Na semana passada falei sobre manifestações alérgicas, que resultam do contato com fatores externos como banho quente, banho de sol e atividade física, mas que têm como base alergias alimentares e desequilíbrios gerados por maus hábitos. Hoje o tema são as reações alérgicas manifestadas em bebês e crianças, que, por conta da sua fragilidade, podem ser bastante perigosas. Vou aproveitar para lembrar dos pequenos que têm algumas restrições alimentares, ainda que não sejam alérgicos a nenhum alimento, e que geram estranheza por onde passam.

 

A partir dos seis meses de vida, os bebês entram no processo de introdução alimentar. Um organismo saudável deve estar preparado para receber os alimentos, desde que sejam naturais: legumes, verduras, tubérculos, leguminosas, proteínas de origem animal, cereais integrais e frutas. Porém, se o pequeno já estiver sobrecarregado de proteínas mal-digeridas, que recebeu por meio do leite materno, terá uma grande chance de manifestar reações alérgicas a alimentos de maior potencial alergênico ou a fatores ambientais. Como, por exemplo, ficar todo empipocado após ser picado por um inseto ou ao entrar em um ambiente com pontos de mofo.     

 

As mães que amamentam e consomem com frequência produtos feitos com leite de vaca, soja e farinha de trigo estão passando para os filhos substâncias que não temos condições de digerir adequadamente, em nenhuma fase da vida. A presença das macromoléculas não absorvidas pode gerar processos inflamatórios nos bebês com diversos sintomas negativos, que vão desde cólicas e irritação até problemas de pele, obesidade, amidalite, otite, bronquite, dermatite e reações alérgicas a fatores externos ou a alimentos que deveriam ser bem aceitos. Quando permanecem em contato direto ou indireto com estas fontes, os problemas poderão acompanhá-los por toda a vida mudando apenas de órgão ou a gravidade das consequências. O quadro fica ainda pior quando a criança deixa de ser amamentada logo nos primeiros meses de vida e já recebe produtos feitos com leite de vaca ou de soja. E quando já é apresentada a produtos feitos com farinha de trigo, leite, soja e açúcar no início da introdução alimentar.  

 

Além destas alergias tardias e escondidas, há formas mais imediatas e graves, ainda que menos frequentes, como a APLV, a alergia imediata às proteínas do leite de vaca, que costuma atingir bebês e crianças nos seus primeiros anos de vida. Por isso vale reforçar o alerta feito por tantos pais na internet: Não dê comida para um bebê ou para uma criança sem perguntar para o responsável se ele pode consumir aquele alimento, por mais que lhe pareça algo inofensivo. Também não beije um bebê sem pedir permissão aos adultos pois ele pode ser suscetível ao mínimo contato com qualquer fator alergênico.

 

Outras tantas famílias que não têm filhos alérgicos também preferem mantê-los afastados de alimentos e produtos alimentícios com potencial alergênico (inflamatório) e que são mal digeridos por todos nós, em todos os momentos da vida, como os que já foram citados nos parágrafos anteriores. Mesmo que não apresentem reações alérgicas imediatas, todas as crianças sofrem com os efeitos nocivos do consumo frequente e excessivo destes alimentos e de produtos ultraprocessados, como: bolachas recheadas, salgadinhos, macarrão instantâneo, refrigerantes, balas, caldos, molhos e temperos prontos, salsicha e outros embutidos, entre tantos outros. As reações irão variar de acordo com a predisposição genética e o estado nutricional de cada um. Pais e mães que, como eu, optam por uma alimentação livre destes itens tão consumidos na nossa sociedade, costumam ser frequentemente questionados sobre estas escolhas e, muitas vezes, desrespeitados com a grande oferta destes alimentos para os seus filhos, quando estão longe dos seus olhos.

 

É bastante comum ouvirmos que a criança que não come tudo que as outras comem está sofrendo ou se sentirá excluída. Para estes argumentos, reforço que os pequenos não têm as mesmas referências alimentares do que os adultos. O meu filho, por exemplo, tem cinco anos e nunca tomou refrigerante, ele não fica com vontade de fazê-lo porque não conhece o gosto e não sofre nem um pouco com isso, pelo contrário, fica muito satisfeito com os sucos integrais não adoçados. Ele não reconhece como algo comestível aqueles doces de diferentes cores, texturas e formatos vendidos em embalagens coloridas com seus personagens favoritos, por isso nunca nem teve vontade de experimentá-los. Na escola, não sofre nenhuma discriminação por levar lanches diferentes dos amigos. As crianças não nascem discriminando ninguém, vão aprender a ter esse preconceito com os pais.

 

Pra finalizar, vou lançar mão de mais alguns argumentos para que mães, pais, amigos e familiares de crianças sintam mais pena de alimentá-los mal do que de restringir o seu acesso a determinados produtos: quanto mais cedo temos contato com sabores fortes como os dos ultraprocessados, menos o nosso paladar estará receptivo aos mais sutis, como o dos alimentos naturais; quem come poucos alimentos naturais e mais laticínios, doces, carboidratos refinados e ultraprocessados tem grandes chances de ficar desnutrido ou obeso, com graves consequências para a saúde presente e futura; açúcar e aditivos químicos interferem diretamente na função cerebral, podendo ser parte das causas de problemas neurocomportamentais como hiperatividade, déficit de concentração e aprendizagem, ansiedade, depressão e agressividade, entre outros; bebês que mamam e entram em contato com sucos artificiais, leite de vaca e produtos adoçados têm uma enorme chance de não aceitarem mais o leite materno. Estas são apenas algumas consequências de hábitos alimentares errados praticados com as crianças. Este tema já foi abordado detalhadamente em diversos posts deste blog. Se quiser saber mais, basta fazer uma pesquisa no campo acima com algumas palavras-chaves relacionadas ao assunto.