É possível fugir de toda a propaganda e oferecer alimentos de qualidade para os pequenos.

No Brasil, boa parte das mães já deve ter ouvido que os bebês não devem consumir açúcar no primeiro ano de vida. Mas a recomendação da Organização Mundial da Saúde é que ele seja evitado nos dois primeiros anos, isso porque os alimentos oferecidos neste período irão interferir diretamente na formação dos sistemas endócrino, imunológico e neurológico. Entre outros efeitos nocivos do açúcar ao organismo, ele prejudica a absorção de vitaminas e minerais, serve de alimento para fungos e más bactérias, que atrapalham o funcionamento do intestino, e rouba energia do sistema nervoso central, gerando cansaço, sonolência e aumento da gordura corporal. Além dos problemas ligados diretamente a ele, o seu consumo está quase sempre associado ao de produtos ultra processados, como bolachas recheadas, refrigerantes, bolos prontos e leites fermentados, entre tantos outros. Eles também estão na mira da OMS e do novo Guia Alimentar do Ministério da Saúde, pois têm em sua composição altos níveis de aditivos químicos, corantes e gordura, e não oferecem quase nenhum nutriente, que são imprescindíveis para o nosso desenvolvimento físico e cerebral.

Nesta importante fase de desenvolvimento é quando mais precisamos de nutrientes para a nossa formação. Ao mesmo tempo, as crianças ingerem pequenas quantidades de alimentos por vez. Se as refeições forem compostas de produtos formados por calorias vazias, açúcar, sódio, gordura e aditivos químicos, eles ocuparão os espaços das vitaminas, fibras ou minerais. Essa substituição faz com que as crianças fiquem mal nutridas e tenham seu desenvolvimento prejudicado. Os efeitos negativos destes alimentos permanecem com o passar dos anos, portanto, o contato com eles deve ser sempre moderado. Isso se torna um desafio principalmente na hora que a criança está no meio dos colegas. Desde às lancheiras, cheias de produtos ultra processados, até o cardápio e às lembrancinhas das festas de aniversário, o açúcar é sempre lembrado. A alegria dos pequenos está, na maioria das vezes, associada a ele.

E vale tudo para conquistar esse ingênuo público. Basta dar uma volta no supermercado com uma criança para ver que os seus personagens preferidos estarão lá, estampando dezenas de embalagens. Parece que quanto mais famoso é o personagem, pior é a qualidade nutricional do produto que ele vende. A única exceção que me lembro agora são as maçãs da Turma da Mônica, vendidas aqui em São Paulo. Normalmente, o que se vê são balas, salgadinhos, chocolates e bolachas recheadas. Pior do que isso são as grandes cadeias de fast food  que atrelam a venda de brinquedos com os personagens da moda à compra da versão infantil de seus combos. Este péssimo hábito é herdado da cultura norte-americana, que é a pior do mundo, ou a número 1 quando se trata de obesidade infantil, por exemplo.

Os consumidores infantis até podem gostar de doces, mas têm, ou deveriam ter, um paladar menos viciado que o dos adultos, e por isso se contentam com sabores mais sutis. Assim como estão aprendendo a andar, a falar, a ler e a escrever, também estão aprendendo a se alimentar. São os pais que devem ensinar o que é melhor para eles e é um bom momento para usar e abusar da comida de verdade. Qual é o problema de mandar batata doce na lancheira da escola? É uma ótima opção de carboidrato e as crianças adoram. Frutas, sucos naturais, flocos de tapioca, biscoitos de polvilho, pães ou bolos caseiros… há muitas opções para variar os lanches sem ter que recorrer aos ultraprocessados.

Fique tranquilo, o seu filho não vai sofrer discriminação na escola por se alimentar de forma saudável, eles nem percebem a diferença. Esse preconceito está somente na cabeça dos adultos.