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Normalmente me sinto um peixe fora d’água nos eventos sociais por conta das minhas escolhas alimentares. Mas neste último final de semana foi bem diferente, estava em casa ou em um aquário com outros 15 mil peixes. Este foi o público aproximado da décima segunda edição de duas feiras realizadas na cidade de São Paulo. A Bio Brazil Fair e a Naturaltech são os principais eventos da América Latina nas áreas de produtos orgânicos e naturais, respectivamente. O crescimento do número de produtos apresentados, de expositores e do próprio público mostra que a “moda” da alimentação consciente está se consolidando cada vez mais como uma tendência e como um estilo de vida, que não tem volta. Nada como os números para provarem que não é um delírio otimista meu. De acordo com um levantamento feito pela agência de pesquisa de mercado, Euromonitor, o mercado de produtos saudáveis movimenta mais de US$ 35 bilhões por ano no País, com um crescimento de 98% nos últimos seis anos. Segundo segmento orgânico representa R$ 2,5 bilhões deste montante. O Projeto Organics Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Promoção do Desenvolvimento, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, prevê mais 30% de crescimento do setor para 2016, o que representa um faturamento anual de R$ 3,2 bilhões.

O percentual de brasileiros que se preocupam com a qualidade dos alimentos que consomem ainda é pequeno. Este não é o resultado de nenhuma pesquisa científica, mas é fácil de constatar nas rodas de conversa ou dando uma rápida olhada nos carrinhos de supermercado. Porém, há sim um número cada vez maior de interessados em praticar uma alimentação segura e consciente.  O aumento do acesso à informação, os reflexos positivos das mudanças alimentares na qualidade de vida e o aprimoramento dos produtos oferecidos pelo mercado são alguns dos fatores que justificam os valores expressivos citados acima. Por exemplo, quando eu comecei a consumir os orgânicos, há cerca de cinco anos, quase não havia feiras livres voltadas para eles, muito menos opções sem agrotóxicos nos supermercados ou hortifrutis. Tínhamos que ligar e encomendar diretamente com os produtores e a diferença de preço deles para os tradicionais era bem maior. Opções sem leite, sem glúten ou sem açúcar nem se fale. Nos últimos anos foram lançados centenas deles, mais saborosos, mais baratos e muito mais fáceis de encontrar, até em grandes redes.

A marca Superbom, por exemplo, fabrica sucos integrais, queijos veganos e cookies sem leite, sem soja, sem glúten e sem açúcar, entre muitos outros produtos e existe desde 1925. Entretanto, de acordo com o gerente de vendas da marca, Ivan Souza, “nos últimos seis meses, nós quadruplicamos a quantidade de distribuidores  e notamos que hoje há muitos vendedores que se especializaram em alimentação saudável, muitos deles eram generalistas e notaram que este mercado estava saturado e que havia uma demanda por estes produtos mais saudáveis, muitos vieram nos procurar e ao fazerem esta migração, passaram a vender mais e nós também”.  Em 2015, a empresa teve um crescimento de 17% e para 2016 a previsão é de 22,5% de crescimento. Vale lembrar que estamos em um momento econômico bem desfavorável.

Outra marca que está há muito tempo no mercado, mas que notou um crescimento maior nos últimos anos é a Chocolife, que produz alimentos à base de chocolate, sem leite nem açúcar. De acordo com a fundadora da empresa, Virgínia Dias, “nós vamos completar dez anos agora em 2016, então começamos em um mercado que não existia, quando oferecíamos o produto para os revendedores, eles não entendiam. – Mas por que sem glúten? Por que sem açúcar? Por que sem leite? – era muito inovador para a época. Então nos primeiros cinco anos nós tínhamos poucos ítens, de cinco anos pra cá lançamos novos produtos, como um achocolatado, um shake para quem quer consumir mais proteínas e as barras de chocolate saborizadas com raspas de limão, laranja e especiarias, por exemplo. Nesses últimos anos nós notamos nitidamente o aumento da procura por estes produtos. Um exemplo disso é a própria Naturaltech, a primeira vez que estivemos aqui foi há cinco anos, a feira era muito menor, o público era muito menor e o número de lojistas nem se compara. Hoje nós estamos em 80% do Brasil, seja por venda direta ou por meio de representantes e distribuidores”.

O evento também abrigou a oitava edição do Festival de Cozinha Vegetariana. Mas este assunto rendeu e voltará em um post próprio. Por enquanto fico com a agradável sensação de acolhimento e de ter com quem compartilhar meus ideais alimentícios.