cachorro tomando sol no sofá

Cachorros aproveitam o sol para se esquentar – Foto: Luiza Cervenka

Quem tem um pet idoso, como eu, já está sentindo a diminuição de temperaturas. Os efeitos da sessão de fisioterapia, que antes duravam uma semana, hoje se mantêm por poucos dias. Beber água já não é algo tão usual. As patas e orelhas ficam mais geladas. O ânimo para passear e brincar já diminuiu.

Tudo isso é em decorrência dos dias típicos de outono: noite, madrugada e início da manhã bem frio, mas o sol esquenta no meio do dia. É bem nessa hora que encontramos os pets largados, buscando um cantinho de sol para se esquentar.

O inverno começa oficialmente no dia 21 de junho, mas o friozinho chegou antes nesse ano. Não são só os humanos que ficam mais sensíveis com a queda da temperatura, os pets também sentem a mudança climática e podem vir a adoecer se alguns cuidados não foram tomados.

Doenças de inverno nos pets

Segundo a veterinária da DrogaVET, Alessandra Farias, tosse, secreção nasal, olhos lacrimejantes e falta de apetite são alguns dos sintomas de doenças que podem atingir cães e gatos no inverno, inclusive os que passam a maior parte do tempo dentro de casa. “Mesmo tendo a temperatura corporal mais elevada que a nossa, em torno de 38,5°C até 39,5°C, a pelagem dos pets não é suficiente para mantê-los aquecidos durante esse período. É mito achar que os pets não sentem frio, sejam eles filhotes, cães idosos ou cães com pelagem longa ou curta. E vale frisar que, em geral, todos os pets sentem frio da mesma forma, cães ou gatos”, detalha a especialista.

De acordo com a médica veterinária, uma das principais doenças que acomete os cães no inverno é a gripe canina, mais conhecida com a “tosse dos canis”. Os sintomas, via de regra, são tosse, espirros, secreção nasal e falta de apetite. “É necessário observá-los logo no início, já que a gripe nos cães se assemelha muito a engasgos. Em alguns casos quando a tosse é muito forte podem ocorrer até vômitos com aspecto de espuma, pois os pacientes podem entrar em crises de tosse devido à piora do quadro”, detalha Alessandra.

Com os gatos os cuidados devem ser os mesmos. Segundo a veterinária, mesmo parecendo mais resistentes que os cães, o inverno também potencializa a propagação de algumas doenças, como a Rinotraqueíte Felina, causada por um vírus altamente contagioso entre as espécies felinas. “Há maior incidência de casos em locais com grande quantidade de gatos e, geralmente, ocorre nos dias mais frios, com sintomas que vão de febre à desidratação, passando por secreção nasal, secreção ocular, falta de apetite, apatia e dificuldade de respirar e espirros”, pontua a profissional.

A veterinária complementa dizendo que o importante é manter atualizado o calendário de vacinação, com checagem anual. “Dessa forma os animais estarão sempre protegidos”, alerta Alessandra

Cães que dormem no quintal

Alguns tutores não gostam de cães dentro de casa. Mas nesses dias mais frio é importante oferecer conforto térmico para o animal. “O ideal é utilizar casinhas adequadas com camas, disponibilizar cobertas, mantas ou até vestir os pets com roupas próprias para protegê-los do frio”, alerta Dra Alessandra.

Roupinhas estão liberadas, mas devem ser trocadas com frequência e retiradas nos horários mais quentes do dia. Se seu cachorro não é adepto aos trajes de frio, veja como acostumá-los com o adereço.

Quais raças sentem mais frio?

Cães filhotes e idosos, assim como as raças que apresentam pelo mais curto – como Chiuahua, Pug, Bulldog, Boxer, Pinscher e Fox Paulistinha -, são mais suscetíveis ao frio e precisam de alguns cuidados especiais.

Jade Petronilho, coordenadora de conteúdo da Petlove, explica que muita gente acha que, por serem peludos, os cachorros podem não sentir frio, mas isso não é verdade e pode variar de acordo com a raça. “A temperatura corporal média de um canino chega a 39º graus. Um Husky Siberiano, que possui a pelagem espessa feita especialmente para resistir ao frio é, por exemplo, mais resistente ao frio que um Pinscher, uma raça de pelo curto nada adaptada a condições tão adversas.”, explica a profissional.

A especialista explica que, a pelagem dos pets serve como protetor térmico tanto para o frio quanto para o calor e, de modo geral, quanto mais denso for o pelo do cão, menos rio ele deverá sentir, por isso, cães de pelo curto geralmente merecem mais atenção durante o outono e o inverno. “Além da densidade da pelagem, a gordura corporal também é um fator que contribui para o cachorro ser mais (ou menos) resistente ao frio. Ou seja, os cães magros e com pelos mais curtos e menos ‘cheios’ são os que mais sofrem”.

Entre as raças que mais sentem frio, estão o Chihuahua, Pinscher, Greyhound, Whippet, Galgo italiano, Dachshund de pelo curto, Boston Terrier e Fox Paulistinha (Terrier Brasileiro).

De acordo com o veterinário e proprietário do Clube de Cãompo, Aldo Macellaro Jr, medidas simples como colocar uma roupa no pet e aquecer sua pequena cama com mantas e cobertores podem ajudá-los a sentir menos frio, entretanto, a rotina de cuidados vai um pouco além disso.

cachorro deitado sob cobertor

Oferecer alternativas para o animal de esquentar é fundamental – kid pro quo/Creative Commons

Pode dar banho em dias frios?

Os banhos no inverno podem acontecer com menos frequência, o que pode variar de acordo com a raça e ambiente que o pet habita. Em média, os banhos nesse período podem ser dados a cada 30 dias em cães de pelagem mais curta e que vivem em áreas externas. Já os cães de pelagem longa e que vivem dentro de casa, podem tomar banhos a cada 15 dias. “O mais importante é preservar a saúde do animal, eles não precisam estar sempre perfumados. Caso o tutor opte por uma frequência de banhos mais espaçada não há problema, mas alguns cuidados precisam ser mantidos como a limpeza dos ouvidos, escovação dos dentes e da pelagem, principalmente em cães de pelo longo que costumam sofrer com nós. Caso o tutor opte por dar banho em casa, é muito importante escolher um horário mais quente do dia, evitar banhos ao ar livre, usar água morna, secar bem os pelos e proteger os ouvidos, para que não entre água. Cães da raça Cocker Spaniel, por exemplo, precisam de cuidados redobrados nesse sentido, pois apresentam problemas auriculares com maior frequência”, explica Aldo Macellaro Jr.

A frequência dos banhos deve ser diminuída também, para não retirar em excesso a camada de gordura protetora da pele, ajudando inclusive a não ressecar. As tosas devem ser mais espaçadas, e de preferência deixando os pelos um pouco mais compridos para ajudar no isolamento térmico do animal.

Outro cuidado muito importante é aquecer o animal na saída do pet shop. No interior do estabelecimento, costuma ser bem mais quentinho do que na rua. Assim, o animal pode ter um choque térmico no caminho para casa. Assim, o ideal é levar uma mantinha ou roupinha para mantê-lo aquecido.

Cuidado com a alimentação em dias frios

Os pets devem receber uma alimentação balanceada ao longo do ano, independentemente das estações. Porém, com o inverno o animal acaba se exercitando menos e, consequentemente, gastando menos energia, o que pode levar ao aumento de peso. “Esse ponto merece bastante atenção, pois muitos tutores acabam compartilhando suas refeições, o que pode ser muito prejudicial para a saúde do cão. No inverno a dieta precisa ser seguida com ainda mais rigor, pois a obesidade abre portas para outras doenças mais graves”, destaca o veterinário.

Deve passear com o cachorro em dias frios?

Mas saiba que a atividade física é essencial para a saúde física e psicológica do cão. Além de ajudar a controlar o peso, proteger de doenças cardíacas e articulares, os cachorros precisam estar em movimento, interagindo com outros animais e explorando novos ambientes. “Apesar do frio, os passeios precisam ser feitos pelo bem do pet. Quando eles passam muito tempo trancados em casa podem ficar ansiosos e até agressivos por manter a energia contida. Pode ser uma voltinha rápida pelo bairro e depois, complementar com mais alguma brincadeira de interação entre o pet e o tutor”, exemplifica o especialista.

cachorro passeando na neve

O passeio é fundamental, mesmo em dias frios – Clif Burns/Creative Commons

Como saber se o cachorro está com frio?

Entre os sinais para saber se o cachorro está com frio estão os tremores e a busca por contato físico. Se o animal passar muito tempo deitado ou encolhido, se ele dormir mais que o habitual, ou estiver em letargia, os pais e mães de pet também devem ficar atentos.

Mudanças na respiração e nos movimentos respiratórios também são sinais de atenção. A busca por abrigos e locais mais isolados ou a aproximação de pessoas e animais também indicam que ele pode estar com frio.

Uma forma de descobrir como está a temperatura do corpo do pet é tocar na ponta das orelhas dele ou nos coxins – as famosas almofadinhas das patas. “Se um desses locais estiver muito gelado, o animal precisa se aquecer. Deixe sempre uma coberta disponível para o animal, se ele permitir e não se incomodar, vista uma roupinha e o coloque em um local quentinho e confortável para que ele durma bem e se proteja”, ensina Jade.

Sempre devemos cuidar adequadamente dos nossos peludos, mas no inverno a atenção deve ser redobrada!