cachorro deitado brincando

Todos os animais merecem um lar! – praline3001/Creative Commons

Ainda há diversas redes de pet shops mantendo as feiras de adoção aos finais de semana. Mas, na grande maioria das vezes, o custo e o estresse do deslocamento não vale a pena. Assim, a internet se tornou uma ótima oportunidade para unir peludos e humanos.

Quando comparamos cães com gatos, ainda há uma discrepância na procura. Segundo Raquel Facuri, diretora de marketing da AMPARA Animal, A preferência nacional continua sendo cães. Porém há um aumento na procura da adoção de gatos devido às condições de trabalho e moradia dos tutores. “Pessoas que passam muitas horas fora de casa e moram em espaços pequenos acabam optando pela adoção de um gatinho” aponta Raquel. Camila C Zanchetta, presidente do Projeto Encontrei um Amigo concorda e complementa: “Temos menos gatos para adoção, mas doamos mais rápido que cães”.

Camila conta que o que pode dificultar a adoção são alguns mitos. Um dos maiores mitos é que para se adotar um cão para apartamento ele precisa ser pequeno. O mais importante na hora da adoção é a personalidade do animal e se encaixar na rotina da casa.

Outro mito é de que animais mais velhos não se adaptam com a casa e a família. Animais adultos se adaptam e aprendem como um filhote. Com paciência e educação aprendem as regras da casa, fazer as necessidades no lugar certo e se apegam aos donos da mesma maneira.

Segundo a médica veterinária, diretora técnica do Fórum Nacional de proteção e defesa animal, Vânia Plaza Nunes, as pessoas acreditam que quando vão adotar um cachorro ou gato do jeito, do tamanho, da cor e do temperamento que elas querem. Um outro mito é achar que só tem vira-lata para adotar.

cabelo de cachorro passeando

Adotar é um ato de amor – Sheila Sund/Creative Commons

Como é feita a adoção de animais?

Tudo começa antes de buscar pelo peludo. O adotante deve avaliar algumas questões para que adoção aconteça de forma tranquila.

Algumas questões devem ser levadas em consideração:

  • Por que resolveu adotar?
  • Todas as pessoas estão de acordo,
  • se a casa é alugada, aceita animais?
  • a família tem condições de cuidar do animal?
  • o que vai fazer com o animal quando for viajar?
  • a casa é segura para que ele não fuja?
  • tem condições de levar ao veterinário e dar um cuidado adequado?

As ONGs costumam ser bastante criteriosas na hora da entrevista e solicitações de um mínimo de segurança e cuidados com o animal.

Camila relata que no processo do Projeto, procura-se saber se o adotante está ciente de toda a responsabilidade, cuidados e gastos que terá com o animal. “Avaliamos cada caso para o perfil do cachorro que a pessoa quer adotar” conta.

Outro critério usado pela Dra Vânia é não doar animais para casas que tenham crianças com menos de 5 anos. Tudo isso para evitar que o animal sofra de alguma forma.

Para quem ainda está em dúvida sobre adotar ou não, Raquel tem uma dica: “Se coloque no lugar do animal. Eu gostaria de ficar fechado em casa, sem atenção, sem alimentação adequada, sem me divertir nos passeios?  Entenda que os animais são nossos filhos e precisam do nosso carinho, atenção e de cuidados diários”.

Mas fique atendo! Segundo Dra Vânia, o ideal é que o animal para ser doado esteja castrado, vacinado, vermifugado e em bom estado comportamental. “O mais importante é que o tutor esteja pronto para a adoção. não só o animal para o tutor” confessa.

homem com cachorro no colo

Algumas questões devem ser levadas em consideração antes de adotar – Tony Alter/Creative Commons

Como encontrar eventos de adoção ou animais para adotar?

Raquel conta que existem milhares de ONGs e abrigos super lotados de cães e gatos à espera de um lar. Algumas redes de petshops abriram seus espaços para adoção na loja. Muitos eventos de adoção acontecem semanalmente em vários lugares do país. “Neste momento de pandemia, a maneira mais segura é adoção pela internet através das mídias sociais de ONGs sérias” afirma.

Já existe até reunião on-line para que animais e humanos se conheçam e possam entender se foram feitos um para o outro. É uma nova forma de continuar doando animais, mesmo em tempos de não-aglomeração.

É possível adotar cachorros e gatos de raça?

Todas as ONGs e abrigos que conversei foram unânimes em afirmar que sim, é possível adotar cães de raça. Seja porque a pessoa que comprou não quer mais, seja por excedente de filhotes não vendidos em um criador, ou mesmo animais aposentados da reprodução.

A minha cachorrinha, Aurora, é um desses casos. Depois de anos sendo matriz (reprodutora), chegou a idade de aposentá-la. Ela foi colocada para adoção e eu trouxe para o meu lar e meu coração (piegas, eu sei, mas é muito amor). Clique aqui, para conhecer toda história.

Vale lembrar que os animais que predominam nos abrigos, são os vira-latas. Além, dos animais pretos, grandes e idosos, que, segundo Raquel, sofrem preconceito e passam anos nos abrigos a espera de lar e muitos nunca irão conseguir uma família.

gato deitado

Gatos e cães de raça também vão para adoção – Kyla Goodell/Creative Commons

A importância da adoção de animais

Segundo Camila, a adoção é a parte mais importante do trabalho do Projeto. ”O nosso objetivo, quando resgatamos um animal na rua, não é que ele more no canil para sempre. O canil é apenas transitório. A ideia é que a gente possa resgatar, cuidar e encontrar uma família. Além disso, quanto mais animais doamos, mais espaço e condições temos de resgatar outros que precisam”.

Na rua, muitas vezes, os animais passam por diversas privações, frio, sede e fome, além de maus-tratos, abusos e até atropelamento. São milhões de animais nas ruas e os abrigos estão superlotados.

Raquel diz que a adoção é um dos caminhos para transformar essa dura realidade. “É um ato de amor que salva vidas. É um ato consciente que transforma a vida de muitos animais que estão a espera de lar e uma família” declara.

Gato com só um olho

Ainda há preconceito com animais deficientes – Cam Miller/Creative Commons

Dificuldades na adoção de animais com deficiência

Existe preconceito com animais especiais, sim! Mas, segundo Raquel, O preconceito não é apenas com animais deficientes físicos, paralítico ou cegos, existe preconceito também com animais pretos e idosos. “As pessoas geralmente procuram animais ‘perfeitos’ e que julguem bonitos” desabafa Camila.

A Dra Vânia conta que, muitas vezes, a dificuldade em adotar um deficiente é que as pessoas sabem é que um animal que vai dar mais trabalho. As pessoas acabam adotando pensando em apenas ter uma companhia, pensando nelas. Sem olhar para o quanto vão precisar se dedicar a esse animal. É uma relação onde o animal mais dá do que recebe. Já um peludo especial, precisaria tanto receber, quanto dar amor. Nem todos estão prontos para isso. “Muita gente não quer se comprometer no caso de a deficiência exigir algum cuidado adicional” aponta Camila.

Inclusive, a AMPARA Animal fez uma campanha de conscientização “Especial é Ser Diferente!”, que fala sobre este tema.

“Especial” é um adjetivo tão difícil de explicar, mas tão fácil de entender…

“Especial” é maior que todos os limites que conhecemos.

“Especial” é maior até que amor, já que o amor vive dentro dele.

“Especial” não é substituível.

“Especial” é único. É raro. É ímpar e ao mesmo tempo generoso, por poder existir sobre tantas diferentes formas.

“Especial é ser diferente!”

O caso da Dafine

Foi pensando nesse amor, que a jornalista Suiane Torres, adotou a Dafine. “Eu queria adotar um cachorro. Mas queria fazer a diferença. Adotar já é um ato maravilhoso, mas adotar um animal especial é algo ainda mais incrível. Eles quase não são adotados. Então, conversei com meu esposo e decidimos por adotar uma cadeirante” relembra.

Sauiane conta que os animais costumam olhar para a paraplegia deles de uma forma diferente do que nós. Alguns humanos olham para um animal especial e ficam com dó, enquanto o cachorro especial está correndo feliz e contente pelo parque.

“Ter um animal especial é ter tem aprendizado eterno de como se adaptar a todas as situações” declara Suiane. Mesmo quando a cachorra dá um baile na adaptação. “As dificuldades foram saber lidar com a fralda, para que não caísse, e para estimular e tirar o xixi e o cocô. É só adaptar a sua rotina para dar conta de tudo” conta.

Para finalizar, Suiane deixa seu testemunho: “O preconceito é por falta de conhecimento. Procure olhar com um olhar diferente porque ali só tem felicidade, só tem amor. Eu adotaria de novo a Dafine todos os dias da minha vida. É um amor que não cabe dentro do peito”.

#NãoCompreAdote!