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O aleitamento materno nos seis primeiros meses de vida é essencial para os bebês, mas é preciso ir além.

 

Se você é mãe, pai ou tem algum bebê na família deve estar cansado de ouvir
sobre os benefícios do leite materno. Já deve ter ouvido sobre as formas de fazer com que o bebê consiga pegar o peito, sobre como tirar o leite e congelá-lo para continuar amamentando mesmo depois do término da licença maternidade, já deve ter ouvido muito sobre a polêmica de amamentar ou não em público e até sobre como fazer o leite voltar caso ele seque. Então, eu prometo que sairei do lugar comum e espero te trazer novas informações sobre este assunto. Ora, se o tema deste blog é a comida de verdade, não tenho como não falar sobre o leite materno. Ele é o alimento mais real que existe. É o mais real, o mais completo, o mais acessível, o mais seguro e o mais importante de todos. Mesmo assim, não tem sido tratado com a devida importância. No mês em que se estabeleceu a Semana Mundial do Aleitamento Materno resolvi abordar alguns mitos que rondam este assunto e mostrar os benefícios da amamentação prolongada, até o segundo ano de vida, e os malefícios dos substitutos ao leite materno.
-O colostro é essencial para o bebê 
Verdade 

 

O colostro possui aproximadamente 700 espécies de bactérias saudáveis, que irão fazer a colonização inicial do intestino dos bebês e isso é fundamental para que ele tenha um sistema imunológico eficiente durante a vida toda. Estas bactérias são responsáveis pela formação de 70% das nossas células de defesa. Esta colonização adequada também auxilia o organismo na prevenção de processos alérgicos e de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, por exemplo, pelo resto de nossas vidas. É muito importante ressaltar que quando a criança não tem contato com o leite materno assim que nasce, ou seja quando não é feita a chamada

‘amamentação de primeira hora’, muito provavelmente ele receberá um soro glicosado no berçário ou mesmo uma fórmula, estas substâncias serão responsáveis pela sua colonização intestinal inicial, que será composta por bactérias hospitalares, o que não ajudará na formação de um sistema imunológico adequado.
-Depois dos 6 meses é bom substituir o leite materno por outros leites 
Mito 
Já é um consenso entre as Sociedades de Pediatra que se deve evitar a  introdução de leite de vaca ou de leite de soja até que o pequeno complete seu primeiro ano de vida. Isso ocorre porque os dois alimentos têm alto potencial alergênico, são compostos por proteínas que ainda não são bem digeridas e causam processos inflamatórios no organismo. Mas o que vemos em muitos consultórios pediátricos é a recomendação para que as mães substituam o próprio leite por fórmulas artificiais, que têm soja ou leite de vaca como base na sua composição, antes mesmo do bebê completar seis meses de vida. No primeiro sinal de dificuldade das mães em amamentarem, dificuldades comuns que todas nós enfrentamos, a orientação costuma para que elas desistam do aleitamento. Quando é feita a substituição logo aparecem os primeiros sintomas, que podem se manifestar por meio de cólicas, refluxos, otite, bronquite, prisão de ventre, alteração de sono e dermatite, entre muitos outros distúrbios. De fato quando a criança já consome todos os grupos alimentares o leite materno já não é imprescindível para a sua nutrição. Porém, a sua função não acaba aí. É só a partir dos seis meses que o sistema imunológico do filho se torna independente do materno, neste período de transição ele precisa dos fatores imunológicos que serão transmitidos pelo leite da mãe. Alguns órgãos não nascem prontos para cumprirem suas funções, como o rim por exemplo, e quem irá colaborar com o término desta tarefa são substâncias presentes exclusivamente no leite materno. Este órgão, assim como o estômago e o intestino, só está preparado para lidar com as características deste alimento e qualquer outro que for oferecido irá prejudicar suas funções. Por esta e por outras razões, de acordo com o Programa dos Mil Dias, da Organização Mundial da Saúde, o aleitamento materno deveria ser oferecido às crianças até que elas completem o segundo ano de vida, com a devida diminuição da frequência com o passar do tempo, é claro.
-O leite materno está fraco e não está suprindo as necessidades do bebê 
Mito
Embora pareça uma verdade, esta afirmação é um mito. Mas, o que pode acontecer é que durante a gestação e principalmente durante a fase da amamentação, a mulher precisa de uma imensa quantidade de micronutrientes, esta é a etapa na qual ela terá a maior demanda destas substâncias, como vitaminas e minerais, de toda a sua vida. Além de ter pouco tempo ou disposição para cozinhar e para se alimentar bem nos primeiros meses de vida do bebê, a falta de sono, comum nesta época e a ansiedade gerada pela nova responsabilidade podem causar uma situação de estresse, que aumenta a demanda desses nutrientes do organismo. Ou seja, além de um baixo consumo, existe uma alta demanda, e o que está sendo ingerido não é suficiente para as suprir estas necessidades. Por isso, em grande parte dos casos, estas quantidades não são alcançadas apenas com a alimentação e precisam ser suplementadas por profissionais da área. O ômega 3, por exemplo, é um nutriente fundamental para a formação cerebral, cujo pico ocorre entre o terceiro trimestre da gestação e o décimo oitavo mês de vida do bebê. Mas as fontes alimentares de ômega 3 são pouco consumidas, inclusive porque os alimentos de onde ele viria são principalmente os peixes criados livremente, que se alimentam de plânctons de águas profundas, diferente da maioria dos que são comercializados no País, que são de cativeiro.
-A alimentação da mãe não interfere no bem-estar do bebê 
Mito 
Se os nutrientes ingeridos pela mãe ou a falta deles influenciam diretamente no desenvolvimento do seu filho, o mesmo acontece com o consumo de alimentos alergênicos como o leite de vaca. Tanto as macromoléculas protéicas, como a betalactoglobulina – umas das proteínas do leite de vaca –  quanto os anticorpos IgG produzidos para combatê-las, podem passar pelo leite materno para o bebê, ocasionando os mesmos sintomas citados acima. Muita gente diz até que o pequeno está com alergia ao leite materno, mas os sintomas alérgicos se referem ao que a mãe está comendo. Outro exemplo é a necessidade da suplementação de probióticos durante toda a gravidez e a fase de amamentação para a mãe e até para o bebê. Quem diz isso são as Sociedades Americana e Canadense de Pediatria. Os probióticos são os responsáveis pela criação de uma microbiota intestinal saudável. Aquela que será transmitida da mãe para o bebê por meio do parto. Portanto a alimentação da mãe durante a gravidez e a amamentação e a do bebê, até o seu segundo ano de vida serão determinantes para a saúde dele física, mental e emocional durante toda a vida.