Substituição do leite materno preocupa órgãos internacionais 

 

No último final de semana as redes sociais ficaram cheias de afeto, inspiração e apoio. Milhares de mulheres compartilharam fotos amamentando seus pequenos para lembrar o Dia Mundial da Amamentação, comemorado em 01 de agosto, e incentivar outras mães a fazerem o mesmo. A Semana Mundial de Aleitamento Materno, promove diversas ações para estimular a amamentação exclusiva até o sexto mês do bebê e, de forma complementar, até o seu segundo ano de vida.

 

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os bebês alimentados exclusivamente com o leite materno, nos primeiros seis meses, têm 14 vezes menos probabilidade de morrer do que os demais. Porém, atualmente, apenas 41% dos brasileirinhos recebem esse tratamento. De acordo com o órgão, a comercialização de substitutos do leite materno prejudica os esforços para aumentar esse percentual.

 

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), UNICEF e Rede Internacional de Ação sobre Alimentos para Bebês (IBFAN) mostrou que os países ainda estão longe de proteger os pais de informações enganosas. “O marketing agressivo de substitutos do leite materno, especialmente por meio de profissionais de saúde, em quem os pais confiam para aconselhamento nutricional, é uma grande barreira para melhorar a saúde de recém-nascidos e crianças em todo o mundo”, declarou Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, em entrevista ao site da ONU Brasil. 

 

Por aqui as fórmulas infantis são comumente apresentadas às famílias ainda na maternidade como uma boa opção de substituto para o leite materno, ao primeiro sinal de dificuldade na amamentação. Nos consultórios pediátricos também são indicadas com bastante frequência, logo nas primeiras semanas do bebê. É importante lembrar que o ato de amamentar pode mesmo gerar muitas dificuldades, dores e dúvidas. Na internet e nas comunidades há diversos grupos de apoio que fazem toda diferença na vida das mães de primeira viagem.  

 

Em 2018, escrevi sobre os malefícios das fórmulas e as vantagens do leite materno.  

 https://emais.estadao.com.br/blogs/comida-de-verdade/8-razoes-para-am…ho-ate-os-2-anos/ 

 

COVID-19 e o aleitamento materno

 

Por conta da pandemia os serviços presenciais de apoio à lactação foram suspensos e muitas mães deixaram de amamentar por medo de transmitir o vírus ao bebê, mas, de acordo com reportagem publicada no site da ONU Brasil, a OMS e o UNICEF incentivam a amamentação mesmo com confirmação ou suspeita da doença. Isso porque os testes feitos até hoje indicam que é improvável que a COVID-19 seja transmitida pelo leite materno e os seus benefícios superam os potenciais riscos de doenças associadas ao vírus. Portanto, ele continua sendo mais seguro do que seus substitutos.

 

Ainda segundo material divulgado pela ONU Brasil: “O medo da transmissão de COVID-19 está eclipsando a importância da amamentação – em muitos países, mães e bebês estão sendo separados ao nascer – e tornando o aleitamento e o contato pele a pele difíceis, senão impossíveis. Tudo com base em nenhuma evidência. Enquanto isso, a indústria de alimentos para bebês está explorando o medo de infecções, promovendo e distribuindo fórmulas gratuitas e conselhos enganosos, alegando que as doações são humanitárias e que são parceiros confiáveis”, alegou Patti Rundall, do Conselho Global do IBFAN.

 

Vale lembrar que mesmo sem evidências científicas sobre a transmissão da COVID-19 das mães para os bebês por meio do leite, as mulheres infectadas ou com suspeitas da doença podem adotar as dicas de prevenção tão amplamente divulgadas nos últimos meses, como o uso da máscara e a higienização das mãos, quando forem entrar em contato com os filhos.