O trabalho infantil no campo é um dos mais difíceis de se identificar e combater. Isso acontece, porque geralmente ocorre dentro de propriedades familiares e a rede de proteção pode ter dificuldade de acesso. Mas mesmo sendo um trabalho familiar, traz prejuízos ao desenvolvimento da criança e do adolescente, como exposição a acidentes, cansaço, baixo rendimento e evasão escolar e dificuldade de profissionalização na vida adulta.

Na verdade o trabalho infantil no campo é considerado uma das piores formas de trabalho infantil, segundo a Organização Internacional do Trabalho. A aprendizagem é sabidamente uma das ferramentas de combate à violação e visa o rompimento do ciclo da pobreza, pois oportuniza o trabalho protegido a partir dos 14 anos, conciliando com a educação e respeitando a lei. Mas nas áreas rurais, essa alternativa acaba sendo um desafio. Neste sentido, o Centro de Integração Escola Empresa (CIEE) vem investindo no Programa Aprendiz no Agronegócio.

Lançado em 2019, já atingiu a marca de mil jovens inseridos no programa. São 1.103 aprendizes em 16 estados, como presença mais forte em São Paulo, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Alagoas. De acordo com a instituição, o objetivo é renovar a mão de obra no campo e atender a crescente demanda do setor agrícola, chegando a três mil oportunidades até o final de 2020.

Segundo Mateus Rubiano, Supervisor de Agronegócio do CIEE, a tendência é que a presença do jovem na área seja cada vez maior, uma vez que a continuidade e aproveitamento do capacitado nas áreas de produção de uma agroindústria é maior do que em outros setores, como o administrativo, por exemplo.

Outro aspecto ressaltado foi a questão de gênero. Do total dos contratados, 35% são aprendizes mulheres. Para a instituição, apesar de não corresponder a 50%, o número é elevado diante da realidade do agronegócio, quebrando um paradigma e incentivando a participação das mulheres na área.

Ainda de acordo com o CIEE, no final de 2019, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou, para cima, o incremento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário. A previsão anterior, de crescimento de 0,5% em 2019, foi revisada para 1,4%. No caso de 2020, a projeção é um crescimento de 3,2% a 3,7%. Na avaliação da instituição, a expansão irá demandar cada vez mais mão de obra qualificada para atuação no campo.

Importante também observar a importância de criar oportunidades no campo para aqueles jovens que desejarem permanecer em seus territórios, sem a obrigatoriedade de mudança para centros urbanos. É urgente combater o trabalho infantil, mas também respeitando e valorizando os saberes locais e familiares.

Muitas vezes as famílias que se dedicam a atividades rurais não valorizam a educação, pois o conteúdo não se aplica à realidade local e ao que aquele contexto considera como importante, inclusive para a geração de renda. Uma vez que o adolescente tem a oportunidade de unir suas referências, desejos, valores, com a educação e inovação no campo… o processo se torna muito mais humanizado!