É fato que algumas doenças preexistentes podem agravar o quadro da Covid-19, a asma é uma delas. O que pouco se sabe é que há maneiras de evitar as crises asmáticas e, indiretamente, se proteger contra este possível agravamento. Mais uma vez, o segredo está na prevenção, em focar os esforços na causa do transtorno e fazer o possível para modificá-la. O consumo frequente do leite de vaca e de seus derivados está comprovadamente relacionado com o aumento do processo inflamatório nos brônquios e com o aumento da formação de muco. Os efeitos nocivos desse alimento sobre a saúde geral do organismo já foram abordados em outros posts deste blog, mas vou retomar as informações mais importantes. 

 

De acordo com a nutricionista, Denise Madi Carreiro, autora do livro Alergia, Hipersensibilidade e Intolerância Alimentar: “O alimento produzido pela vaca é feito para os animais da sua própria espécie, que possuem todas as condições necessárias para o seu aproveitamento. Os seres humanos não têm a quantidade de enzimas suficiente para ‘quebrar’ todas as proteínas presentes nos laticínios, que possibilitaria a sua correta absorção e utilização. O acúmulo dessas proteínas mal digeridas pode gerar processos inflamatórios que irão resultar em diversos sintomas adversos no organismo. Assim como toda proteína mal digerida, as do leite de vaca servem de alimento para fungos e más bactérias, que alteram a microbiota intestinal; prejudicando a permeabilidade do órgão; favorecendo a absorção de substâncias indesejadas e a má absorção de vitaminas e minerais e desestabilizando o sistema imunológico como um todo”, explica. 

 

É difícil associar este consumo às suas consequências pois elas não aparecem logo após a ingestão do alimento e porque atingem órgãos muito diferentes, que variam de pessoa para pessoa, de acordo com as predisposições genéticas. Quando a inflamação se instala no sistema respiratório pode causar rinite, bronquite, sinusite ou asma. Também pode afetar o sistema nervoso central, gerando ansiedade, irritabilidade e depressão ou a pele, causando dermatite, entre muitos outros exemplos. Quase sempre os sintomas são tratados separadamente por profissionais das áreas específicas. Dessa forma, podem ser amenizados, mas, como a causa continua agindo no organismo, pode voltar a aparecer ou pode se manifestar em outro órgão. 

 

A intensidade das reações é definida, entre outros fatores, pelo estado do intestino e, consequentemente, do sistema imunológico. Uma pessoa cuja alimentação se baseia em cereais, leguminosas, frutas, verduras e legumes e que praticamente não consome ultraprocessados, certamente estará mais fortalecida para lidar com os efeitos nocivos do leite de vaca ou de qualquer outro agressor. Segundo a nutricionista: “É importante fazer algumas mudanças na rotina alimentar para fortalecer o organismo e aumentar a sua capacidade para tolerar ou combater agressores, como o novo coronavírus. “Quando retiramos totalmente o leite de vaca dos pacientes por um mês, já é possível notar muitas melhorias no organismo, como  a diminuição, parcial ou total, dos casos de crises respiratórias, principalmente se ele adotar um estilo alimentar baseado no consumo regular e adequado de frutas, legumes e verduras. Depois do primeiro mês, o ideal é que o alimento volte a ser consumido com uma frequência menor, por exemplo, uma vez a cada três ou quatro dias. Normalmente a pessoa passa a identificar os seus efeitos logo após o consumo e escolhe diminuir bastante o contato com ele e com os seus derivados”, conclui Denise Madi Carreiro. 

 

Quem estiver disposto a fazer o teste pode substituí-lo por leites vegetais, feitos de arroz, aveia, inhame, castanhas, coco ou amêndoas, entre outros, que já estão disponíveis em muitos supermercados do País ou que podem ser feitos em casa. Também há versões de iogurte, queijos e chocolates feitos com leite vegetal. Os produtos ‘sem lactose’ não são uma opção para substituir os originais. Eles poderão amenizar apenas os sintomas relacionados à intolerância à lactose, que é o açúcar do leite, que normalmente causa desconfortos intestinais, mas mantém as proteínas na sua composição. Essas mesmas pessoas também costumam ter problemas para digerir as proteínas do leite e, nesse caso, estes produtos sem lactose não trarão nenhum benefício.

 

Após a publicação deste post, a  Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI)   e a  Associação Brasileira dos Produtores de leite (Abraleite)  enviaram as seguintes notas contestando as informações aqui apresentadas:

“A Medicina Baseada em Evidências constitui a única fonte fidedigna
capaz de conduzir diretrizes e protocolos de condutas. Informações obtidas a
partir de opiniões de “experts”, casos clínicos isolados ou de baixa amostragem
são vastos e não implicam conhecimento reprodutível. A exclusão do leite de
vaca como prevenção de crises de asma em pacientes infectados pelo Covid-19
é uma informação leviana, imprudente, irresponsável, completamente contradita
pelas evidências científicas consagradas.

Esclarecemos que a alergia ao leite de vaca é uma doença de múltiplos
espectros clínicos, mas não há evidências de que a asma, como sintoma isolado,
seja uma das formas de manifestação. Salientamos também que o diagnóstico
de alergias ou intolerâncias deve ser estabelecido por médicos, que apresentam
capacidade técnica e discernimento para avaliar individualmente cada caso. E
que a exclusão de qualquer alimento como forma de prevenção é prática
completamente contraindicada sob qualquer premissa, acarretando inclusive
riscos de reações alérgicas graves no momento de sua reintrodução.”

  Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI)
“Muco respiratório? A culpa não é do leite!

Existe uma crença entre algumas pessoas de que o consumo de leite ou
produtos lácteos aumenta a produção de muco no sistema respiratório. E, por
isso, essas pessoas reduzem o consumo ou deixam de consumir leite.
Mas, várias pesquisas publicadas não mostram qualquer associação
entre consumo de leite e aumento da produção de secreção nasal.
Um desses estudos, desenvolvido na Austrália e publicado no “Journal of
American College of Nutrition”, um dos mais importantes periódicos da área de
nutrição humana, mostrou que é a crença que faz com que as pessoas relatem
aumento na ocorrência de sintomas respiratórios após o consumo de leite.
Para o desenvolvimento da pesquisa, os voluntários foram inoculados com o
vírus da gripe, e aqueles que afirmavam que o leite aumentava a ocorrência
dos sintomas relataram entupimento nasal, coriza, presença de secreção na
garganta, dentre outros, logo após consumirem leite.
Mas, o resultado mais interessante é que elas relataram os mesmos sintomas
ao tomar uma bebida à base de soja, com sabor idêntico ao do leite, mostrando
que é a percepção (não o consumo em si) do consumo do leite que
desencadeia os sintomas descritos por aqueles que creem que os lácteos são
responsáveis por aumentar seus problemas respiratórios.
Segundo os autores, também não houve nenhum tipo de associação entre o
consumo de leite e a exacerbação dos quadros de bronquite asmática, uma
inflamação crônica do trato respiratório inferior.”

Por Flávia Fontes, Médica Veterinária, DSc. Ciência Animal, Vice-diretora científica da Abraleite,

idealizadora do Movimento #bebamaisleite

Associação Brasileira dos Produtores de leite (Abraleite)

O objetivo do meu trabalho é garantir ao leitor o direito a informações isentas e seguras sobre comportamento alimentar. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que em nenhum momento o post utilizou o termo ‘alergia’, pois tratava de processos inflamatórios gerados por hipersensibilidade alimentar, que deve ser diagnosticada e tratada por profissionais da nutrição. O texto pode ter dado margem a uma interpretação errônea sobre uma associação entre o leite de vaca, o sistema imunológico e uma possível proteção imediata contra os efeitos do novo coronavírus, mas não cita os pacientes já infectados por ele. As dicas se referem à prevenção das crises asmáticas, antes que a Covid-19 seja contraída, para que se evite um possível agravamento do quadro.

Ao informar a minha fonte, a nutricionista Dra. Denise Carreiro, sobre o confronto das informações prestadas, recebi a seguinte resposta: “Considero que os parâmetros que definem a medicina baseada em evidência são extremamente necessários para avaliação e validação da eficácia do uso de drogas e medicamentos, porém tal metodologia não tem a abrangência necessária para avaliar todas as ações, interações, benefícios e malefícios das substâncias presentes nos alimentos, muitas delas que ainda estão sendo estudadas pela ciência da nutrição, principalmente ao se considerar a sua individualidade bioquímica. Concordo que existem estudos científicos que demonstram não haver correlação entre o consumo de leite de vaca e os distúrbios respiratórios, mas também há aqueles que comprovam a correlação da disbiose intestinal e dos desequilíbrios dessa microbiota com a microbiota pulmonar. A ciência existe para isso, para apresentar estudos, mesmo que contraditórios, que, uma vez isentos de qualquer outro interesse, sempre serão respeitados. Hipersensibilidades alimentares provocadas pela ação dos anticorpos IgM, IgG e Sistema Complemento, ou seja mecanismo de hipersensibilidade tipo III de Gell e Combs,  são reconhecidas pela ciência deste a década de 70 e demonstram processos imunológicos de reação tardia que levam a processos inflamatórios crônicos de baixa intensidade, podendo afetar diversos órgãos de acordo com a predisposição genética, sendo que os principais fatores associados à esses processos são os erros de comportamento alimentar atual”.

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