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O Brasil é o 4º País que mais consome açúcar no mundo

 

Lá vem ela falar mal do meu alimento preferido, de novo. É verdade. O objetivo deste blog é mostrar um lado da alimentação que a indústria precisa esconder e como “ninguém bate em cachorro morto” o meu foco são sempre os queridinhos do País. A vítima do post de hoje é o açúcar, que na verdade tem sido um dos algozes da saúde dos brasileiros e nos coloca hoje na quarta posição do ranking mundial de consumo deste ingrediente. Observando a rotina dos que estão à nossa volta fica fácil entender porque.

 

Logo cedo ele aparece em altas doses no café ou no suco dos adultos e no suco ou no leite com achocolatado dos pequenos. Também está nos cereais, nos biscoitos, nas geleias e nos bolos prontos. A ideia que nos passam é que ele precisa estar na nossa mesa neste momento para nos dar “energia para encarar o dia”. Poucos sabem que ele faz o contrário. Se em um primeiro momento é rapidamente absorvido e dá um pico de glicose no sangue, isso leva o organismo a liberar uma alta quantidade de insulina para utilizar esse açúcar na célula, levando a uma queda desse açúcar no sangue, ou seja, pode causar uma hipoglicemia reativa, o que, por sua vez, pode gerar sintomas como: falta de concentração, agitação, irritabilidade, sonolência, tontura, enjoo e até dor de cabeça.

 

Na hora do almoço os doces, cada vez mais atraentes, ficam estrategicamente posicionados na frente de todos os outros pratos na maioria dos restaurantes por quilo do País, onde almoçam boa parte dos brasileiros. É claro que eles estão ali porque os frequentadores chegam famintos e mal conseguem raciocinar sobre o que vão escolher. A oferta de açúcar é irresistível para um organismo faminto, cujo cérebro necessita de fontes de energia de rápida absorção, e o açúcar e os carboidratos são fontes delas. Então é bom pegar sempre uma sobremesa. Se você é daqueles que “precisa” de um docinho depois do almoço, cuidado, isso pode demonstrar resistência à insulina, que com o passar do tempo pode colaborar com o aumento de peso e, para aqueles que não têm esta tendência, também é prejudicial porque vai tirar sua energia e sua concentração para o trabalho nas horas seguintes.

 

Chega a noite, voltamos pra casa e queremos relaxar, compensar o estresse, as irritações e as frustrações do dia ou queremos comemorar algum fato positivo e, quem estará lá nos dois casos? Ele, o açúcar, que aparece em forma de sorvete, chocolate, bolo, bolacha recheada e todas as outras maneiras que a sua criatividade encontrar. Porém, consumir açúcar antes de dormir é extremamente prejudicial para o sono, pois mais uma vez pode facilitar uma hipoglicemia, gerando sintomas como sono agitado, pesadelo, suor noturno e até mesmo fazer com que você acorde de madrugada para um lanchinho.  

 

E esta relação tão íntima com ele parece que já nasce com a gente. O que contraria a orientação do Guia de Pediatria de só se oferecer açúcar depois do primeiro ano de vida. Hoje os bebês são apresentados à substância bem mais cedo do que isso em casa, nas creches ou nas escolinhas. De acordo com uma pesquisa recente do Ministério da Saúde, por exemplo, 72% dos bebês com menos de 1 ano já consomem bolacha recheada com frequência. E a moda do Smash the Cake já ouviu falar? A sessão de fotos gira em torno do contato entre os pequenos e um bolo inteiro que eles vão comendo e se lambuzando. Que chatice, que exagero, quanto radicalismo, quer dizer que nunca mais posso comer doce? Qual o problema de amenizar o peso da rotina com eles? O problema, como sempre, está no excesso e na alta frequência desse consumo, que como eu já exemplifiquei, pode trazer problemas para a sua saúde física, mental e emocional.

 

Que tal então tentar fazer pequenas mudanças para poupar o organismo sem abrir mão do prazer? A saída não é substituí-los pelas versões ‘diets’, até porque muitos adoçantes têm substâncias como o aspartame e a sacarina sódica, cujos efeitos podem ser até piores do que os do açúcar. O ideal é tentar diminuir a quantidade utilizada no café, faça isso aos poucos, tentar cortar as sobremesas dos almoços diários, seu bolso vai agradecer e você se sentirá mais disposto para voltar às atividades, acredite. Foque nas frutas, elas podem ganhar uma pitada de canela por exemplo e com um pouquinho de cozimento já viram ótimas opções de doces, funciona com a banana, com o abacaxi, com a maçã… a manga batida vira um creme doce que não precisa de açúcar nenhum. A alegria da noite estará garantida. Para o café da manhã existem opções de sucos prontos com níveis bem mais baixos de açúcar, cereais sem açúcar, até os achocolatados podem dar lugar à marcas de chocolate em pó com 50% de cacau, o mel também pode entrar em várias preparações. Se sobrar um tempinho, tente preparar seu próprios bolos, tudo que é feito em casa é mais indicado do que o que é comprado pronto. Mas nada de rechear e cobrir com brigadeiro ou leite condensado né?

 

As mudanças podem ser graduais até que o paladar seja reeducado. Quem está acostumado com altas doses de açúcar, de realçadores de sabor, de corantes e outros tipos de aditivos químicos (substâncias presentes nos alimentos ultraprocessados) fica com o paladar anestesiado e sente dificuldade de aceitar sabores mais delicados como o das frutas. Posso fazer uma comparação com as pimentas: quem costuma comer bastante pimenta sabe do que estou falando, no começo só aguentamos pequenas quantidades, mas com o passar do tempo vamos adquirindo resistência e precisamos de doses cada vez mais altas para sentir o seu gosto. Mas quando se trata do açúcar, uma hora esse ciclo terá que ser quebrado e os benefícios desta redução compensam, você certamente se sentirá mais disposto, mais calmo, poderá emagrecer ou até reduzir o risco de desenvolver alguma doença crônica não transmissível, como o diabetes tipo 2.

 

Mais uma vez é importante ficar atento aos rótulos dos produtos industrializados, você pode estar consumindo mais açúcar do que imagina, já que ele está até na composição de boa parte destes itens, mesmo nos alimentos salgados, como molho de tomate, biscoitos e pães. E, de acordo com o IDEC, o Instituto de Defesa do Consumidor, também pode aparecer nos rótulos com diferentes nomes, como: açúcar invertido, glucose de milho, xarope de malte, sacarose, maltose e xarope de milho, entre muitos outros.

 

Você pode se perguntar: se o açúcar faz tão mal à saúde por que não se fala sobre isso? Não se fala sobre isso porque não é rentável nem para a indústria alimentícia, nem para a indústria farmacêutica. Prova disso foi uma descoberta revelada na semana passada pelo jornal Jama Internal Medicine sobre um acordo feito em 1964 entre um grupo conhecido como Associação do Açúcar e alguns pesquisadores de Harvard,  que receberam dinheiro para esconder pesquisas que demonstravam a relação entre o consumo de açúcar e problemas de saúde como diabetes e doenças cardíacas. O acordo parece ter funcionado bem durante muitas décadas. Mas hoje já há diversas publicações comprovando os efeitos nocivos da substância para nossa saúde. Portanto há pesquisas contrárias e favoráveis a ele, basta saber em que é mais gostoso e confortável acreditar.