No último final de semana, a capital paulista recebeu a 9º edição do Glúten Free, um congresso que reúne as novidades científicas, gastronômicas e mercadológicas voltadas para o tema. Esse ano a feira do evento contou com 80 expositores. O glúten é a principal proteína do trigo, que o nosso organismo não consegue absorver, por conta disso, o seu consumo frequente e excessivo causa reações, sintomas e doenças variadas nas pessoas, de acordo com a sua predisposição genética e com seus hábitos alimentares. Eu já escrevi diversos posts nesse blog que detalham os seus efeitos no nosso organismo e parei de consumi-lo há mais de dez anos. Durante os dois dias do evento tive a oportunidade de conhecer muitos produtos, alinhados com a proposta do evento. Pães, bolos, massas prontas, biscoitos, cokkies, feitos com farinha de arroz, de milho, de quinoa, de amêndoas, chips de tubérculos, snacs com a base de batata doce desidratada, entre muito outros. E não para por aí, também foram expostos alimentos sem leite de vaca, como vitaminas, chocolates, suplementos e queijos veganos, entre tantos outros. E até o público que evita o açúcar foi beneficiado com sucos, vitaminas e doces. Todos esses produtos já estão à disposição dos brasileiros.

Empresários de Joinville, Santa Catarina, notaram a dificuldade que muitos consumidores tinham para encontrar esses alimentos específicos e criaram o Go Nutri, um aplicativo que localiza os pontos de vendas de produtos saudáveis. A plataforma, que fez sua estreia no Glúten Free, nasceu 2 anos e meio atrás para ajudar as pessoas com doença celíaca (que não podem consumir glúten, nem ter contato com traços dele). A empresa começou com cerca de 5 mil produtos, hoje já são 60 mil, em mais de 4 mil cidades do País. O internauta pode ir direto nas páginas de suas marcas de interesse nas redes sociais e de lá é direcionado para o aplicativo ao buscar os pontos de vendas dos produtos, caso não haja um ponto na cidade procurada, ele recebe indicação de lojas virtuais.  

 

De acordo com o co-fundador da plataforma, Felipe Samy, hoje no Brasil, há uma tendência de crescimento de dois dígitos ao ano de pessoas interessadas em produtos saudáveis e as empresas que investiram nesse setor chegam a crescer em média de 30 a 35% ao ano: ‘‘A gente percebe que cada vez mais o consumidor está bem informado e seletivo no que irá consumidor. Com dois cliques, ele consegue saber se um alimento faz bem ou mal para a saúde, a história dos alimentos e a partir daí começa a ficar mais seletivo.’’ O aplicativo consegue traçar um perfil dos consumidores que mais procuram pelos alimentos saudáveis: 70% são mulheres, 40% têm entre 25 e 35 anos, são bem informadas e gostam de cozinhar. O público masculino está em crescimento constante. Os termos mais procurados na internet relacionados ao tema são: vegano em primeiros lugar, seguido de glúten, lactose e kefir (um probiótico natural feito em casa). A maioria das pesquisas se referem a produtos e receitas, como ‘hambúrguer vegano’, ‘doce vegano’, ‘bolo sem glúten’, ‘receita sem glúten’, ‘leite sem lactose’ e ‘iogurte de kefir’.

 

O varejo mais tradicional também tem notado o crescimento do interesse do consumidor por alimentos diferenciados e tem se adaptado à ele. De acordo com Felipe Samy: ‘‘Os supermercados estão criando uma experiência diferenciada e uma área de alimentos saudáveis dentro das suas lojas, percebemos isso nas grandes redes. Mas o consumidor quer encontrar tudo no varejo de vizinhança, ou seja, em empórios e pequenos mercados, há uma tendência de que, nos próximos anos, haja uma proliferação de empórios de produtos naturais, nas grandes cidades. Outro movimento que a gente notou foi nas próprias lojas de conveniência, onde há dois anos era muito difícil encontrar um alimento saudável, e hoje em qualquer loja que você for, você vai encontrar vários deles’’.