Ao menos 70% de nosso planeta são cobertos pelos oceanos. O Aquário da Geórgia é uma amostra desse universo submerso, reproduzindo as dinâmicas e ecossistemas encontrados na natureza, com o grande objetivo do auxílio na conscientização do público para a preservação dos habitats marinhos.

Apesar de muitas pessoas serem contra aquários e zoológicos, eles têm muitas funções importantes. O resgate, cuidado e devolução de animais feridos ou com problemas, por exemplo. Mas, sem dúvidas, o mais fundamental passa pela educação ambiental. Poder ensinar adultos e crianças a preservar o ambiente natural e as espécies que lá vivem é a melhor forma de garantir a continuação do nosso planeta e seus habitantes.

Todavia, manter animais silvestres sob cuidado humano não é algo simples. Requer muito conhecimento e dedicação por parte da instituição. No Brasil e no mundo já existem diversos zoológicos e aquários que estão em acordo com a normas mais recentes, bem como preocupados com o bem-estar dos animais cativos.

Já passou a época em que os animais eram caçados na natureza e colocados para exposição. Hoje, a maior parte dos animais cativos estão lá por um motivo sério. Sem poder ser reintroduzido na natureza, passam por tratamento e manejo que adequem os comportamentos naturais ao recinto.

Não fui até o aquário da Geórgia para conferir de perto o que acontece por lá, mas fui em outras instituições dos Estados Unidos, para entender como eles tratam os animais.

Zoológico de Miami

Com mais de quarenta anos de funcionamento, o Zoo Miami é uma inspiração no quesito educação ambiental. Há um departamento dedicado exclusivamente para o desenvolvimento de ações, atividades, interações e informativos sobre os animais e seus habitats. Tudo isso para que o visitante saia com a maior informação possível, com o menor impacto e estresse ao animal.

Foto: Miami Zoo

Mais do que uma diversão, o Zoo propicia a interação com diversas espécies, sempre regadas a conhecimento e formas de preservação. Mas, se por ventura, algum animal não quiser participar desta atividade, não tem problema. No dia que eu fui, por exemplo, o rinoceronte não quis ser alimentado por mim. Preferiu ficar deitado embaixo de uma árvore. A vontade dele foi extremamente respeitada, enquanto eu fui informada sobre o comportamento da espécie.

Foto: Zoo Miami

Da mesma forma, não pude ver alguns animais. Eles têm livre acesso a área de cambeamento (uma área menor ligada ao recinto, que serve de abrigo e facilita o manejo). Assim, se não quiserem ser vistos, podem ficar confortáveis e longe do público. Mas a maioria dos animais sociais adoram a interação com os visitantes.

Em diversos recintos que visitei, pude observar muitos objetos utilizados para enriquecimento ambiental. Porém, fui informada que muitos visitantes ainda questionam sobre o “lixo” no ambiente do animal. Dar atividades que propiciem o comportamento natural de cada espécie é o mínimo esperado das instituições.

Busch Gardens

Uma das formas de enriquecer o ambiente é através dos treinamentos. Além de facilitar a manipulação dos veterinários, os animais podem desenvolver, ao longo de toda vida, sua cognição.

No Busch Gardens, localizado em Tampa, na Flórida, pude acompanhar uma sessão de treinamento de um gorila. Para o animal era uma brincadeira regada de comidas deliciosas. Para o público, um delírio de poder ver tão perto um grande primata executando comandos fofos. E mais que tudo, uma oportunidade de aprendizado para os visitantes sobre a espécie e seu habitat.

Apesar de ser famoso pelas grandes e radicais montanhas russas, o parque oferece um cronograma extenso de interação com treinadores alimentando e explicando sobre diversos animais. Pude acompanhar, por exemplo, a corrida de um guepardo atrás da sua presa. E conhecer todo trabalho de preservação feito em alguns países africanos contra a caça predatória do animal.

Sea World

Só de ler este nome, muitas pessoas sentem calafrios. Mas calma! Há muitos mitos e lendas por trás de um trabalho sério.

Mais do que um aquário ou um parque de diversões, o Sea World de Orlando é um ponto de resgate, tratamento e preservação de espécies marinhas. Com dois caminhões adaptados para transporte de animais resgatados e mais três barcos para suporte, a equipe do Sea World trabalha 21h por dia (só folga das três às seis da manhã) para atender todos os chamados dos Estados Unidos.

Se houver necessidade, o animal é levado para a área de tratamento, que fica nos bastidores do Sea Word. Pude visitar esta área. Conheci duas tartarugas marinhas. Ambas com problemas de flutuação. Sem chance de serem reintroduzidas, recebiam o melhor tratamento até que o governo americano decidisse qual o destino delas. Se ficariam na própria instituição ou iriam para outra. Todos os animais que ficam no Sea World têm permissão do governo.

Outro animal que conheci foi um filhote órfão de peixe boi. Ainda em fase de desmame, o animal estava sendo preparado para aprender a comer sozinho. Seu destino será retornar o mar em breve.

Segundo o diretor executivo Rob Yordi, não é interesse do Sea World que os animais permaneçam ali. “Antes de ser um parque nos anos 70, o Sea World era um grupo de resgate e pesquisa de animais marinhos. O nosso ideal é poder devolver todos os animais para vida livre. Mas, como isso não é possível para todos, quando solicitados pelo governo, mantemos o animal conosco” explica.

Foi muito importante conversar com veterinários, biólogos, treinadores e toda equipe do parque. Pude ver o amor deles pelos animais e pela preservação do planeta. Eles inclusive apoiam um projeto de conservação de abelhas em áreas próximas. Não é só com os animais marinhos que a instituição se preocupa. São oito bilhões de dólares anuais investidos em projetos de conservação em todo planeta.

O Aquário

A partir de sábado, 28 de setembro, às 19h40, o Animal Planet exibe a série O Aquário (The Aquarium) e com ela revela os bastidores da administração desse aquário, imerso em quase quarenta milhões de litros de água e habitado por mais de 600 espécies – entre peixes, pássaros, moluscos, corais, répteis e mamíferos.

O Aquário da Geórgia é o maior do Ocidente – uma estrutura que é utilizada para o compartilhamento de conhecimento sobre a vida marinha, não apenas com o público, mas com organizações dedicadas às fauna e flora marinhas, em constante contato com iniciativas diversas de pesquisa e preservação.

Em O Aquário, o espectador conhecerá as pessoas que trabalham ali, viabilizando o funcionamento e os diversos projetos dos quais a organização faz parte. As câmeras estarão atentas a todos os detalhes – das tarefas corriqueiras às emergências que fazem parte do dia-a-dia.

O espectador conhecerá a logística, as alegrias e dramas que fazem parte da rotina desses profissionais, seja dentro das instalações do aquário, ou também nas missões externas, quando eles visitam organizações que compartilham do mesmo interesse maior: preservação do ambiente marinho e de todas as espécies que dele dependem.

No primeiro episódio, Tank, a tartaruga marinha com idade em torno dos 35 anos, está prestes a ganhar novos aposentos. Ela chegou ao aquário após ser resgatada com ferimentos graves em virtude de um ataque de tubarão. Além disso, Dennis Christen viaja à África do Sul para uma missão junto a uma organização sul-africana que resgata e reabilita pinguins para depois devolvê-los à natureza – são mais de 2,5 mil aves atendidas por ano.

Então, quando falarem de zoológico e aquários procure conhecer além dos animais expostos lá. Mas todo o trabalho de resgate, reabilitação e educação. Visitar instituições sérias pode ajudar em projetos de conservação no mundo todo.