Com os hábitos alimentares atuais o nosso organismo tem sido exposto a diversos elementos que são estranhos a ele, dos quais precisa se defender, como os aditivos químicos dos produtos ultraprocessados e os agrotóxicos, além das toxinas, proteínas e elementos de difícil absorção, vindos dos alimentos, que já demandam alguns processos naturais de defesa. Podemos somar a isso a poluição do ar e os produtos químicos que inalamos diariamente e que usamos para limpar ou perfumar a casa, amaciar as roupas, espantar mosquitos etc.

 

Nós somos feitos para tolerar esses agressores, temos órgãos, células e mecanismos de defesa que nos protegem de forma muito eficiente, eliminando o que não podemos absorver e fazendo com que o organismo passe a lidar com eles sem que prejudiquem o nosso bem estar. Porém, nas últimas décadas, a quantidade e a variedade dos ‘invasores’ aumentaram exponencialmente, o que exige um esforço ainda maior dos nossos defensores. Mas, todas estas células, órgãos e estruturas de defesa são formados por nutrientes e por compostos bioativos, que só chegam até nós por meio de alimentos naturais, que muitas vezes são deixados de fora dos cardápios brasileiros, como frutas, verduras e legumes. O consumo diário da chamada ‘comida de verdade’ também determina a qualidade da microbiota do intestino, o nosso principal órgão de defesa. Uma microbiota saudável estimula a formação de mais de 70% das células de defesa e, juntamente com as vitaminas A e D, formam também as células conhecidas como tolerogênicas, que evitam a formação de auto-anticorpos e que controlam a potência da resposta do organismo aos agressores, para que esta não nos cause sintomas nocivos.

 

Quando o organismo está equilibrado, com hábitos alimentares balanceados e uma microbiota saudável, é capaz de tolerar a presença de agressores. Porém, quando há excesso deles, vindos por exemplo de uma rotina alimentar baseada em produtos ultraprocessados e com ausência de alimentos naturais, normalmente a microbiota intestinal é bastante prejudicada e tem dificuldade de cumprir o seu papel protetor. O resultado é um sistema imunológico fragilizado e o aparecimento de sintomas como herpes, furúnculos, candidíase ou verrugas frequentes, gripes e resfriados que aparecem repetidamente e processos inflamatórios constantes, que variam de acordo a predisposição genética, como rinites, sinusites, amigdalites, bronquites, infecções urinárias, entre outros.

 

Atenção, é possível criar um sistema imunológico poderoso, mas para isso é importante prestar atenção nos hábitos alimentares desde antes do nascimento de uma criança. De acordo com o Programa dos Mil Dias, da Organização Mundial da Saúde, o que é oferecido para elas, desde o período de gestação, até que completem 2 anos, será determinante para a prevenção de diversas doenças e sintomas nocivos por toda sua vida. É importante que o bebê seja amamentado, de preferência por dois anos e até os seis meses de forma exclusiva, e que receba uma introdução alimentar correta, com bastante comida de verdade e nenhum produto ultraprocessado, como deve ser também a alimentação das gestantes, seguindo o que é recomendado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.