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Antigamente, o intestino só era lembrado pelas pessoas e pelos especialistas da área da saúde quando estava “preso” ou “solto demais”. Hoje já se sabe que a sua importância para a nossa saúde ultrapassa muito estes adjetivos. Desde 2008, Institutos Nacionais de Pesquisas dos Estados Unidos se debruçam no Projeto Microbioma Humano, que estuda a interação das cerca de 100 trilhões de bactérias que vivem no nosso corpo com os nossos genes. Elas se dividem em benéficas e potencialmente nocivas. Já pode se dizer que se a prevalência for de más bactérias poderemos desenvolver a maioria das doenças que vemos por aí, desde pequenas inflamações até alguns tipos de câncer.

Você já deve até ter ouvido que o intestino é o nosso segundo cérebro, esta denominação se deve às diversas funções atribuídas a ele, que têm sido descobertas nos últimos anos, como a produção de enzimas, hormônios e neurotransmissores. Ele é responsável por 90 a 95% da serotonina produzida no nosso organismo – o principal neurotransmissor do bem-estar – também produz em média 70% das nossas células de defesa. Este órgão também seleciona o que irá ou não passar para a nossa corrente sanguínea. Se estiver funcionando corretamente ele permitirá a entrada dos nutrientes e bloqueará a de proteínas mal digeridas, metais tóxicos, toxinas e antígenos ambientais, entre outras substâncias comuns de serem consumidas, mas que devem ser barradas exatamente neste momento.

Mas tudo isso só acontece se a microbiota intestinal for “colonizada” por um percentual maior de bactérias “do bem” ou probióticas. Elas que irão preservar a integridade das paredes intestinais, farão estímulos constantes para formar as células de defesa e, associadas às vitaminas A e D, irão formar as células ‘tolerogênicas’, que nos defendem de possíveis agressores. Também diminuem a formação de substâncias pró-inflamatórias e aumentam a produção de substâncias anti-inflamatórias. Quando eu disse que elas podem até prevenir o câncer não estava exagerando, quando estão em prevalência, estas bactérias aumentam a produção das células chamadas de “natural kiilers”, que combatem as células cancerígenas. Além disso, quando há a prevalência destas boas bactérias o ph do intestino fica levemente ácido, o que evita a proliferação de células mal formadas, como pólipos e tumores.

Porém, em muitos casos são as más bactérias que aparecem em maior quantidade. É a nossa alimentação que irá determinar quem vai prevalecer. As fibras e os prébioticos que alimentam as boas bactérias são encontrados em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas. Mais uma vez volto a falar da importância de retomarmos o hábito de consumir estes alimentos que são cada  vez menos encontrados nas casas brasileiras. Por outro lado os carboidratos refinados, o açúcar, os aditivos químicos e as proteínas mal digeridas servem de alimento para as más bactérias. O excesso de carboidratos e de açúcar vem do alto consumo de ultraprocessados e as proteínas mal digeridas podem ser as de origem animal, quando consumidas em excesso em uma única refeição, ou as proteínas do leite de vaca, da soja e do glúten, que são de difícil digestão. Todos os alimentos consumidos junto com algum tipo de líquido, mesmo que seja água, também são mal digeridos porque o líquido dilui o ácido clorídrico presente no estômago, que tem esta função. As proteínas mal digeridas que chegam até o intestino são fermentadas e colaboram para a proliferação de fungos e más bactérias, que se sobrepõem às boas. Estudos de 2015 e de 2016 revelam que muitos dos aditivos químicos presente nos alimentos ultraprocessados destroem células de defesa do intestino e alteram a sua permeabilidade, desestabilizando todo nosso sistema imunológico.

Portanto, quando temos uma alimentação equilibrada, isto se reflete na nossa microbiota intestinal e, consequentemente, na nossa saúde. A prevalência dos fungos e das más bactérias desregula o nosso sistema imunológico, permite a proliferação de células mal formadas, altera a permeabilidade do intestino, diminuindo a absorção de vitaminas e minerais e permitindo a entrada de agressores. O organismo irá liberar substâncias de defesa contra esses agressores e estas substâncias irão causar a grande maioria dos processos inflamatórios que prejudicam a nossa saúde. O órgão que será atingido pela inflamação vai variar de acordo com a predisposição genética de cada um. Já deu pra notar a influência da nossa alimentação sobre toda a nossa saúde e a importância das bactérias boas ou más em todos os nossos processos. Então, que tipo de microbiota você quer para o seu intestino? Faça a sua escolha.