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Vou começar este post com uma história. Meu filho tem dois anos, estava assistindo a um desenho na TV aberta e no mesmo intervalo comercial passou duas vezes seguidas a propaganda de uma cadeia de fast food com os personagens do filme do Snoop, que estava sendo lançado. No dia seguinte fomos ao cinema para assistir ao filme e assim que a sessão terminou ele disse que queria ir à rede vista na propaganda, citando o nome com todas as letras. Ele nunca foi à essa lanchonete nem a qualquer outra, e nem sabe o que é isso. É claro que continuou sem ir e sem saber o que é. Mas, na maioria das vezes, me parece que quando as crianças fazem este tipo de pedido, normalmente são atendidas para não “passarem vontade”. Não é a toa que os índices de obesidade infantil crescem a cada ano em nosso País.

Duas pesquisas recentes parecem ter muita relação. Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças podem ser consideradas obesas no Brasil. Há uma década, o número de adultos obesos também tem aumentado ano a ano. Hoje, mais da metade dos brasileiros está obeso e outros 18% está acima do peso. Ao mesmo tempo, um estudo feito por uma escola de negócios da Espanha revelou que o Brasil está entre os quatro países que mais consomem fast food no mundo, só perdendo para os EUA, Japão e China. Não é coincidência que os Estados Unidos também sejam os primeiros em obesidade. De acordo com o estudo, em 2014, este mercado movimentou 53 bilhões de reais por aqui e ainda há uma previsão de crescimento de 30% até 2019.

Além do sedentarismo cada vez mais presente nas casas do País, eu vejo uma clara relação entre as redes de fast food (e suas campanhas publicitárias brilhantes) a dificuldade dos pais em dizerem “não” para os seus filhos e o aumento de peso dos pequenos. Ainda segundo o Ministério, 16% dos brasileiros substituem o almoço ou o jantar por um lanche sete vezes na semana, ou seja, todos os dias. Este dado também ajuda a justificar os altos índices de sobrepeso e obesidade.

Eu entendo que a correria das grandes cidades faça com que os brasileiros tenham cada vez menos tempo para se alimentar, principalmente durante a semana. Mas aposto que você conhece alguém com o seguinte hábito: “vou aproveitar esta uma hora de almoço, comerei em 15 minutos e depois posso dormir, estudar, ir pra academia, comprar o que preciso…” Isso quando a hora do almoço não é substituída por um lanche feito ali mesmo na mesa de trabalho. Chega então o final de semana, no momento que as famílias poderiam se reunir para cozinhar ou até para comerem e conversarem sem pressa em um restaurante qualquer, mas o que mais se vê são filas e mais filas na frente das grandes redes de fast food. Basta dar uma olhada nas praças de alimentação dos shoppings. Pelo menos aqui em São Paulo, eu não acho nem de um longe um ambiente agradável para nada, muito menos para fazer uma refeição, mas elas estão sempre lotadas. E mesmo aqueles que optam por refeições completas, por comida de verdade, tendem a comer o mais rápido possível, para não perder tempo e, na maioria das vezes, mexendo nos inseparáveis smartphones. Parece que parar para comer é perder tempo, que todo o resto é mais importante e, portanto, deve ser priorizado.

Muitas pessoas podem pensar que o problema de estar acima do peso, principalmente entre as crianças, é apenas estético e que é parte do discurso da ditadura da magreza. Mas a questão aqui são os malefícios que o excesso de fast food acarretam à saúde dos adultos e dos pequenos. Normalmente, os produtos vendidos nestas redes contêm altas quantidades de gordura, sódio, aditivos químicos, açúcar e têm um alto valor calórico. Por conta disso têm efeitos comprovadamente viciantes – no final do post deixarei o link de uma pesquisa norte-americana que mostram este efeito. Sem falar em todo o investimento em campanhas publicitárias cada vez mais eficazes. Por outro lado, os alimentos que contêm tudo que precisamos para promover um bom funcionamento do organismo têm sido cada vez menos consumidos, e ainda perdem a graça, quando comparados aos das redes de comida rápida.

O excesso de substâncias não naturais e agressoras ao organismo, associado à falta de nutrientes que naturalmente nos fazem funcionar, podem gerar processos inflamatórios que desencadeiam resistência à insulina e, por consequência, podem causar obesidade, alterações de colesterol e triglicerídeos, hipertensão, gordura no fígado, diabetes tipo II, infecções de repetição por queda do sistema imunológico, alterações mentais e emocionais, transtornos digestivos e outros, que acometem um número cada vez maior de brasileiros de todas as faixas etárias. Os consultórios de nutricionistas, por exemplo, têm recebido cada vez mais crianças, abaixo de 10 anos, com gordura no fígado, aumento de colesterol e triglicéridies. Isto é fruto da falta de informação dos pais. Aposto que as prateleiras dos quartos destes pequenos estão cheias de brindes recebidos nos combos infantis da mesma rede de lojas citada pelo meu filho.