Hoje já se sabe que mais de onze milhões de compostos químicos tóxicos podem afetar a nossa saúde e três mil deles podem nos representar um alto risco. As toxinas são substâncias presentes no ar, na água e nos alimentos com as quais temos algum tipo de contato e cujo excesso pode nos causar diversos sintomas desagradáveis. Mais importante do que fugir delas é estar com o organismo bem preparado para combatê-las. É esse o tema de uma entrevista que fiz com a nutricionista Lenita Salgado,  professora do Centro de Nutrição Funcional VP.

 

-Quais são os sintomas do excesso de toxicidade no organismo?

L. S.

Os sintomas podem ser os mais variados porque as toxinas conseguem se fixar em todas as nossas células. Os sinais do excesso de toxicidade podem ser confundidos com os de deficiência de minerais, como: queda de cabelo e língua esbranquiçada, por exemplo, isso acontece porque as toxinas competem com os minerais na hora da absorção e quando estão presentes no organismo em grandes quantidades, prejudicam a absorção desses. Muitas desordens neurológicas, como: irritabilidade, alterações de humor, ansiedade, mau humor ao acordar, também costumam estar ligadas à presença excessiva de toxinas. Assim como problemas de desequilíbrio hormonal, no ovário e na próstata, com consequências, como: infertilidade, alteração do ciclo menstrual, síndrome do ovário policístico, diminuição da quantidade e da qualidade do esperma, cansaço, prostração, letargia, sonolência, ou alterações no sono, muito sono pela manhã e falta de sono durante a noite. Outros sintomas se relacionam a um sistema imunológico fragilizado, com rinites, sinusites e bronquites de repetição e ao comprometimento do sistema gastrointestinal, que pode gerar excesso de peso e obesidade.

 

-Quais são as principais fontes de substâncias tóxicas na nossa alimentação?

L. S.

Os agrotóxicos são as maiores fontes de toxinas; seguidos pelos aditivos químicos, como: corantes, conservantes, edulcorantes e flavorizantes, presentes nos alimentos ultraprocessados; também existem os metais pesados, como: cádmio; chumbo, contido no chocolate;  os antibióticos utilizados em frangos que, não são orgânicos nem caipira, e mercúrio contido em peixes alimentados em cativeiro com rações à base de soja e milho transgênicos, como o ‘salmão’ vendido em grande escala no Brasil. Eu também considero como toxinas alimentares, o açúcar, a gordura trans, a gordura hidrogenada, o glúten e a proteína isolada do leite de vaca, utilizada em muitos suplementos esportivos. O glúten e as proteínas do leite não são digeridas corretamente pelo organismo, o que faz delas, substâncias alergênicas para todos os seres humanos, ainda que a intensidade e o tipo de reação varie de uma pessoa para outra e mesmo que os sintomas não apareçam logo após o seu consumo.

 

-Alguns hábitos também podem contribuir com o aumento das toxinas?

L. S.

Com certeza, um dos mais praticados no Brasil ainda é o de aquecer alimentos em potes plásticos no microondas. Também não é recomendado carregar água em garrafas plásticas dentro do carro porque quando elas ficam no sol por muito tempo, a água esquenta, volta a resfriar, caso a temperatura externa já tenha baixado, e é consumida normalmente, porém fica cheia de substâncias tóxicas, liberadas pelo aquecimento do plástico. O hábito de tostar alimentos como pães, legumes e carnes no fogo ou mesmo em grelhas e torradeiras, quando cria-se um camada ou pontos bem escuros de queimado, também é bastante prejudicial à saúde, por conta de uma toxina chamada acrilamida, originada nesses processos, há vários estudos que relacionam esta substância ao aparecimento de doenças como: diabetes tipo 2, Alzheimer e síndrome metabólica, entre outras, além da redução da longevidade. Além disso, o processo tradicional de defumação com fumaça, entre eles o churrasco, cria uma toxina chamada benzopireno, que é bastante nociva.

 

-Há, por outro lado, opções que ajudem a eliminar as toxinas do organismo?

L.S.

Não há como vivermos distantes das toxinas. Podemos até tentar controlar o que colocamos no prato, como por exemplo, dando preferência aos alimentos orgânicos, mas estamos cercados por toxinas, no ar, na água, nos alimentos, não dá para vivermos numa bolha. O segredo é mantermos todo o nosso sistema de destoxificação ativo e, para que ele funcione adequadamente, precisamos estar bem nutridos. Quando as toxinas começam a ser metabolizadas pelo organismo, liberam radicais livres, que nos são bastante prejudiciais. Para combatê-los precisamos ter uma quantidade suficiente de nutrientes antioxidantes, presentes em frutas, legumes e verduras. O ideal é ter um alto consumo de alimentos naturais, e retirar os produtos ultraprocessados da rotina. As vitaminas e os minerais presentes nas hortaliças possuem enzimas responsáveis por ativar as vias de destoxificação. Os nutrientes contidos em alimentos como: repolho, agrião, rabanete, rúcula, brócolis e couve-flor, por exemplo, ajudam a combater principalmente as toxinas vindas da poluição ambiental. Também vale consumir alimentos naturais mais integrais, que são ricos em minerais, assim como as sementes de girassol, de abóbora, de linhaça, de chia e de gergelim. Verduras verde escuras, ricas em clorofila e em magnésio, também têm uma ação importante na destoxificação, uma boa opção são as PANC, plantas alimentícias não-convencionais, como a taioba, a moringa, a beldroega, a ora pro nobis e a capuchinha, entre tantas outras.