Se praticado de forma protegida, em muitos casos o esporte se torna uma porta de saída da vulnerabilidade social. O Instituto Próxima Geração, projeto social localizado no Jardim Dabril, na zona oeste de são Paulo, é um bom exemplo disso. Oferece aulas de tênis a 120 crianças e adolescentes de 8 a 18 anos, três vezes por semana, com 1 hora de duração. Do total, 10 atletas de alto rendimento têm o treino ampliado para 2 horas e disputam os torneios destinados à idade deles.

Para Douglas Santana, diretor técnico do Instituto, a prática esportiva desde cedo é altamente recomendada em todos os âmbitos, para a qualidade de vida, saúde, respeito às regras, estímulo à educação, cumprimento de regras, saber perder e respeitar o adversário.

“No caso do tênis, em específico, ainda não há juiz dentro de quadra. Os atletas de rendimento disputam, mas quando acaba o jogo, precisam chegar na rede e cumprimentar o adversário. Esse caráter que a competição desenvolve é positivo para qualquer profissão que se tenha na vida adulta, sempre buscando fazer o seu melhor, dentro das regras”, orienta.

O foco do Próxima Geração, inclusive, é o estímulo à educação e não foca na formação de atletas profissionais, embora alguns participem de competições. “Nós acompanhamos os boletins e entendemos que a carreira esportiva não é o único caminho. Em inúmeros casos, ninguém nunca acompanhou as notas das crianças. Por isso todos os nossos alunos melhoraram o desempenho escolar depois de entrarem para o projeto. O esporte é neste sentido um fator de transformação”, explica.

Localizado em frente a uma escola pública e a 500 metros de uma comunidade, o Próxima Geração já conta com uma lista de espera de 300 crianças. Além das aulas de tênis realizadas em quatro quadras, oferece aos participantes atendimento em grupo com uma psicóloga e reforço alimentar com controle nutricional. A nutricionista acompanha crescimento, peso e altura.

“Quando começamos, apenas 25% das crianças estavam dentro do IMC recomendável. Os outros 75% estavam acima do peso ou desnutridos. Atualmente 85% das crianças estão dentro da faixa ideal de peso e altura.” Também são oferecidas algumas vagas para aulas de inglês, encordoamento de raquete e arbitragem.

Com tantos benefícios, onde é que o esporte pode passar do ponto e se tornar nocivo? Para o diretor técnico, é quando se coloca uma cobrança excessiva no atleta infanto-juvenil. “Uma criança não pode treinar 8 horas por dia. É possível experimentar o esporte de rendimento de forma saudável, como acontece com os nossos adolescentes que competem”, comenta.