No dia 01 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Veganismo, um estilo de vida que elimina os insumos animais da alimentação, do vestuário e dos produtos de higiene e beleza. A última pesquisa feita em 2014 pela Sociedade Vegetariana Brasileira, SVB, revelou que 7 milhões de brasileiros se declaram veganos e este número tem aumentado a cada dia. A consideração pelos animais, a preocupação com o meio ambiente e os cuidados com a saúde fazem do veganismo uma tendência mundial.

 

O Instituto de pesquisa de mercado, Harris Interactive, concluiu um estudo nos Estados Unidos, no qual, 48% dos entrevistados afirmou consumir refeições veganas toda semana. Ainda segundo o Instituto, uma grande parcela dos norte-americanos está comprando refeições vegetarianas com mais frequência. Na Inglaterra, uma pesquisa feita pela Sainsburys, uma tradicional rede de supermercados, revelou que, até 2025, um quarto da população britânica será vegetariana e metade ‘flexitariana’, termo que se refere às pessoas que estão diminuindo gradualmente o consumo de carne. A mesma rede divulgou que anualmente 11 milhões de pessoas morrem no mundo em decorrência de maus hábitos alimentares. Já está comprovado que ingerir proteína animal em excesso e com frequência está entre as causas do aumento das doenças crônicas não-transmissíveis, como obesidade, diabetes tipo2, infarto e avc.

 

Preocupação do consumidor com o bem-estar dos animais começa a refletir no mercado 

É crescente o número de pessoas que têm baseado suas escolhas, na hora de efetuar uma compra, nos métodos utilizados pela indústria na fabricação dos produtos. Entre os veganos, os cuidado com os animais é o tema que mais chama a atenção, este público é composto em sua maioria pelas novas gerações, que representam uma grande parcela dos consumidores de hoje e que serão maioria no futuro. Este critério já tem interferido nos rumos da indústria de cosméticos, de acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira, nos últimos anos a demanda global por insumos de origem animal em produtos de beleza caiu cerca de 25%. Enquanto isso, cresce muito a procura por ingredientes vegetais. Segundo a SVB, este grupo não aceita mais itens produzidos por meio de determinadas práticas, como a indução artificial do crescimento de aves e suínos, para aumentar a produtividade na pecuária, que faz com que estes animais sofram com uma alta incidência de problemas ósseos e de articulação, entre outras disfunções anatômicas e fisiológicas associadas à dor e ao sofrimento crônico.

 

Entre os métodos comumente utilizados pelos sistemas de produção em larga escala, que também são repudiados está o confinamento dos animais em altas densidades, com privação de movimentação e expressão de comportamentos naturais. Há ainda um questionamento a respeito da manutenção dos animais em condições de saúde e bem-estar precárias, que provoca o aumento da sua susceptibilidade a doenças e ao risco de transmissão de zoonoses,prevenidos com o uso rotineiro de  grandes quantidades de antibióticos. E estes são só alguns exemplos, dentre tantos que aparecem todos os dias na internet, em páginas, perfis e grupos que tratam do sofrimento dos animais nas linhas de produção. 

 

Pesquisas já apontam a redução do consumo de carne como uma grande aliada da preservação ambiental

A preocupação com o meio ambiente aparece ao lado dos cuidados com os animais na tomada de decisão do público vegano e não faltam dados para justificar este posicionamento. Um estudo feito pela Universidade Johns Hopkins e divulgado pela publicação científica Global Environmental Change analisou dados sobre os impactos ambientais de diferentes dietas nas emissões de gases de efeito estufa e no uso de recursos hídricos em 140 países. Foram considerados vários tipos de dietas que forneciam 2300 calorias e 69 gramas de proteína por pessoa por dia, como a dieta padrão do país, as que envolviam a abstenção de produtos de origem animal um dia por semana, as dietas sem laticínios, vegetarianas e veganas. Os resultados mostraram que o Brasil está entre os países com uma das maiores pegadas de carbono por habitante do mundo, mas que a diminuição no consumo de produtos de origem animal como carne, frango e ovos – ainda que apenas um dia por semana – reduziria muito o impacto de cada habitante sobre as emissões de gases de efeito estufa. 

 

A pesquisa também observou o impacto das escolhas alimentares sobre a pegada hídrica dos brasileiros, ou seja, sobre o consumo individual, direto e indireto, de água na produção de comida. Foi concluído que a redução no consumo de carnes, ovos e laticínios teria um grande potencial para diminuir este gasto, o que contribuiria para a prevenção de futuras crises relacionadas a escassez hídrica. De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira, apenas um dia sem consumir produtos de origem animal pode economizar 3,4 mil litros de água usados no cultivo de grãos e nos abatedouros, sete quilos de soja para ração, 24 metros quadrados de área plantada a evita que 14 quilos de gases tóxicos sejam lançados na atmosfera. Esta é a proposta da Campanha Segunda Sem Carne, da SVB, que substitui  as carnes, ovos e leite por proteína vegetal de valor nutricional equivalente um dia por semana. No Brasil, a campanha está presente em mais de 100 municípios e só no primeiro semestre de 2019 ofereceu mais de 42 milhões de refeições à base de vegetais em escolas públicas, instituições de caridade e refeitórios de empresas. 

 

Segundo o relatório ‘Mudanças Climáticas e Terra’ da ONU, Organização das Nações Unidas, a redução no consumo de carne “apresenta grande potencial de mitigação das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que gera benefícios significativos para a saúde humana. Até 2050, mudanças nos padrões de alimentação poderiam liberar milhões de quilômetros quadrados de terra, e reduzir as emissões globais de CO2 em até 8 bilhões de toneladas por ano”. Uma pesquisa feita pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Agência Alemã para a Cooperação Internacional, revelou que as operações de abate e processamento de animais custam ao Brasil, em danos ambientais, 371% a mais do que a receita que geram. A Revista Science publicou um estudo com informações de 119 países, revelando que a produção de carnes, ovos e laticínios utiliza 83% das terras cultiváveis do planeta, considerando o espaço de pasto e de produção de ração, e é responsável pela maioria das emissões de gases do efeito estufa, que parte da produção de alimentos. Apesar de todo este impacto, esta produção representa somente 18% das calorias consumidas no mundo.