A antiga e estreita relação entre as emoções e os alimentos agora é tema de pesquisa e até de livro. Certamente você conhece alguém que costuma comer mais quando está triste, com medo ou até com muito cansaço, este hábito pode ser mais comum do que se imagina. Pesquisa divulgada no recém-lançado livro “Código Secreto do Emagrecimento” retrata o impacto das emoções nas escolhas alimentares. No levantamento, 61% dos entrevistados apontam sentimentos desconfortáveis como o principal motivo que os levam a comer demais. Entre os diversos caminhos que podem ser traçados para reverter este comportamento uma novidade tem se destacado, o mindful eating. Um conceito que vem sendo estudado pela nutrição como uma forma de cultivar o equilíbrio emocional e melhorar a relação com a comida.

 

O estudo foi desenvolvido pelo Health Coaching International Institute, que ouviu  2.754 pacientes que elencaram também roupas (54%), apego à autoimagem (49%) e crença contrária à uma dieta saudável (49%) como os principais vilões de tentativas frustrantes e desistências em emagrecer, entre os 23 sabotadores do emagrecimento existentes. De acordo com a nutricionista Gladia Bernardi, autora do livro, “A emoção é um dos sabotadores mais comuns entre as pessoas obesas. Qualquer sentimento e emoção – seja tristeza, raiva, ansiedade, nervoso, frustração, estresse, preocupação ou medo- acionam gatilhos mentais que incentivam a busca por alívio, prazer ou recompensa com a comida. Esse sabotador também pode fazer as emoções de felicidade levarem à comida. Não se trata de uma emoção desconfortável, mas de algo que tem objetivo de aumentar a dopamina (conhecida como o neurotransmissor do prazer) e gerar euforia”, comenta a nutricionista.

 

Quando alguém se alimenta com o intuito de aumentar a dopamina, ou seja, de sentir prazer, costuma escolher alimentos mais gordurosos, doces e carboidratos refinados, que em excesso, colaboram com o aumento de peso. As pessoas que mantém essa busca como um hábito comumente sofrem de ansiedade ou até de compulsão. Vale lembrar que estas características costumam ser vistas como causas do ganho de peso, mas também podem ser encaradas de outra maneira. A ansiedade e a compulsão são sintomas, assim como a obesidade, e todos podem ter as mesmas causas, como deficiência de vitaminas e minerais, causadas pelo baixo consumo de frutas, verduras e legumes e processos inflamatórios causados pelo alto consumo de leite de vaca, farinha de trigo e açúcar. A relação entre estas causas nutricionais, os distúrbios emocionais e o ganho de peso já foram tema de vários posts deste blog. Melhorar a alimentação, com a ajuda de um nutricionista, e procurar um psicólogo são passos importante para modificar a relação das pessoas com a comida e esta reeducação ganha agora um grande aliado, o mindful eating.   

O conceito do mindful eating surge a partir de pesquisas que apontam benefícios de comer com atenção plena para a saúde física, mental e emocional, entre eles o controle das dores crônicas, do estresse, da ansiedade e da depressão, além de ser uma ferramenta ao tratamento da obesidade, por exemplo. “O treinamento voltado para consciência de comer tem a intenção de promover uma maior percepção para questões fisiológicas e emocionais relacionadas à alimentação, como a fome, a saciedade, a degustação, a satisfação e até mesmo para identificar com mais facilidade os gatilhos emocionais do comer”, explica a nutricionista Bianca Naves, da clínica NutriOffice. Se você quer melhorar a sua forma de comer e costuma almoçar enquanto trabalha, ou enquanto resolve problemas pelo celular, se costuma comer alguma coisa enquanto assiste à televisão ou até se tem o hábito de falar sobre assuntos delicados e estressantes à mesa, é bom rever estes costumes. E não basta se alimentar sem nenhum distração externa, é importante aprender a lidar com as distrações internas também.

O mindful eating não se refere apenas à uma dieta, mas sim a um plano alimentar em que a base é entender quando e como comer, colocando a atenção nas sensações proporcionadas por cada alimento ou bebida e sem se envolver em outras atividades ao mesmo tempo, segundo Bianca Naves ” é sobre sentir prazer com a alimentação e valorizar as diversas experiências que a comida nos proporciona. É sobre notar a cor, a textura, o sabor, os aromas e tudo isso em um tempo destinado apenas para esta experiência sensorial, conectando estímulos do alimento aos sentimentos”, salienta a nutricionista. “Envolve todo o nosso corpo, nossas emoções e nossa mente, desde o preparo e a escolha dos alimentos até o momento de comer. É basicamente entrar em contato com todas as sensações que o alimento pode nos proporcionar, usando todos os nossos estímulos de sentidos, unidos ao controle natural da alimentação”.