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No último dia 25, um dos piores acidentes ambientais ocorreu na cidade de Brumadinho-MG. Uma barragem de rejeitos da mineradora Vale rompeu. Com isso, a cidade ficou sob lama. Assim como moradores, animais e propriedades. Muitos voluntários seguiram até o local carregados de doações e boas intenções. Mas será que isso ajuda?

Assim que a tragédia foi anunciada, diversos estabelecimentos se tornaram pontos de arrecadação para as vítimas. Fossem elas humanas ou animais. Foram toneladas de alimentos, água, remédios, roupas e muita boa vontade para ajudar.

Apesar de muitos sites falsos e aproveitadores, a maioria das arrecadações era idônea. A população de todo país, em choque, quis ajudar como pode. Mas é preciso uma situação tão extrema para poder ajudar?

Não estou dizendo que as vítimas de Brumadinho e de tantas outras tragédias não mereçam ajuda. Muito pelo contrário! Super apoio e valorizo quem despendeu um pouquinho do seu tempo para fazer uma oração que seja. A grande questão é que pessoas e animais passam por necessidades e situações ainda mais difíceis todos os dias. Todavia, não recebem ajuda. Nem sequer são vistos pela sociedade.

Nas redes sociais, vi inúmeros influenciadores (inclusive os pets) revendo suas coisas e separando doações. Iam aos montes até os pontos de coleta. Por que não fazer o mesmo, de tempos em tempos, e ajudar as ONGs, por exemplo?! Eles sempre precisam de remédios, alimentos, camas e voluntários para ajudar. Mesmo que para escovar um gato ou passear com um cachorro. Por que é mais fácil se comprometer com um evento único e catastrófico do que algo constante e latente?

Será que estamos tão acostumados a ver o drama de diversas pessoas e animais, que nos tornamos insensíveis a eles?

Jeso Carneiro/Creative Commons

Tem uma explicação!

Nosso cérebro cria uma forma de “sofrer menos” com violências. Sejam elas físicas ou sociais. Um estudo publicado no final do ano passado por um grupo de pesquisadores italianos, mostrou a reação cerebral de participantes após visualizarem imagens e jogarem videogames. Os que viram imagens violentas e participarem de um jogo de videogame violento tiveram uma menor ativação do sistema límbico.

Traduzindo…

Quando somos submetidos a situações de violência recorrente, o nosso cérebro diminui a resposta emocional (sistema límbico). Assim, quanto mais cenas de tragédias e violência enfrentamos, menos nosso cérebro passa a enxerga-las e memoriza-las.

Vamos supor que você se importe muito com a causa animal e veja um cachorro todos os dias na rua procurando comida. Para conseguir lidar com essa situação, seu cérebro passa a não registrar tal acontecimento. É como se o cachorro não estivesse mais ali ou se aquela situação não te afetasse mais.

Por isso é mais motivador ajudar causas extremas e pontuais, como um terremoto, alagamento ou tsunami. Agora, o que mais assusta é saber que se rompimentos de barragens como esse voltarem a acontecer, nos moveremos menos. Não por sermos maus, mas por uma defesa do nosso próprio cérebro.

Se você se compadeceu com as vítimas, não se esqueça também daqueles que precisam de ajuda e podem estar ao seu lado. Visite uma ONG, ajude como puder. Existem várias maneiras. Veja como.

E os animais de Brumadinho?

Muitas ONGs, inclusive de São Paulo estão atuando na região e trazendo animais para São Paulo. São cães e gatos que perderam suas casas e tutores. Diversas pessoas estão oferecendo lar temporário para conseguir dar estrutura para eles. Mas ainda não sabemos sobre possíveis adoções.

Enquanto isso, outros tantos permanecem no local. Cavalos, bois e vacas estão sendo resgatados na medida do possível. Porém, alguns estão sendo eutanasiados. O que, inclusive, deu muito o que falar nesta segunda-feira. Para entender direitinho, leia a matéria do enviado especial do Estadão, André Borges.

Após a repercussão de um vídeo da ativista Luisa Mell sobre o abatimento de dois animais com rifle sanitário, o CRMV se pronunciou, explicando o ocorrido. Leia tudo o que aconteceu na matéria do Estadão.

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