Crédito: Plan International

Uma pesquisa realizada pela Plan International com 7 mil jovens de 14 países, inclusive o Brasil, revelou que nove em cada dez meninas (88%) dizem que estão sentindo altos ou médios níveis de ansiedade como consequência da pandemia de coronavírus. O levantamento Vidas Interrompidas: O Impacto da COVID-19 na vida de Meninas e Jovens Mulheres ainda mostrou que 95% das meninas tiveram suas vidas afetadas de forma negativa pela pandemia.

Para as meninas entrevistadas, com idades entre 15 e 19 anos, os medos mais prevalentes dizem respeito à sua própria saúde (33%) e ao bem-estar de suas famílias (40%). Quase um terço delas (26%) estava preocupada com a perda de renda familiar devido à pandemia. O Brasil foi um dos países onde as meninas afirmaram sofrer com mais ansiedade.

Ainda segundo a organização, a pesquisa mostra os desafios complexos que as meninas estão enfrentando, que vão desde o impacto em sua educação até sua capacidade de sair de casa e socializar: 62% das meninas entrevistadas disseram que estavam tendo dificuldades por não poderem ir à escola ou à universidade; mais da metade (58%) das meninas está sentindo os efeitos negativos de não poder sair de casa normalmente e outros 58% destacaram o fato de não poderem encontrar as amigas como uma consequência negativa da pandemia.

Para Cynthia Betti, Diretora-executiva da Plan International Brasil, é preciso diminuir a exclusão digital, considerar o acesso a direitos sexuais e direitos reprodutivos como serviços essenciais que não podem ser descontinuados, nem durante uma pandemia, assim como serviços de proteção contra a violência baseada em gênero. “Também precisamos fornecer apoio psicológico e cuidar do retorno destas meninas e adolescentes à escola, combatendo a enorme evasão que estamos prevendo. Escutamos as vozes de mais de 7 mil meninas em 14 países. Agora é nossa vez de agir, com elas e para elas”, complementa.

Segundo Anne-Birgitte Albrectsen, CEO da Plan International, a pesquisa é um alerta para que os governos reconheçam que as emergências de saúde afetam os grupos de formas diferentes e o impacto potencialmente devastador das consequências disso a longo prazo, que serão sofridas pelas meninas.

“Para as meninas, os riscos de ficar em casa são maiores. Esta situação afeta sua saúde mental e as coloca em risco de violência doméstica. Por causa das normas sociais patriarcais, que ditam que as meninas devem assumir a grande maioria do trabalho doméstico não remunerado, existe uma ameaça real de que elas sejam obrigadas a abandonar a escola e que fiquem sem estudar”, complementa.