De acordo com a pesquisa Por Ser Menina no Brasil, realizada pela Plan International Brasil, as meninas ainda realizam o dobro de trabalhos domésticos em relação aos meninos (67,2% das meninas contra 31,9% dos meninos).

Para a organização, os números validam a tese de que as meninas são precocemente responsabilizadas pelo cuidado com o lar e com as pessoas. Assim, elas têm menos tempo para os estudos, lazer e atividades de desenvolvimento para a vida. A carga de trabalho doméstico piorou durante a pandemia: 54,6% das meninas disseram que as tarefas aumentaram.

Ainda segundo o estudo, é dentro de casa também que as meninas mais sofrem com a violência física (30,7%), violência sexual (24,7%) e violência psicológica (29,5%). Quase todas as participantes da pesquisa (94,2%) já presenciaram ao menos uma situação de violência com elas ou pessoas próximas.

“A maior parte das meninas busca a rede familiar para pedir ajuda (28,4%). Mas um dado preocupante é de que 25,9% das meninas não procuraram ajuda. Elas relatam que os pais e adultos responsáveis não acreditaram nelas, o que levou ao não encaminhamento dos casos”, informa a Plan International Brasil.

A pesquisa aponta que a escola também é vista como um local de violência. É onde as meninas mais sofrem assédio (32,4%) e violência de gênero (25,4%). É o segundo local com maior violência sexual (24%). Já a rua é um ambiente hostil: 57% das meninas sentem medo de andar na rua e 23,4% se sentem humilhadas.

O documento Por Ser Menina no Brasil ouviu 2.589 participantes de dez cidades nas cinco regiões do país para entender como as meninas vivem, o que esperam para o futuro, como se sentem como meninas, as diferenças entre gêneros e seus impactos. Confira mais dados levantados sobre diversos temas:

  • 85,7% das participantes gostam de ser meninas.
  • 69,4% delas revelaram sentirem seus direitos desrespeitados por serem meninas/mulheres.
  • As meninas que já são mães representam 3,2% das participantes da pesquisa. Entre elas, 74,1% são negras.
  • Embora 92,4% das meninas tenham respondido que têm conhecimento sobre prevenção sexual, apenas 44,1% já passaram por uma consulta ginecológica.
  • Sobretudo por causa da pandemia, elas relataram uma piora significativa na saúde mental (76,6%).
  • Já em relação à orientação sexual, 62,6% das meninas se identificaram como heterossexuais, seguido de 23,6% bissexuais, 4,7% pansexuais, 2,9% lésbicas, 1,6% assexuais e 4,6% outras.
  • Estudar é a segunda principal atividade realizada por elas (a primeira é navegar na internet), mas apenas a quinta na escala de prioridade dos meninos. Em geral, as meninas estão dentro da idade esperada para os ciclos escolares.
  • Quase uma a cada cinco meninas (18,2%) precisou interromper os estudos.
  • Amazonas é o estado onde houve maior percentual de exclusão escolar (32,8%), divergindo da tendência dos demais estados e das médias nacional (7,6%) e regional (Norte com 9,2%).
  • Navegar na internet é a atividade que elas realizam com mais frequência e 83,4% aumentaram o tempo conectadas durante a pandemia.
  • Quase uma a cada cinco meninas (18,6%) trabalha.