Crédito: Ana Luísa Vieira – Rede Peteca: Chega de Trabalho Infantil

Publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2020 analisa os mecanismos sociais, econômicos e culturais que discriminam crianças, jovens e adultos em situação de desvantagem, e os excluem da educação ou os mantêm marginalizados.

De acordo com divulgação da agência da ONU, o estudo “Inclusão e educação: todos, sem exceção” identifica as práticas de governança e financiamento, currículos, livros didáticos e avaliações, formação de professores, infraestrutura escolar e relações com estudantes, pais e comunidades que podem promover o processo de inclusão.

A partir das conclusões, recomenda também políticas para que a diversidade dos estudantes seja enaltecida como uma força de coesão social. Confira algumas das análises publicadas no relatório:

Identidade, histórico e habilidades determinam as oportunidades na educação

O texto do relatório diz que, em todos os países, exceto nos de renda alta da Europa e América do Norte, apenas 18 dos jovens mais pobres concluem o segundo nível da educação secundária para cada 100 dos jovens mais ricos. Em pelo menos 20 países, principalmente na África Subsaariana, dificilmente uma jovem pobre da zona rural consegue terminar o segundo nível da educação secundária.

Os mecanismos de discriminação, estereótipos e estigmatização são semelhantes a todos os estudantes em risco de exclusão

Ainda segundo o documento, enquanto 68% dos países têm uma definição de educação inclusiva, apenas 57% dessas definições abrangem os diversos grupos marginalizados.

Apesar do progresso, muitos países ainda não compilam, relatam ou utilizam dados sobre as pessoas que foram deixadas para trás

A partir de 2015, 41% dos países, o que representa 13% da população mundial, não têm uma pesquisa domiciliar disponível ao público para divulgar dados desagregados sobre os principais indicadores educacionais; a região com menor cobertura é o Norte da África e a Ásia Ocidental.

Dados recentes de 14 países que usam as Questões Propostas pelo Grupo de Washington para Estatísticas sobre Pessoas com Deficiência sugerem que crianças com deficiência constituem 15% da população que está fora da escola.

Milhões estão perdendo a oportunidade de aprender

Nos países de renda média, apesar de um aumento de 25% nos últimos 15 anos, apenas três quartos dos adolescentes ainda estão na escola aos 15 anos de idade. Destes, apenas metade aprende o básico, taxa que permaneceu estagnada ao longo do período.

Uma das principais barreiras à inclusão na educação é não acreditar que ela é possível e desejável

Em 2018, um em cada três professores de 43 países, a maioria com renda média-alta e alta, relatou que não adapta seu ensino na diversidade cultural dos estudantes.