Crédito: Hans Georg

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Os desafios de um refugiado não são poucos: barreiras com o idioma, saudades da família, dificuldades financeiras e um passado de pobreza, conflitos e desastres. Comovido com essas histórias, o artista visual carioca Felippe Moraes, 28 anos, criou a plataforma HARP (Humanitarian Art Research Platform), em março deste ano, em parceria com a Cáritas.

O projeto visa empoderar os artistas, dando espaço e voz a eles, além de formá-los com novas referências, encorajando carreiras. De acordo com Moraes, a ideia é também educar o público sobre os refugiados, mostrando que qualquer pessoa tem potência e subjetividade para contar histórias de diferentes formas.

Crédito: Hans Georg

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No próximo sábado (29), o grupo mostrará seu trabalho no evento Refoodgees, das 12h às 21h, no Solar do Cosme, no Cosme Velho, Rio de Janeiro. Para saber mais informações, clique aqui. O grupo também já apresentou uma mostra no Museu do Amanhã, em setembro.

Vivendo em Portugal para cursar o Doutorado em Artes, Moraes conta com a ajuda da artista Patrícia Francisco, para dar continuidade aos trabalhos no Brasil. Em Coimbra, ele pretende dar continuidade ao projeto. Para ele, o contato com as profundas questões que a Europa enfrenta com os refugiados faz a HARP crescer e se espalhar pelo mundo. Confira trechos da entrevista e curta a página da iniciativa no Facebook.

Como surgiu a ideia de criar a HARP?

O projeto começou de maneira muito despretensiosa. No final de 2015 eu me choquei e me comovi muito com as histórias e imagens de refugiados chegando à Europa cruzando o Mediterrâneo e morrendo no caminho. Eu senti que precisava fazer algo para ajudar essas pessoas, que apenas querem um lugar para viver em tranquilidade e contribuir para o crescimento dos países em que chegam. Procurei então a Cáritas e disse que estava disposto a ajudá-los da maneira que fosse necessário: poderia dar aulas de inglês, português e até artes para crianças, mas eles se empolgaram mesmo com a possibilidade de uma experiência artística.

Qual é o objetivo do projeto?

Acredito que o projeto tenha três grandes objetivos. O primeiro é empoderar esses artistas, dando espaço e voz para que eles pudessem falar por eles mesmos. O segundo é formá-los com novas referências artísticas e encorajar suas carreiras, inserindo-os nas cenas, que costumam ser muito fechadas. O terceiro é educar o público sobre os refugiados e mostrar que essas pessoas, como qualquer outra, têm potência, subjetividade e histórias para contar de muitas maneiras diferentes.

Crédito: Hans Georg

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Quais são os projetos futuros?

Atualmente vivo em Coimbra, Portugal. No Rio de Janeiro, a artista Patrícia Francisco prossegue com o grupo. Já a Europa enfrenta um problema muito mais profundo na questão do refúgio. Estar ainda mais próximo desta questão faz o projeto crescer e se espalhar pelo mundo, com diferentes artistas em lugares distintos, desenvolvendo seus encontros a partir do modelo que criamos na HARP – formar, empoderar e educar.