Até o dia 14 de março, estão abertas as inscrições para a nova turma da Escola de Liderança para Meninas em São Paulo. O programa é uma iniciativa da Plan International Brasil, organização da sociedade civil que promove os direitos das crianças e a igualdade para as meninas. Com início em 5 de abril, o curso é online e gratuito e conta com mentoria para projetos de vida, abordando temas como igualdade de direitos, empoderamento e liderança. São 60 vagas para adolescentes de 13 a 18 anos. Para se inscrever, clique neste link.

De acordo com a Plan International, entre os objetivos centrais do projeto estão o desenvolvimento de habilidades que reforcem plenamente o potencial e a autonomia das meninas; o fortalecimento de conhecimentos sobre direitos, para que possam transformar suas realidades e o mundo ao redor. Outro objetivo é incentivar a participação cidadã com ações de incidência política para a promoção do direito a uma vida sem violências, abusos e desigualdades de gênero em todos os âmbitos.

“Na primeira etapa, entre os meses de abril e junho, as meninas selecionadas farão um curso on-line. Os conteúdos serão apresentados em quatro módulos com oficinas sobre Identidades e Desigualdades, Direitos Humanos, Democracia e Participação, Empoderamento e Liderança e Liderança e Participação feminina”, afirmou Ana Nery Lima, coordenadora de projetos da Plan International Brasil em São Paulo. Todos os meses, as meninas participarão de encontros on-line com o objetivo de trocar experiências e abordagens transversais sobre as diversas temáticas do curso.

Além dos encontros online, haverá outras duas fases: Mobilização Social e Espaços de Participação e Mentorias. A ideia é que a Escola atue em conjunto com órgãos públicos para realizar visitas técnicas entre julho e outubro, conversas com gestores públicos e outras atividades, mas as visitas dependerão das medidas de segurança e distanciamento social decorrentes da pandemia, de acordo com o que for possível realizar a partir de julho. Será nesta fase também que as participantes desenvolverão um Plano de Incidência para disseminar todo o conteúdo aprendido em seus territórios.

“A ideia é fazer pontes com outras realidades para as meninas para que elas percebam que podem ocupar espaços sociais que são seus por direito. Serão desenvolvidas e aprimoradas aptidões e habilidades de planejamento, autoconhecimento e liderança”, concluiu Ana.

Recorte geracional da equidade de gênero e os ODS

A igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 5), da Organização das Nações Unidas (ONU). Os objetivos fazem parte da Agenda 2030, um plano global composto por 17 objetivos e 169 metas a serem alcançados até 2030, pelos 193 países membros da Organização das Nações Unidas. Um ponto muito importante é o reconhecimento geracional da desigualdade de gênero no ODS 5. Ou seja, a inclusão de meninas no contexto da desigualdade.

A questão das meninas não foi abordada nem mesmo na Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, de 1979. Mas essa desigualdade começa a se manifestar desde a infância. Há alguns tipos de violência muito comuns contra as meninas, como a exploração e o abuso sexual, que ocorrem na maioria das vezes contra as meninas e mulheres, mas há outras questões específicas, como o grande número de casamentos na  infância e na adolescência.

A meta 5.1 trata de acabar com todas as formas de discriminação contra as mulheres e meninas, em toda parte. A meta 5.2 pretende eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e outros tipos de violências.

Práticas nocivas, como casamentos prematuros forçados de crianças e mutilações genitais femininas aparecem na meta 5.3. Já a meta 5.6 assegura o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos. Além disso, há uma meta de implementação que prevê adotar e fortalecer políticas sólidas e uma legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas, em todos os níveis.