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Crédito: Bruna Ribeiro

Lançada na quarta (27), uma publicação da Fundação Abrinq revela que o risco de homicídios de crianças e adolescentes com menos de 19 anos é 3,3 vezes maior para negros no Brasil. Na região Norte, o número salta para 4,4 e no Nordeste, o risco de homicídios para os jovens negros é 5,2 vezes maior.

O número é menor na região Sul (1,4%), mas ainda assim é expressivo, uma vez que a região é até agora a única a ter influência de sua composição demográfica nas disparidades de óbitos por homicídios, ainda apresentando risco relativo de mortes por armas de fogo mais elevado para negros.

O estudo A Criança e o Adolescente nos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU – Marco zero dos principais indicadores brasileiros analisa o ODS 10, sobre redução de desigualdades. A desigualdade determinada pela raça/cor chama atenção também nos demais indicadores relativos à saúde, segurança e educação.

Durante a apresentação do relatório, João Pedro Sholl Cintra, assistente técnico da Fundação Abrinq e responsável pela publicação, disse que a diferença de rendimento e oportunidades entre brancos e negros beira a segregação.  “O acesso à manutenção de meios de vida e à renda é racialmente desigual e recortado. É um fenômeno permanente na história e precisa ser levado em conta na análise da desigualdade”, declarou.

O estudo também mostrou que o risco de crianças e adolescentes negros de até 19 anos morrerem por homicídios resultantes de atuação policial é 2,4 vezes maior no país. Na região Nordeste, o número salta para 3,5 e na região Sudeste, para 3.

“Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que a impossibilidade de cálculo do risco relativo das Regiões Norte e Centro-Oeste refere-se ao fato de que, em 2015, não foram notificados homicídios de brancos nesses territórios; enquanto cinco negros morreram violentamente em decorrência das chamadas “intervenções legais” e “operações de guerra. De saída, portanto, a desigualdade de chances na produção de vítimas desses homicídios torna-se latente”, diz o estudo.

Referindo-se ao genocídio da juventude negra, termo cunhado pelo movimento negro para expressar os altos índices de homicídios de crianças e adolescentes, Daniel Teixeira, diretor de projetos do CEERT, falou sobre a importância da educação antirracista nas escolas.

“O que vamos fazer com todos esses dados? É impossível discutir desigualdade sem falar em racismo. Precisamos lembrar que de cada dez dias, sete foram sob escravismo. A população negra não tem sua perspectiva considerada. Se é natural uma criança negra estar abandonada no farol, também é natural ser morta quando chegar à juventude. É uma mera consequência”, completou.

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