“Adulto que não come doce está cuidando da saúde e criança que não come doce é coitada”. Essa frase da Bela Gil define bem o que boa parte das pessoas costumam pensar quando o assunto é alimentação saudável. Em seu novo livro “Bela Maternidade”, a culinarista fala sobre a sua experiência em cuidar dos dois filhos e também sobre o meu tema favorito: a busca por uma rotina alimentar equilibrada. Há menos de uma semana da Páscoa, é interessante pensarmos se não estamos estendendo as tradições desta data para o ano inteiro e oferecendo muito mais chocolate para as nossas crianças, e açúcar em geral, do que elas deveriam consumir.

Muitas pessoas entendem que só devem se preocupar com o que vão comer na fase adulta, caso estejam acima do peso ou com alguma taxa alterada. Nesses casos, os novos hábitos aparecem como um castigo e os antigos são vistos como algo muito prazeroso de que se deve abrir mão. Com esse pensamento oferecem às crianças os alimentos mais prazerosos, para que elas não precisem passar pelo mesmo sacrifício. Mas existem aí dois erros conceituais. O primeiro é que a comida é apenas o que nos dá energia. Na verdade, os alimentos que escolhemos são determinantes para todo o funcionamento do nosso organismo. Se ele tiver uma matéria-prima de qualidade irá funcionar bem, se tiver uma matéria-prima ruim, irá funcionar mal, é simples assim. Com as crianças essa lógica fica ainda mais nítida.

Outro erro é acreditar que apenas as comidas cheias de gordura, açúcar, leite e aditivos químicos são gostosas e que as crianças só vão gostar de doces, sanduíches, bolachas, salgadinhos. Esses produtos ultraprocessados são mesmo de fácil aceitação porque têm centenas de aditivos químicos utilizados exatamente para nos dar prazer. Mas cabe aos adultos entender que eles são muito nocivos para a saúde de todo nós e, sobretudo, para a dos que estão em formação. Além disso, eles tiram a vontade e o gosto das crianças pelas opções naturais, que deveriam ser os seus únicos alimentos. O paladar infantil será educado da forma que os responsáveis preferirem, os pequenos só terão contato com o que lhes é prejudicial se isso lhes for apresentado por um adulto. Se nós só oferecermos receitas caseiras feitas com ingredientes de qualidade, é disso que eles irão gostar. E na internet há milhares de receitas naturais e muito gostosas para este público. Até quem não tem tempo de cozinhar já pode encontrar produtos industrializados de boa qualidade, voltados também para eles.

Em datas como a Páscoa, por exemplo, dá para abrir uma exceção para o chocolate, o problema está no excesso de açúcar que muitas crianças estão acostumadas a comer, diariamente. Porém, se o seu filho tiver menos de dois anos, é preciso sim se manter firme para que ele fique longe do açúcar. Para isso, muitas vezes é preciso brigar com os familiares e amigos que ficam com pena da criança. Basta que eles façam uma simples reflexão: se o pequeno nunca foi apresentado aos alimentos feitos com açúcar, ele não tem nenhuma referência sobre o sabor que eles têm, portanto não irá ficar com vontade. Ele pode até olhar para um doce que alguém estiver comendo perto dele, como olharia para qualquer outro alimento, mas nesse caso é só mudar o seu foco. Os malefícios que o açúcar irá lhe causar certamente não compensarão a curta experiência que você gostaria de proporcioná-lo. Estes efeitos nocivos já foram tema de outros posts deste blog. Além disso, é possível fazer doces sem açúcar, que certamente irão agradá-los. Quando o paladar ainda não foi acostumado com muitos aditivos químicos e açúcar, ele aceita tons menos doces e fica igualmente satisfeito. Pode reparar, na maior parte dos casos ele irá até estranhar se entrar em contato com algo doce demais.