vez, não há areia perfeita, que não deixa cheiro. Além do substrato, é muito importante seguir a recomendação do fabricante na quantidade de substrato e frequência de limpeza da areia, da caixa e da troca de areia. Tudo isso para não ficar cheiro e aumentar a qualidade de vida do seu gato.

Caixa de areia ao lado da máquina de lavar

Prestar atenção no tamanho e localização da caixa é muito importante – Wink88/Creative Commons

Principais erros

Os erros vão além do tipo de substrato. O tamanho da caixa e localização dela podem influenciar muito mais. Imagina que o gato grande precisa executar seu comportamento sanitário em uma caixa que ele não consegue dar uma volta em torno do seu próprio eixo. Talvez ele prefira fazer no chão por ser mais confortável.

O mesmo pode acontecer se a caixa estiver ao lado da máquina de lavar e ela estiver ligada, fazendo um super barulho. O gato pode preferir usar o ralo do box, por exemplo.

Toda vez que o gato faz xixi fora, tenha certeza que um problema tem. Mesmo que ele faça no ralo e você não ache isso um problema, ele não está executando seu comportamento natural. E isso, sim, é um grande problema para o bem-estar do bichano. Observe toda sua rotina e materiais usados. Se mesmo assim não entender onde está o problema, busque o médico veterinário especialista em felinos e um profissional do comportamento.