Young woman sitting in bed with a cup of milk, view from above

Na semana passada falei sobre como os produtos ‘sem lactose’ têm sido vendidos erroneamente como sendo a solução dos problemas de saúde causados pelo leite de vaca. Hoje vou focar nos efeitos das suas proteínas. Normalmente, este tema enfrenta bastante resistência das pessoas, que têm uma relação íntima com o leite e com seus derivados, uma relação quase afetuosa. A nossa cultura associa o leite a sensações de conforto, de aconchego, de prazer. E a novidade deste post é que estas sensações não são só psicológicas ou sociais, são físicas mesmo.

 

Certamente você conhece alguém que só dorme depois de tomar o seu copo de leite ou que diz dormir melhor depois dele. Isso é muito comum principalmente entre as crianças e  uma das responsáveis é uma proteína chamada caseína. Vou detalhar um pouco este processo para ficar mais fácil de entender. A caseína possui uma sequência de 7 aminoácidos, que não são digeridos pelo nosso organismo e que se parecem com as nossas endorfinas naturais, substâncias que nos dão estas sensações de prazer. Essa sequência não digerida é chamada de ‘morfina like’ e recebe o nome de ‘caseomorfina’. Ela pode se ligar aos receptores das nossas endorfinas naturais. Em um primeiro momento esta ligação pode provocar euforia, agitação, bem estar e prazer, mas em um segundo momento isto se transforma em letargia, embotamento ou até depressão e as pessoas voltam a procurar por ela para terem novamente as sensações prazerosas. É um ciclo vicioso semelhante ao das drogas mesmo.

Outro ponto que provoca esta ‘dependência’ é a histamina que é liberada em pequenas doses quando são consumidos leite ou seus derivados. Isto ocorre porque quando as proteínas mal digeridas, como a caseína, ou as que não são nada digeridas, como a betalactoglobulina, são absorvidas pelo nosso organismo, ele lança mão de substâncias para combatê-las, entre elas, a histamina, que em quantidades pequenas funciona como relaxante cerebral, e de novo sentimos o tão buscado conforto. Porém, de 2 a 8 horas depois deste consumo, a histamina derruba os níveis de serotonina, que é o principal neurotransmissor de bem estar. Novamente, então, as pessoas voltam a procurar os alimentos à base de leite para se sentirem bem.

 

Estas sensações de prazer, geradas pelas substâncias responsáveis por combater os efeitos nocivos do leite fazem com que as pessoas tenham dificuldade para associar o seu consumo às suas consequências negativas, como todos os processos inflamatórios que eu já citei no post anterior. Portanto, sentir-se bem logo após o contato com algum alimento nem sempre é um sinal de que ele faz bem para a nossa saúde, o leite de vaca e seus derivados são os melhores exemplos disso. E se você for daqueles que não conseguem se imaginar sem um copinho de leite, se coloca queijo em tudo que come, se fica irritado só de pensar em tirá-los da sua rotina alimentar, preste bastante atenção, você deve ser bem sensível aos seus efeitos negativos, assim como o é com os positivos.