Soy sauce, tofu and other soy products

Já publiquei aqui um post sobre os leites vegetais, substitutos do leite de vaca e também sobre as opções para quem quer substituir as proteínas de origem animal. Em nenhuma das vezes citei a soja e não o fiz de propósito. No Oriente, onde ela é muito consumida e é benéfica para a saúde, ela aparece, na maioria das vezes, em suas versões fermentadas, como o molho shoyu e o missô ou coagulada, como o tofu, por exemplo. A soja “in natura” contém vários fatores anti-nutricionais, que inibem a absorção de vitaminas e minerais pelo organismo, e quando ela é coagulada ou fermentada esta característica negativa é bem reduzida. Além disso, também ocorre uma digestão parcial das proteínas presentes no grão. Com a digestão facilitada ela aparece de fato como uma boa substituição às carnes em geral.

No Brasil, a soja é muito consumida em forma de leite ou suco industrializado, principalmente pelas crianças, em forma de farinha, muitas vezes para substituir a farinha de trigo ou mesmo em sua versão original, o grão cozido, para fazer o papel da carne. Ela também está na composição da maioria dos alimentos industrializados que estão cada vez mais presentes nas mesas do País. Nestes casos seus efeitos desfavoráveis se mantêm. Boa parte dos brasileiros também ingerem diariamente o óleo de soja que costuma prejudicar a digestão. O óleo de soja é o mais acessível e por isso está na maioria das refeições e, principalmente, das frituras preparadas no lares e restaurantes.

Quando o consumo da soja for frequente, em qualquer uma destas apresentações, as proteínas mal digeridas podem gerar distúrbios digestivos, como formação de gases, sensação de estufamento, alterações gastrointestinais e processos inflamatórios no intestino ou ainda podem desencadear inflamações em outros órgãos, dependendo da predisposição genética de quem a estiver consumindo. Assim como o leite de vaca, a hipersensibilidade à soja pode ser uma causa oculta de sintomas muito comuns como rinite, dermatite e dores de cabeça, entre muitos outros. E esta relação dificilmente será identificada, muito menos tratada. O mais comum é que se controle um sintoma de cada vez e resolvido um problema, logo aparece outro, porque a causa permanece lá.

O shoyu seria uma boa forma de consumir a soja, porém, a maioria deles contêm glutamato monossódico e açúcar na fórmula, fora o excesso de sódio. Há algumas exceções; em casas especializadas em produtos naturais ou orientais, você encontra produtos livres destas substâncias, são eles que eu utilizo em casa e mesmo assim, bem de vez em quando.

Outro fator nocivo importante associado ao excesso de soja é a presença de fitormônios na sua composição. Estas substâncias podem interferir no desenvolvimento das crianças que consomem o leite ou o suco diariamente, durante muito tempo. São consequências graves, como antecipar a menarca, a primeira menstruação das meninas ou diminuir os índices de testosterona dos meninos. As Sociedades de Pediatria costumam recomendar que não se ofereça soja aos pequenos antes do seu primeiro ano de vida, e se forem filhos de pais alérgicos ao grão, ele deve ser evitado até o segundo ano. Se não bastasse, algumas substâncias presentes na soja podem inibir a captação de iodo pela tireoide, o que pode comprometer o funcionamento da glândula, para aqueles que têm predisposição genética.No países orientais, onde há um alto consumo de soja, existe também um grande consumo de algas, que são ricas em iodo e portanto compensam este efeito.

Mais uma vez, a saída é o equilíbrio. Não é necessário excluí-la da dieta, desde que você tenha informações para consumi-la de forma consciente.