Crédito: Criança Livre de Trabalho Infantil / Tiago Queiroz

Recentemente participei de uma reportagem do Centro de Referências em Educação Integral sobre como enfrentar a exclusão escolar e o trabalho infantil na pandemia. Assinada pela repórter Ingrid Matuoka, a matéria conta que a exclusão escolar e o trabalho infantil andam lado a lado, e no Brasil são problemas históricos.

“Longe de serem superados, ambos foram, na verdade, agravados devido à pandemia e à insuficiência de políticas públicas e de uma coordenação nacional de enfrentamento a esse contexto. É diante desse cenário que a atuação do poder público, das redes educacionais, escolas, professores e toda a comunidade se faz necessária para mitigar as crescentes vulnerabilidades e violências a que estão submetidas crianças e adolescentes”, informou a reportagem.

Ainda de acordo com a apuração de Ingrid, só no ano de 2019, segundo o estudo Enfrentamento da cultura do fracasso escolar organizado pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas pela Infância), mais de 620 mil estudantes deixaram a escola e outros 6 milhões estavam em situação de distorção idade-série, um dos fatores que pode levar ao abandono escolar. Já em 2020, 5,5 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso a qualquer oferta de educação.

“Na ferramenta de busca ativa do UNICEF identificamos que a exclusão escolar atualmente se deve, em parte, porque muitos estudantes não possuem os recursos tecnológicos necessários para a manutenção do vínculo remoto com a escola, e quando há a possibilidade de entrega de materiais impressos, muitos têm dificuldade de realizar as atividades por falta de apoio pedagógico. Apareceu também o desinteresse por uma educação que não faz sentido para a realidade do estudante, que não promove seu projeto de vida”, elucida Ana Carolina Fonseca, Oficial de Proteção à Criança do UNICEF no Brasil.

Nesse contexto, o trabalho infantil se torna um fator de risco, uma vez que muitas crianças e adolescentes estão fora da escola e as famílias enfrentam dificuldades acarretadas pela crise humanitária ocasionada pela pandemia do coronavírus. A mobilização da rede de proteção para o atendimento dessas famílias e enfrentamento ao trabalho infantil e exclusão escolar, o fortalecimento de políticas de transferência de renda e auxílio emergencial, a busca ativa de crianças fora da escola e a promoção à educação integral com acesso ao ensino remoto são algumas das estratégias apontadas como possíveis para a promoção dos direitos de crianças e adolescentes. Se quiser ler a matéria completa, clique aqui.