Com a atual profusão de produtos alimentícios ultraprocessados, estamos comendo cada vez mais e nos nutrindo cada vez menos.

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No útimo post, sobre o emagrecimento, falei rapidamente sobre os produtos diets e ligths. Hoje vou me aprofundar neste tema e ir até um pouco além. Quero falar sobre a substituição da comida de verdade pelos produtos alimentícios erroneamente considerados saudáveis. É cada vez mais comum nos depararmos com embalagens que destacam o “não”, o “zero”, ou o “menos”. Zero açúcar, não contém conservantes, menos gordura… Muitas pessoas têm feito suas escolhas baseadas na ausência de determinados elementos. Vale parar um pouco para pensar e procurar saber o que eles têm. Têm fibras? Têm vitaminas? Minerais?

Como eu já disse anteriormente, somos formados por nutrientes e, consequentemente, pelo que ingerimos. Nos dias de hoje, estamos comendo mais e nos nutrindo menos. Uma alimentação pobre em nutrientes e rica em aditivos químicos irá gerar carências que podem ser a causa de muitos desequilíbrios, que por sua vez, podem desencadear alteração de humor, cansaço, enxaqueca, distúrbio digestivo e baixa do sistema imunológico, com gripes frequentes ou infecções de repetição, como rinite, amidalite e sinusite, ente muitos outros.

Há hoje uma disputa desigual entre a comida de verdade e os produtos alimentícios industrializados, principalmente os ultraprocessados (refrigerantes, salgadinhos, bolachas recheadas, gelatinas, balas super coloridas e embutidos). Quem desregula esta balança é a publicidade que tem conseguido promover este grupo dos “zero”, “menos” e “não” como se fossem excelentes aliados de uma dieta com baixas calorias, o que por si só já a transformaria em uma dieta saudável, o que é outro grande erro.  Quem perde a batalha são os alimentos naturais, que são classificados como mais calóricos, mas que contêm tudo o que necessitamos para funcionar.  

Eu, claro, sou torcedora do grupo desprestigiado. Não sou radical, mas posso dizer que praticamente não consumo os ultraprocessados. Apesar disso, reconheço que eles podem ser muito saborosos. Porém, todo esse sabor tem um preço muito alto, que na maioria das vezes é obtido por meio de substâncias nocivas, como realçadores de sabor, corantes e sulfitos que, em excesso, podem causar desde reações na pele até distúrbios no sistema nervoso central, gerando problemas mentais e até emocionais. A praticidade dos produtos prontos, que é outro argumento utilizado para promovê-los, não deveria ser aceita pelo público. No post “Vamos pra Cozinha?” mostro que é possível se alimentar bem com a mesma praticidade.

Vale tudo para conquistar o percentual crescente dos brasileiros que tem demonstrado uma preocupação com a saúde na hora de se alimentar. Eles têm ido às compras em busca de produtos saudáveis e têm encontrado dizeres como “enriquecido com ferro”, “contém vitaminas”, “rico em anti-oxidantes”. Pode ser uma ótima estratégia de venda, mas não representa necessariamente um benefício para o organismo. As vitaminas e os minerais trabalham em conjunto e dependem umas das outras para cumprirem o seu papel e isso só será possível por meio de uma alimentação também equilibrada com o consumo de alimentos de verdade e de todos os grupos.

Sempre ouço que “meu avô tem 80 anos, come de tudo e está muito bem”. Então agora é a minha vez de usar esse argumento. Nossos avós com certeza se alimentavam muito melhor do que as gerações mais novas e naquela época não existia peito de peru light, batata chips sem gordura trans, gelatina diet, presunto com menos sódio, suco enriquecido com vitaminas, leite enriquecido com ferro. Muito simples, não existiam porque não eram necessários, porque as versões originais também não existiam e não faziam a menor falta. A alimentação tradicional dava conta de tudo o que eles precisavam.

Hoje, por outro lado, a rotina alimentar de boa parte dos brasileiros é repleta destes produtos vazios e isso os pode fazer comer mais. Explico. Assim como existem locais onde o oxigênio é escasso e as pessoas têm que respirar com mais frequência e intensidade, o consumo de produtos alimentícios sem nutrientes não supre as necessidades do organismo e ele pede cada vez mais destes alimentos para atingir o mínimo necessário. A Organização Mundial da Saúde reconhece a relação entre aquilo que comemos e o nosso estado geral de saúde. De acordo com o órgão, 80% dos casos de diabetes tipo II, de problemas prematuros do coração e de AVC (acidente cerebral vascular), e 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados se houvesse uma alimentação adequada, redução do uso de tabaco e atividade física regular. O problema está no que se entende por “alimentação adequada”.