Quando é verão, quase não sobra espaço nas areias das praias do Guarujá, no litoral sul de São Paulo. Caixas de som debaixo dos guarda-sóis amplificam os hits da estação, entre o falatório dos turistas e o reconfortante barulho do mar. Circulando por tanta informação, estão silenciosas crianças e adolescentes, que usam as férias escolares para o trabalho nas barracas de comidas e bebidas.

Crédito: Tiago Queiroz

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Juliano*, de 15 anos, é um deles. Em um domingo de janeiro, com o termômetro na marca dos 30 graus, o garoto corre para dar conta de tantos pedidos. “Menino, a batida está fraca. Pede para colocarem mais vodka”, solicita uma turista. Juliano obedece.

Apesar do contato diário com bebida alcoólica, ele jura que nunca pôs sequer uma gota na boca. O peixe e a batata frita que sempre carrega em sua bandeja também passam longe. “Minha mãe me traz marmita todos os dias. É mais saudável”, conta o atendente.

Na hora do almoço, Juliano se protege do calor embaixo da barraca. Por R$ 50 diários, o menino chega à praia às 6h e encerra o expediente por volta das 19h. São, em média, 13 horas de trabalho por dia

Crédito: Tiago Queiroz

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Saiba mais sobre a história de Juliano e sobre o trabalho infantil nas praias neste link, do projeto Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil. O trabalho infantil nas praias é considerado uma das piores formas, de acordo com classificação adotada por vários países para definir as tarefas que mais trazem riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e dos adolescentes, determinadas pela Lista TIP – Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil.

Crédito: Tiago Queiroz

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