Não foi por acaso que 16 de outubro foi a data escolhida para se comemorar o Dia Mundial do Pão. É também nesta data que se comemora o Dia Mundial da Alimentação. Para mim, o pão é um grande símbolo utilizado para ilustrar o ato de se alimentar. Vou unir então as duas comemorações em um post só e mostrar que sabendo variar o pão nosso de cada dia é possível melhorar muito a oferta de nutrientes oferecidos por este alimento tão popular. Esse é justamente o objetivo do Dia da Alimentação, conscientizar as pessoas sobre a sua importância para a promoção da nossa saúde e da nossa qualidade de vida.

 

Nas grandes cidades, basta uma rápida visita a uma padaria no período da manhã ou no final da tarde para se deparar com os balcões cheios de pessoas comendo o seu pão na chapa ou na fila esperando para comprá-lo. Mesmo assim tenho notado um crescente interesse de muitos brasileiros por fazer o seu próprio pão. É sobre as versões caseiras que eu quero falar.  O francês tradicional, que é o mais consumido por aqui, ou os industrializados ‘de forma’, que também são bastante procurados, são carboidratos simples e refinados, que não nos agregam nada além de uma energia momentânea e passageira. Enquanto isso, as suas inúmeras variações podem nos oferecer uma saciedade mais permanente, com mais fibras, vitaminas, minerais e até proteínas. Além de ganharmos com os novos  sabores, a nossa saúde também agradece.

 

Se não dá tempo de fazer o seu, é possível comprar os caseiros feitos por outras pessoas. Tenho uma amiga jornalista que passou a trabalhar em casa para ficar com os filhos pequenos e a fazer o seu próprio pão. Como base usava o que estivesse na época e o que estivesse mais bonito no dia: mandioquinha, abóbora, cenoura, batata doce, inhame, batata. Eles ficavam lindos e a cada foto postada nas redes sociais surgiam muitas encomendas. Resultado? Passou a vendê-los e mudou o seu ganha-pão, com o perdão do trocadilho. Essa mesma receptividade foi percebida pelos meus tios que se mudaram recentemente para Cunha, no interior de São Paulo. O meu tio se aposentou e foi fazer um curso de fermentação natural, o novo hobby logo se tornou uma fonte de renda alternativa, ao lado da esposa, hoje eles fornecem pães caseiros para pousadas da região e fazem vendas por encomenda. Os pães são feitos com trigo sarraceno e figo, aveia e mel, farinhas de arroz, de batata, de mandioca, entre muitas outras opções.  

 

Pra quem deseja consumir menos carboidratos também há várias opções de ingredientes como a biomassa feita com a banana verde cozida na pressão, as farinhas de oleaginosas com a de amêndoas, as de leguminosas com a de grão de bico e até as de legumes, como a de berinjela. Se você mora em São Paulo pode dar uma passadinha na Zona Cerealista, são várias lojas que vendem grãos e farinhas a granel na região central da cidade. Onde encontramos os mais variados tipos de ingredientes, na internet há centenas de receitas para você não se arriscar e também dá pra usar a imaginação na hora de substituir a farinha tradicional. Não tem tempo para ir até lá? Muitas lojas entregam em casa, é só fazer o pedido pela internet. Você também vai encontrar muitos alimentos ricos em fibras solúveis como a quinua, o amaranto, a chia e a linhaça, que podem ser colocados em todas as massas para aumentar o seu potencial nutritivo dos pães e a saciedade e reduzir ainda mais o índice glicêmico, para fazer com que a glicose não aumente muito rápido no sangue. Outros ingredientes interessantes para enriquecer nossas preparações são as sementes, como as de abóbora, as de girassol e as gergelim, elas dão crocância aos pães e podem ser acrescentar na massa já batida ou sovada. Assim como as oleaginosas picadas, as minhas preferidas são as castanhas de caju ou do Pará, você pode usar nozes, avelãs, macadâmias, amêndoas. Com um pouco de criatividade dá pra fazer uma nova receita a cada semana.

 

Se a ideia é ter ainda mais facilidade na hora de fazer o seu próprio pão também não faltam opções. Tenho frequentado algumas feiras de nutrição e a cada ano cresce o número de misturas prontas para pães, normalmente basta acrescentar, água, ovos, óleo e pronto. Mas tem ainda as versões veganas, sem nenhum ingrediente de origem animal, ou seja, sem ovos. Há opções com e sem glúten, para as pessoas que já entenderam que está proteína nos faz bastante mal. (Publiquei vários posts aqui que detalham os efeitos nocivos do glúten sobre a nossa saúde). Há ainda as máquinas de pão, você coloca todos os ingredientes lá e pode programá-las para que o pão fique pronto na hora que você quiser, por exemplo: Quer um fresquinho para o café da manhã? Basta fazer a programação e a máquina começará a trabalhar às quatro horas da manhã, para que às sete você acorde com cheiro de pão quentinho. Com tantas ideias novas fica o desafio: que tal começar a preparar o seu próprio pão? Pode virar um hobby, uma nova fonte de renda ou um grande aliado na prevenção de muitas doenças ligadas a uma rotina alimentar desequilibrada.