A organização humanitária Plan International Brasil lançou a websérie Saúde no Rolê, na última segunda (6). Com quatro episódios, o primeiro deles fala sobre gravidez precoce. Os temas seguintes serão abuso de álcool e drogas, alimentação saudável e não saudável e atividade física.

O tema de lançamento é de extrema relevância, pois a taxa de gravidez adolescente no Brasil está acima da média latino-americana e caribenha, conforme noticiei aqui no blog no ano passado. As informações são de um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

O índice se torna ainda mais preocupante uma vez que a América Latina e o Caribe são a sub-região com a segunda maior taxa de gravidez adolescente do mundo. A taxa mundial é estimada em 46 nascimentos para cada mil meninas entre 15 e 19 anos. O número da sub-região salta para 65,6, superado apenas pela África Subsaariana. No Brasil, a taxa é de 68,4 nascimentos para cada mil adolescentes.

Além dos números alarmantes, a América Latina e o Caribe são a única região do mundo com tendência ascendente de gravidez entre adolescentes com menos de 15 anos, segundo o UNFPA. A estimativa é que, a cada ano, 15% de todas as gestações na região ocorram em adolescentes com menos de 20 anos e 2 milhões de crianças nasçam de mães com idade entre 15 e 19 anos.

A criança e o adolescente nos ODS

Tenho falado bastante aqui no blog sobre a importância de reafirmar o compromisso com a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas. Muito interessante a iniciativa da Plan em falar de Saúde e Bem-estar (ODS 3).

A saúde é um dos direitos fundamentais em nossa sociedade justamente por estar interligada ao direito à vida e à existência digna do ser humano. De acordo com o Relatório Anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2010, e a gravidez na adolescência tende a aumentar os riscos de saúde, uma vez que a mortalidade maternal é a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos.

Em 2015, o número de mortes maternais no mundo por 100 mil nascidos vivos era de 216. Isso pode ser calculado em, aproximadamente, 830 mulheres morrendo a cada dia no mundo em razão de complicações na gravidez e no parto.

A vez e a voz das meninas

Outro mérito da iniciativa é ouvir a voz das adolescentes, principalmente em um mundo que as silencia, pela idade e pelo gênero. Quando ouvimos uma jovem brasileira falar de si mesma em espaços da mídia? É bastante raro.

No início do primeiro episódio, a adolescente Daniele Nunes conversa com Evelyn Silva Rosa, que engravidou aos 15 anos de idade. No diálogo, aparecem questões como dificuldade de permanecer estudando e falta de conscientização por parte da família e também da escola. Evelyn conta que sente falta de não ter tantas responsabilidades e poder focar nos estudos.

A conversa singela traz à tona dados reais, como evasão escolar, machismo e dificuldade de acesso ao mercado de trabalho – seguida da reflexão de uma especialista. Meninas falando pelas meninas. Muito lindo.

Os apresentadores de cada episódio são jovens do Capão Redondo, multiplicadores do Programa Adolescência Saudável, um projeto da Plan em parceria com o laboratório AstraZeneca. Vamos aguardar os próximos!

Recado aos leitores: Estarei de folga na próxima semana. Por isso não haverá post. Voltamos a conversar no dia 23 de maio! =)