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Em outubro do ano passado foi divulgado um relatório que relacionava o alto consumo dos alimentos embutidos ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Na época, houve quem esbravejasse, quem ficasse assustado e quem não deu a menor importância. Hoje, sete meses depois, parece que ninguém mais se lembra do fato. A pesquisa que gerou o alerta foi feita pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial da Saúde, e reuniu 800 estudos científicos de dez países. Segundo o relatório, consumir 50gr de embutidos diariamente aumenta em 18% o risco de câncer colorretal. Parece muito, mas não é, 50gr correspondem a cerca de quatro fatias de presunto ou mortadela ou a uma salsicha por dia. Boa parte dos brasileiros consomem mais do que isso. Basta passar em uma padaria ou  supermercado no início da noite e comprovar, as filas dos frios estão sempre cheias. Eles serão consumidos por toda família no jantar e no café da manhã. Isso se não  fizerem parte também dos lanches consumidos ao longo do dia.

Assim como o glúten e o leite, estes produtos estão incorporados na rotina alimentar dos brasileiros e quem falar mal deles sofrerá as consequências, será chamado de chato, de exagerado, de neurótico, de radical e de carrasco, no caso dos pais. É como fechar os olhos para um malfeito de um filho, por exemplo. É cultural. “Está de dieta? Então coma peito de peru, é light”. “Criança adora cachorro quente, que fofura”.Não sou radical, de vez em quando compro presunto para um café da manhã esporádico, mas isso acontece uma vez por mês e eu não dou para o meu filho, que tem 2 anos e meio, ele nunca foi apresentado aos embutidos e não vejo necessidade de isso acontecer tão cedo. Até porque eles não nos trazem nada de bom, são muito pobres em nutrientes, em compensação, estão cheios de aditivos químicos, como corantes, conservantes, realçadores de sabor, antioxidantes artificiais e muito sódio.

Mas, diferentemente do que se pensa, o sódio não é encontrado apenas em produtos salgados. Está presente nos refrigerantes, nas bolachas recheadas e bolos prontos e até em sucos de caixinha. O consumo de sódio diário em terras tupiniquins ultrapassa 3.200mg, quando o ideal é que seja de 2.300mg. Este consumo excessivo pode causar um aumento da pressão arterial, que pode resultar em infarto ou até em derrame cerebral. Como eu já citei no post “Por mais quitandas e menos farmácias” o Brasil tem 31 milhões de hipertensos, o que representa mais de 20% da população. Para se ter uma ideia, um hambúrguer de uma rede de fast food norte-americana pode ter em média 4.200mg, a batata frita que o acompanha tem mais 1100mg e ainda tem o refrigerante que é rico nesta substância. Ou seja consome-se cerca de três vezes mais sódio recomendado para todo o dia em apenas uma refeição. Ele é associado a praticamente todos os aditivos químicos utilizados no preparo dos alimentos ultraprocessados, como por exemplo: metabissulfito sódico, glutamato monossódico, nitrito de sódio, benzoato de sódio e cloreto de sódio (sal), entre outros.

Os péssimos hábitos alimentares, exportados para cá pelos EUA, estão causando tantos problemas por lá, que as possíveis soluções também têm surgido nas terras do tio Sam. A FDA, agência que regulamenta os alimentos e os medicamentos do país, orientou que as indústrias alimentícias diminuam muito o percentual de sódio nos produtos vendidos. Agora, os cardápios dos restaurantes devem apresentar informações como a quantidade de calorias, de sódio, de gordura, de carboidrato, de fibras e de proteína dos alimentos. As informações também podem ficar disponíveis na internet. O intuito é aumentar o acesso à informação para que a população fique ciente do que está ingerindo, Se houver de fato uma preocupação com a saúde, esta ideia pode originar escolhas mais conscientes. Vamos esperar e torcer para que isso aconteça por lá e por aqui.